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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A Filosofia tem sua origem na África: Mito ou Realidade?



Existe uma crença comum, no ocidente, especialmente no mundo dos brancos, que a filosofia teve origem na Grécia. E este é um fato sério, que deve ser bem analisado, porque, segundo Asante:

A filosofia é a mais elevada disciplina.
Todas as outras disciplinas são derivadas da filosofia.
A filosofia “teria” sido criação dos gregos.
Os gregos são brancos,
Portanto, os brancos “seriam” os criadores da filosofia.

Entretanto, note os verbos condicionais: “Teria” e “Seria”.

Infelizmente,essa ideia está tão bem disseminada e aceita, que, praticamente, todos os livros de filosofia começam com os gregos, como se os gregos tivessem sido os predecessores do saber humano, isto é, as grandes mentes capazes de discutir conceitos de beleza, arte, números, escultura, medicina, organização social; em outras palavras, eles "teriam" sido as primeiras (e únicas) mentes daquela período, da história humana, que foram capazes de um estudo profundo, dos problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem.

Na visão deste dogma, onde os gregos nos legaram o conhecimento (a filosofia), outras pessoas e culturas podem até mesmo, ter contribuído, de alguma forma, para o pensamento humano, a exemplo do chinês Confúcio; mas, não teriam contribuído para a constituição da base filosófica, afinal, o “amor ao conhecimento” veio da Grécia, exclusivamente. Diante disso, segundo tal raciocínio, os povos africanos podem ter religião e mitologia, mas, não filosofia, que é privilégio somente dos gregos (brancos), os pais da mais elevada das ciências (isto é eurocentrismo).

Mas, há um problema sério com esta linha de raciocínio, segundo Asante: “essa informação é falsa”. Algo parecido é dito por George Granville Monah James, no livro: “Stolen Legacy” (Legado Roubado). Veja nossa publicação do dia 29 de julho de 2015.

Portanto, retomando o raciocínio de Asante, essa noção de que a filosofia veio dos gregos é falsa. Vejamos: 

A ciência buscou a origem da palavra “filosofia”, na língua grega, mas, de acordo com muitos dicionários e etimólogos gregos, tal origem é desconhecida (isso se você está procurando a origem dessa palavra, na Europa, como a maioria dos europeus que escrevem livros sobre etimologia, fazem / eurocentrismo). Além disso, erra-se, quando não se leva em consideração o Zulu, Xhosa, Yoruba, ou amárico, concernente à conclusão, sobre o que é conhecido ou desconhecido. Veja que, a prática corrente, de nunca pensar na possibilidade, de um termo usado por uma língua europeia, poder ter sua origem na África, é um erro grave.

Expliquemos: literalmente, Filosofia “seria” uma palavra do grego, de "Philo", que significa irmão ou amante; e "Sophia", que significa sabedoria ou sábio. Assim, um filósofo é chamado de: "amigo da sabedoria". Entretanto, a origem do termo - "Sophia" - vem, claramente, de uma língua africana (Mdu Ntr),  que foi a língua do antigo Egito, onde a palavra "Seba", que significa "sábio", aparece pela primeira vez, em 2052 AC, no túmulo de Antef I (isto é, muito antes da existência da Grécia ou do grego). Então, a palavra virou "Sebo", em copta, e "Sophia", em grego. No termo filosofia - o amante da sabedoria - temos então, e precisamente, o "Seba," que é o mesmo que "sábio", conforme se pode provar, a partir de escritos encontrados em tumbas egípcias, muito antigas.

E, segundo alguns escritos do grego Diodoro, da Sicília, datados do século I AC, a respeito do Egito antigo: muitos dos sábios celebrados entre os gregos, aventuraram-se indo para o Egito, na antiguidade, com o objetivo de aprender com os costumes e ensinamentos egípcios. Isso se comprovou, a partir de registros encontrados em livros sagrados, da antiguidade egípcia, em que os sacerdotes egípcios notificaram (registraram) a visita de alguns gregos (para nós hoje, muito ilustres) ao Egito; tais como: Homero (o poeta), Platão (o filósofo), Pitágoras (o matemático), Orfeu, Musaeus, Melampos, Daedalos, Licurgo de Esparta, Solon, o ateniense, Eudoxo, Demócrito de Abdera e Oenopides de Chios.

