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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Origem Feminina do Samba - As Divas Negras.


                                                          Tia Ciata

Hilária Batista de Almeida, mais conhecida como Tia Ciata (18541924),  foi uma entre várias divas negras e talentosas, que deram origem ao samba, o estilo musical mais brasileiro de todos.
Tia Ciata era uma cozinheira e mãe de santo baiana, considerada por muitos, como uma das figuras mais influentes para o surgimento do samba carioca; isso porque, era em sua casa que se reuniam sambistas, todos os finais de semana, para realização de pagodes (festas dançantes), com direito à quitutes feitos por ela, e música sem parar. A tia baiana cuidava para que o samba nunca parasse.
Esses encontros lendários ocorriam na "Praça Onze" (conhecida como "Pequena África"), que era um ponto de encontro tradicional de sambistas e compositores cariocas, de forma que, acabou ficando lembrada, nos primeiros anos de desfile, das escolas de samba, como ponto "obrigatório" de passagem, isto é,  era prática corrente destes grupos, passar diante da casa de Tia Ciata. Todo o ano, durante o Carnaval, a família  da Tia baiana armava uma barraca na Praça 11, reunindo tanto trabalhadores, quanto a nata da malandragem carioca. Ali nasciam as marchinhas, que ficariam famosas, no Carnaval carioca.
Tia Ciata foi com certeza, uma das mais famosas baianas, que migraram para o Rio de Janeiro, no início do século XX, fugindo da perseguição policial (perseguição religiosa). Os policiais baianos invadiam terreiros, destruíam tudo, e batiam em quem estivesse lá. A migração da tia baiana contribuiu para o desenvolvimento do samba, pois, ela abria seu terreiro de Candomblé, para as rodas de pagode acontecerem.
Além de vender doces, Tia Ciata alugava roupas de baiana, para os teatros, e para o Carnaval; isso levou muita gente da Zona Sul da cidade, da alta sociedade, à frequentar a casa da baiana, fato que, certamente, ajudou à pavimentar a estrada do samba. Tia Ciata morreu em 1924.
Clementina de Jesus da Silva
Clementina de Jesus da Silva (19011987) foi uma cantora de samba, negra e carioca, conhecida como Tina, Rainha Ginga ou Quelé, que nasceu em 1901, e que acompanhou de perto, o surgimento e desenvolvimento da escola de samba "Portela". Ela frequentou desde cedo as rodas de samba da região, e tinha um brilho especial nos olhos, que cativou tanto os mais humildes, quanto o imperador Haile Selassiê (já falamos deste imperador, aqui no blog). Leia: "Imperador Haile Selassie (Rei dos Rastafari)", do dia 21 de agosto de 2016.
Em 1940, Clementina, já casada, foi residir na Mangueira, onde trabalhou  como doméstica, por mais de 20 anos, até ser "descoberta" pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho, em 1963, quando já estava com 63 anos. Talvez por isso Clementina tratasse todos igualmente, sem distinção de classes sociais. Uma mãezona!

TV Cultura - Clementina de Jesus " Me Da Meu Boné "

Considerada rainha do partido alto (um tipo específico de samba, que mais se aproxima do batuque angolano), com seu timbre de voz inconfundível, Clementina foi ativa em recuperar a memória musical afro-brasileira.
Em 1968, com a produção de Hermínio Bello de Carvalho, Clementina registrou o histórico LP :"Gente da Antiga", ao lado de Pixinguinha e João da Baiana.
Clementina, também chamada de mãe, surgira como um elo entre a moderna cultura negra brasileira, com a Mãe África, causando admiração no meio musical (MPB). Artistas como João Bosco, Milton Nascimento e Alceu Valença fizeram questão de registrar sua voz, nos álbuns desta diva do samba. Em 1983, Clementina de Jesus foi merecidamente homenageada em um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com participação de Paulinho da ViolaJoão NogueiraElizeth Cardoso, e outras natas do samba.

Mesmo tendo iniciado tardiamente sua carreira artística, que acabou sendo curta, Clementina de jesus é, sem dúvida, uma das mais importantes cantoras brasileiras, que, lamentavelmente, partiu, deixando saudades, em função de um derrame, em 1987.
                                           

Dona Zica
Última esposa de Cartola, Dona Zica foi uma diva da velha guarda da "Estação Primeira de Mangueira". Ela tinha mais de 40 anos de idade, quando casou-se com Cartola, em 1954. Ela teve um papel importante na vida deste grande nome da cultura musical brasileira.
Diz-se que, o talento gastronômico de Zica, segundo relato da própria, foi decisivo na vida do casal, pois, conforme depoimento seu, registrado na biografia de Cartola, já na década de 1960, ao comandar um vatapá, na casa de Benjamin Eurico Cruz, ela teria conseguido fazer um contato importante, que deu origem ao Zicartola, famosa casa de samba do Rio de Janeiro, e que também funcionava como restaurante, onde ocorriam encontros de sambistas afamados da época. 

