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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O primeiro Brasileiro - Afro ou Branco - a detalhar, analisar e fazer justiça às contribuições Africanas ao Brasil.



Manuel Raimundo Querino (1851 — 1923), que será objeto desta publicação, foi um intelectual afrodescendente, que estudou no Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, e na Escola de Belas Artes, e que fez história como escritor, líder abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos, da cultura africana, em solo brasileiro. Ele foi de fato, um proeminente ativista, que combateu com fervor e competência, as ideias racistas do darwinismo social daquele período.

Breve biografia:

Manuel Querino, negro brasileiro, perdeu os pais para a cólera, em 1855. Por sorte, teve como padrinho/tutor o professor da Escola Normal de Salvador, Manoel Correia Garcia, que o introduziu nas primeiras letras. É  dito que, depois de servir na Guerra do Paraguai, como escriba (carece de fontes), Querino teria voltado sua atenção ao desenho e à pintura, obtendo em seguida, o diploma de desenhista, em 1882.

Mas, este homem das artes, terá papel ainda mais profundo à desempenhar, de forma a deixar marcas profundas na história de nossa cultura. Depois de produzir dois livros didáticos, sobre desenho geométrico, Manuel atuou na política, como abolicionista. Ele era republicano e liberal, um verdadeiro líder da classe trabalhista e operária. Desta maneira ele inicia uma trajetória dedicada não somente à proteção do negro brasileiro, como, também, de registro da brilhante contribuição destes para a construção de nossa nação.  

Querino inicialmente, defendeu com ardor pessoas humildes e sem voz, que sofriam com reformas injustas. Mas, essa luta custou-lhe um preço, que foi a não reeleição, para a Câmara Municipal, bem como, ser consecutivamente preterido em todas as ocasiões em que lhe era justa a promoção, no serviço público, na Secretaria da Agricultura.

Secretários e chefes de serviço mostraram desinteresse pela sorte deste homem, porque era negro, mas, no fim, seria este negro que acabaria lembrado nos anais de história, de seu país, por ter registrado a história dos afrodescendentes, e seu papel no enriquecimento de nossa cultura.

Manuel Querino dedicou boa parte de seu tempo e energia, aos estudos históricos, pesquisando e registrando as contribuições dos Africanos, ao desenvolvimento do Brasil como ele é hoje. Afinal, “nenhum afro-brasileiro havia, até então, dado sua perspectiva da História, do Brasil”. Dito isso, Querino surgiu como “o primeiro Brasileiro - afro ou não afro- a detalhar, analisar e fazer justiça às contribuições Africanas ao Brasil”.

Por fim, frisemos que, ele travou, no meio intelectual, debates recorrentes, contra as ideias preconceituosas, de Nina Rodrigues, um personagem que citaremos numa próxima publicação. Manuel Querino também chamou, diversas vezes, a atenção dos oficiais municipais, quanto às perseguições infringidas aos praticantes das religiões Afro-baianas.

Lamentavelmente, a polícia da época rotulava essas religiões como bárbaras e pagãs. Eles apareciam nos terreiros para destruir propriedades, e para ferir os participantes. E foi assim que baianas como Tia Ciata foram parar no Rio de Janeiro, no final do século XIX, e início do século XX. Essa baiana guerreira, a Tia que abriu os terreiros para os pagodes, recebia a nata de sambistas, daquele período, ajudando a desenvolver e impulsionar o estilo musical mais brasileiros de todos. Veja a publicação: "Origem Feminina do Samba - As Divas Negras", do dia 20 de fevereiro de 2016. Não esqueçamos também, os episódios recentes de vandalismo praticado contra centros espíritas, como o incêndio ocorrido no Distrito Federal, que destruiu um CE, e parece ter sido criminoso. Isso mostra o quão duradouro é o racismo contra as religiões de matriz africana. 

Voltando ao personagem desta história, Manuel Querino. Ele foi fundamental para a historiografia brasileira, ao preservar a história dos africanos, no Brasil, ao registrar seu legado à cultura baiana...

É dele a citação que exalta a identidade nacional afrodescendente:

“A Bahia encerra superioridade, a excelência, a primazia, na arte culinária do país, pois que o elemento africano, com a sua condimentação requintada de exóticos adubos, alterou profundamente as iguarias portuguesas, resultando daí um produto todo nacional, saboroso, agradável ao paladar mais exigente, o que excede a justificada fama que precede a cozinha baiana”. (QUERINO, 1922, p. 23).


Manuel Querino faleceu na Bahia, em 1923.


Algumas de suas obras são:

  • Artistas baianos, Rio de Janeiro, 1909
  • As artes na Bahia, Salvador, 1909
  • A raça africana e os seus costumes na Bahia, in Anais do V Congresso Brasileiro de Geografia, Salvador, 1916
  • A Bahia de outrora, Salvador 1916
  • O colono preto como fator da civilização brasileira, 1918
  • A arte culinária na Bahia, Salvador, 1928.

Eu acredito que não devemos mais aceitar uma educação que seja eurocêntrica, tendente à ignorar as grandes influências da cultura africana, em nossa cultura. Não podemos nos limitar a citar um folclore depreciativo, como o Saci Pererê, ou citações da escravidão, nas aulas de história, coisas que deixam marcas de menos valia em nossas crianças negras. Devemos fazer com que nossas crianças e jovens conheçam os heróis negros desta pátria, porque, parte da beleza de nosso país deve-se principalmente aos africanos que aqui deixaram sua marca.

Fontes:

Wikipédia, a enciclopédia livre. Manuel Querino. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Querino. Acesso em 23 fev. 2016.

Association de capoeira PALMARES de Paris. Manuel Raimundo Querino. Publicação eletrônica. Disponível em: http://www.capoeira-palmares.fr/histor/querino.htm. Acesso em 23 fev. 2016.

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