Obviamente, muitos outros gregos da época, também aventuram-se pela África, exatamente pelo mesmo motivo, buscar aprendizado. Eles iam estudar a filosofia egípcia, porque os gregos admiravam os homens e mulheres egípcios, conhecidos no mundo antigo, por serem dotados de grandes habilidades e conhecimentos (lembram de Imhotep? fizemos uma publicação sobre ele no dia 18 de outubro de 2015). E os egípcios, por sua vez admiravam os etíopes, pelo seu grande saber.

Segundo Heródoto, em escritos datados do século 5 a.C, Livro II - História, os etíopes diziam que os egípcios eram nada além de uma colônia de etíopes. Mas, é claro, que, segundo nos relata Asante, autor deste texto, o que vemos hoje é um sistema de descrença relativa à história, experiências e conhecimentos dos povos da África, que surgiu nos últimos quinhentos anos da conquista europeia. Veja que, essa retórica de negação da capacidade e inteligência africana foi desenvolvida em solo europeu, para acompanhar a desapropriação da África (usurpação de seu legado material e intelectual, acompanhado da destruição de sua identidade, para melhor dominar). E isso foi feito para caminhar junto com a conquista europeia da África, Ásia e América, pois, a colonização não era apenas uma questão de terra; era uma questão de colonizar informações sobre a terra. Faço uma pausa para sugerir que você leia: “A Ciência Não é Branca”, publicação de 18 de outubro de 2015; e a postagem: “Historiadores admitem: os antigos impérios africanos de Gana, Mali e Songhay já haviam desenvolvido sociedades científicas, antes dos europeus”, do dia 21 de outubro de 2015.

Em suma, Asante explica que, antes da Europa entrar na era do iluminismo, do renascimento intelectual, os gregos já viajavam para estudar, na África. E depois disso, eles voltavam para a Grécia, onde criaram a "Era de Ouro" grega. Não foi antes, mas, depois de terem estudado no Egito, que esses gregos alcançaram algum conhecimento, de fato, mais avançado. Repito: eles tinham que ir para a África e estudar com os sábios do antigo Egito, que eram negros, a fim aprenderem medicina, matemática, geometria, arte, e assim por diante. E isso, muito antes de haver, até mesmo, qualquer civilização europeia.

Talvez você pergunte: Por que os filósofos gregos estudaram na África?

Thales, o primeiro filósofo grego, e o primeiro que é lembrado por ter estudado na África, dizia que aprendeu a filosofia dos egípcios. Então, os gregos estudaram no Egito, porque esta era a capital educacional do mundo antigo.

Pitágoras é conhecido por ter passado pelo menos, vinte e dois anos, na África, estudando. Em vinte dois anos, pode-se obter uma boa educação, talvez até mesmo um Ph.D.

Sabemos então, que os gregos buscavam o conhecimento filosófico, que os africanos possuíam. Quando Isócrates escreveu seus estudos, no livro Busirus, ele disse o seguinte: "Estudei filosofia e medicina no Egito." Veja que, ele não estudou estes assuntos na Grécia, na Europa, mas, sim, no Egito, na África.

Dito estas coisas, vemos que não somente a palavra filosofia não é grega, como a também, a prática da filosofia já existia, muito antes dos gregos, lá na África. Imhotep, Ptahhotep, Amenemhat, Merykare, Duauf, Amenófis, Akhenaton, e o sábio de Khunanup, são apenas alguns dos filósofos africanos, que viveram muito antes de existir uma Grécia ou um filósofo grego.

Quando os africanos terminaram de construir as pirâmides do Egito, em 2500 aC, se passariam 1.700 anos, antes do surgimento de Homero, o primeiro escritor grego.

