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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

As Teses Antropológicas Racistas de Nina Rodrigues



Raimundo Nina Rodrigues (1862 —1906) de vargem Grande (Maranhão), foi um médico legista, higienista, psiquiatra, professor, epidemiologista, etnólogo, escritor, sexologista e antropólogo; em suma: um polímata brasileiro, cujas teses antropológicas são, atualmente, consideradas racistas.

Breve biografia:

Esse filho de coronel, que teve como madrinha/babá uma mulata, ficou conhecido em Salvador, em sua época, como o médico dos pobres, mas, na modernidade, é visto como um estudioso que defendeu ideias racistas. Note porém, o que Estácio de Lima, no livro “Velho e Novo Nina”, fala sobre ele: “frequentava candomblés, deitava-se com as inhaôs (sic), e comia a comida dos orixás", e isso, apesar do olhar crítico de seus colegas de profissão.

A verdade é que, Nina Rodrigues buscou analisar com profundidade, os problemas do negro no Brasil, fazendo escola no assunto, mas, ele sofria da mazela chamada influência da ideologia predominante de seu tempo. Entre seus livros destacaram-se: “As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil” (1894), “O animismo fetichista dos negros da Bahia” (1900), e “Os africanos no Brasil” (1932).

Frisa-se que, no período da abolição da escravatura, a cidade de Salvador (BA), para citar apenas um exemplo, contava com mais de 2 mil africanos catalogados; e a Lei Áurea não se preocupou em oferecer condições para que os ex-escravos pudessem ser integrados no mercado de trabalho formal e assalariado, de forma que, muitos se aglomeravam nas grandes cidades, alguns envolvendo-se em crimes, por conta da falta de uma política que afirmativa para ajudá-los; e foi nesse período que Nina Rodrigues escreveu: "a igualdade é falsa, a igualdade só existe nas mãos dos juristas". Ele defendia que deveriam existir códigos penais diferentes, para raças diferentes. na verdade ele achava que o negro era inferior e naturalmente dado ao crime.

Nina Rodrigues foi um indivíduo influenciado pelo darwinismo social, surgido no Reino Unido, América do Norte e Europa Ocidental, na década de 1870. Ele foi um dos introdutores da antropologia criminal e da Frenologia no Brasil. Frenologia foi uma teoria que reivindicava a capacidade da ciência em determinar o caráter, as características da personalidade, bem como o grau de criminalidade de um indivíduo, a partir da forma da cabeça deste ("protuberâncias"). Tal pseudociência foi desenvolvida pelo médico alemão Franz Joseph Gall, nos idos de 1800, tornando-se popular no século XIX. Esses estudos eram, no entanto, controversos na antropologia/etnologia, porque, muitas vezes, foram utilizados para justificar o racismo, de forma científica. De fato, a Frenologia serviu de base para a Eugenia - "purificação da raça".

E a Eugenia é um termo que foi criado em 1883, por Francis Galton (1822-1911), significando: "o estudo dos agentes, sob o controle social, que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais, das futuras gerações, seja física ou mentalmente. Em poucas palavras, faz alusão à - 'bem nascido'. Trata-se do marco inicial da visão nazista, que veio a ser parte fundamental, da ideologia de "pureza racial", a qual culminou no Holocausto. Veja a publicação: “Educação imaginativa e histórica – Eurocêntrica”, do dia 18 de agosto de 2015.

Falamos de um período na história humana, onde a ciência estava contaminada pelo Darwinismo Social, já citado, e que é um nome moderno dado às várias teorias da sociedade, que motivaram as ideias de eugenia, racismo, imperialismo, fascismo, nazismo, e na luta entre grupos e etnias nacionais.

Voltando ao pensamento de Nina Rodrigues, que via o negro como marginal, citamos algumas publicações de sua autoria, com esse teor: 1) “Mestiçagem, Degenerescência e Crime”. Aqui ele procurou provar suas teses sobre a degenerescência e as tendências ao crime, dos negros e mestiços; 2) "Antropologia patológica: os mestiços", e 3) "Degenerescência física e mental, entre os mestiços nas terras quentes". Para Nina Rodrigues, os negros e os mestiços se constituíam na causa da inferioridade do Brasil.

Em obra intitulada: “Os Africanos no Brasil”, o autor explica o subdesenvolvimento do Brasil como uma consequência da predominância de mão de obra negra. Ele escreveu:

"Para dar-lhe [a escravidão] esta feição impressionante foi necessário ou conveniente emprestar ao negro a organização psíquica dos povos brancos mais cultos (…) O sentimento nobilíssimo de simpatia e piedade, ampliado nas proporções duma avalanche enorme na sugestão coletiva de todo um povo, ao negro havia conferido (…) qualidades, sentimentos, dotes morais ou ideias que ele não tinha e que não podia ter; e naquela emergência não havia que apelar de tal sentença, pois a exaltação sentimental não dava tempo nem calma para reflexões e raciocínios".


Pasmem amigos! Teorias como estas, aceitas como verdade por muito tempo, serviram de base para que o governo brasileiro estimulasse ainda mais a imigração de europeus brancos.

Em dada ocasião, o escritor Jorge Amado citou Nina Rodrigues em uma de suas obras - “Tenda dos Milagres” - trocando o nome de Nina por: Nilo Argolo. É  oportuna a citação deste livro, que nos insere no contexto daquele período. 

"Tenda dos Milagres" é um romance do escritor brasileiro, Jorge Amado, publicado em 1969, cuja trama se passa na Tenda dos Milagres, no Pelourinho- Salvador/Bahia, terra originalmente povoada por muitos afrodescendentes, que constituíram a maioria da população daquele lugar.

Na Tenda citada no romance ocorriam encontros de pessoas ligadas ao candomblé e à capoeira. O livro de Jorge Amado buscou retratar Pedro Archanjo, o herói mestiço da história, que era mulato com algum estudo, e que era protegido pelo professor da Faculdade de Medicina, Silva Virajá. Muitas das personagens de Jorge Amado foram baseadas em pessoas reais, entre eles, o principal adversário intelectual de Pedro Arcanjo, desta história, que no caso era Nilo Argolo, que foi, provavelmente inspirado em Nina Rodrigues, como já dissemos. Diante desta realidade, deu até vontade de ler o livro, e conhecer mais deste escritor baiano, o Amado Jorge.


Por fim, fizemos uma postagem que falou a respeito de Manuel Querino, o intelectual afrodescendente, e baiano, que travou no meio intelectual, debates fervorosos, contra as ideias preconceituosas da ciência defendida por Nina Rodrigues. Sugiro que leia.

E assim vou buscando conhecer os personagens negros, como Manuel Querino, ou os controversos, como Nina Rodrigues, na tentativa de mostrar à quem tenha interesse, a nossa história afro, e os heróis negros de nossa nação, em todos os tempos. Lembrando que somos o que somos, uma nação culturalmente rica, graças em grande parte, aos africanos que vieram sofrer, mudar, e enriquecer nossa realidade como Brasil.

Neste ponto sugiro que leia a publicação a respeito de Manuel Querino, um de nossos heróis abolicionistas.   

Fontes:

Wikipédia, a enciclopédia livre. Nina Rodrigues. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nina_Rodrigues. Acesso em 23 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Frenologia. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Frenologia. Acesso em 23 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Darwinismo Social. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Darwinismo_social. Acesso em 23 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Tenda dos Milagres. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tenda_dos_Milagres_(livro). Acesso em 23 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre.  Os Africanos no Brasil. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Africanos_no_Brasil. Acesso em 23 fev. 2016.

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