Dona Zica morreu aos 89 anos, de problemas cardiovasculares.

Ivonne Lara da Costa (1921)
Dona Ivone Lara é uma cantora e compositora brasileira, uma legítima matriarca do samba, também chamada de: “A Rainha do Samba”. Essa musicista teve forte influência da família, que deu origem ao seu amor pelo samba. Com a morte do pai, aos três anos de idade, e da mãe, aos doze anos, Ivone acabou sendo criada pelos tios, com quem aprendeu a tocar cavaquinho, bem como a ouvir o batuque sambista

Detalhe interessante: Ivone Lara teve aulas de canto, com Lucília Villa-Lobos, recebendo elogios do marido desta, o famoso maestro Villa-Lobos.
E essa veia artística também adveio dos pais de Dona Ivone, que, antes de morrerem, tinham intensa vida musical. O pai era violonista de sete cordas, e desfilava no Bloco dos Africanos; a mãe era ótima cantora, e emprestava sua voz de soprano, aos blocos carnavalescos tradicionais, do Rio de Janeiro.
Curiosidade: Dona Ivone Lara era formada em Enfermagem, e tinha especialização em Terapia Ocupacional, ela trabalhou trabalhou com a nobre doutora Nise da Silveira, e foi assistente social até se aposentar, em 1977. Depois da aposentadoria, a sambista passou a dedicar-se exclusivamente à carreira artística.
Com a fundação do Império Serrano, em 1947, Dona Ivone desfilava na ala das baianas. A consagração como cantora veio somente em 1965, quando tornou-se a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de escola de samba.
Entre os intérpretes que gravaram suas composições destacam-se nomes de peso como: Clara Nunes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paula Toller, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Roberta Sá e Marisa Monte.

Sambabook Dona Ivone Lara

De tão respeitada, diz-se que, não bastava chamar a cantora de "Ivone Lara", o respeito e a admiração impuseram o termo: "DONA", que fundiu-se ao nome da então, consagrada sambista.
Em 2014, Dona Ivone Lara participou do primeiro dia de gravações do "Sambabook", em homenagem à sua carreira, onde participaram cantores como: Elba Ramalho, Criolo, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Arlindo Cruz, Adriana Calcanhoto e Zélia Duncan.

Jovelina Pérola Negra
Jovelina Pérola Negra (19441998), cujo nome de batismo era Jovelina Farias Delford, foi uma cantora e compositora brasileira, consagrada como um dos grandes nomes do samba. Com uma voz rouca e forte, essa negra, sambista e guerreira, foi herdeira do estilo de Clementina de Jesus, e, como ela, empregada doméstica, antes de fazer sucesso, no mundo artístico.
Jovelina ganhou fama ao participar do histórico disco: "Raça Brasileira", em 1985, ajudando a consolidar o pagode.
O nome Pérola Negra era homenagem à sua cor reluzente.

Jovelina Pérola Negra "Sangue Bom" - CD Completo 1990

Essa pérola da música brasileira conquistou muitos fãs no meio artístico, como Maria Bethânia e Alcione. Ela gravou cinco álbuns, e conquistou o Disco de Platina. Mas, lamentavelmente, o sucesso chegou tardiamente, impedindo a realização de um sonho, o de "ganhar muito dinheiro, para dar aos filhos tudo o que não teve", isso porque, em 2 de novembro de 1998, Jovelina Pérola negra morreu, aos 54 anos, de infarto.
Outros nomes que não foram citados aqui, como: Leci Brandão, Tia Surica e Tia Doca, você encontra nos anais da nata do samba brasileiro, um estilo musical nascido nas favelas, da ginga e talento de nossos afrodescendentes.
Fontes:
Wikipédia, a enciclopédia livre. Tia Ciata. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tia_Ciata. Acesso em 20 fev. 2016.
Wikipédia, a enciclopédia livre. Clementina de Jesus. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tia_Ciata. Acesso em 20 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Dona Zica. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dona_Zica.Acesso em 20 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Dona Ivone Lara. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dona_Ivone_Lara. Acesso em 20 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Jovelina Pérola Negra. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jovelina_P%C3%A9rola_Negra. Acesso em 20 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Clementina de Jesus. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Clementina_de_Jesus. Acesso em 20 fev. 2016.

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