E quando Homero aparece, e começa a escrever a obra - A Ilíada - não se passa muito tempo antes que, viesse a registrar o que aconteceu ou estava acontecendo na África: “os deuses gregos estavam reunidos na Etiópia”. De Homero é dito ter passado sete anos, na África. Mas, o que ele poderia ter aprendido com os sábios professores do Egito, em sete anos? Ele poderia ter aprendido leis, filosofia, religião, astronomia, literatura, política e medicina. Porque tais coisas foram desenvolvidas, e eram ensinadas pelos egípcios, um povo africano.

Saiba: os africanos não esperaram pelos gregos, ou por outro europeu qualquer, para descobrir como construir as pirâmides, que até hoje despertam curiosidade, devido a sua complexidade, um verdadeiro feito grandioso e misterioso (como transportavam e erguiam imensas toneladas de pedra?). Você por acaso pode imaginar os egípcios em pé, em volta de pedreiras, ou nas margens do Nilo, no ano 2500 aC, especulando sobre quando algum europeu viria ajudá-los a medir a terra, calcular largura e profundidade, determinar a helicoidal exato crescente de Serpet (Sirius), e a inundação do Nilo, ou mesmo para diagnosticar doenças, lembrando que, os egípcios eram exímios anatomistas, arte que aprenderam, possivelmente, com a prática da mumificação.

Segundo Heródoto, em Histórias, livro II, os Colchians eram como os egípcios, "eles tinham a pele negra e cabelo lanoso (como lã)". Disse Aristóteles, em Physiognomonica, que: "os egípcios e os etíopes são muito negros". Neste ponto sugiro que você lei a publicação do dia 31 de julho de 2015, cujo título é: “(01) Os Egípcios da antiguidade eram negros, e isso pode provar que Jesus Cristo também era”.

Liderados pelo egiptólogo e historiador africano, Cheikh Anta Diop, um novo e interessante número de estudiosos surgiu, desafiando todas as mentiras que foram ditas, sobre a África. Eles são os únicos que, como o poeta Haki Madhubuti disse: “são os padrões reais de coragem e compromisso” (eu acrescentaria: sabedoria e verdade).

Em 1974, numa conferência que ocorreu no Cairo, patrocinada pela UNESCO, sobre o "Povoamento do Egito", estes dois negros - o Diop e o Théophile Obenga - foram destemidos, determinados e revolucionários, em suas apresentações, de forma que, quando acabaram de dissertar, a respeito dessa "nova" teoria, baseada em estudos e provas cabais, conseguiram quebrar todas as mentiras, até então ditas, sobre o legado intelectual africano. 

Usando ciência, linguística, antropologia e história, estes dois gigantes acadêmicos (intelectuais negros), demonstraram que, os antigos egípcios eram negros. Foi usado um teste de melanina, feito na pele de uma múmia egípcia, no qual se verificou tratar-se de uma pessoa com caracteres negroides, também realizaram observações da arte registrada em paredes dos túmulos egípcios, que retratavam o aspecto físico, destes antigos egípcios, e notou-se ainda, muita semelhança linguística, existente entre o idioma do Egito antigo com as línguas africanas, e por fim, analisou-se alguns testemunhos de antigos egípcios, nos quais estes relatavam como viam a si próprios, de como eles caracterizavam a si próprios; neste caso, eles usavam uma palavra que significa: "preto", para descrever seus caracteres físicos.

É tão simples, que eu não entendo como podem errar, nesta questão, os especialistas, uma vez que, os próprios gregos da antiguidade sabiam muito melhor do que a atual safra de europeus, que os antigos egípcios, antes da chegada dos gregos, romanos, árabes e turcos, eram africanos, negros-africanos.

A cor negra dos antigos egípcios só perde a importância, ou é veementemente negada (nas raras vezes em que vem à tona), quando gente branca racista e leiga defende a teoria de que os africanos não poderia ter construído as pirâmides, porque seriam um povo sem conhecimento, sem passado, sem história, e sem grandes feitos. Mas, a verdade é que (e esta não pode ser contestada, desmentida, ou refutada) os egípcios eram africanos, homens e mulheres de pele negra (vermelha, morena), com cabelos lanosos (semelhante à lã).

Finalizando: a filosofia começou primeiro com as pessoas de pele negra, do vale do Nilo, em torno de 2800 aC, ou seja, 2200 anos antes, do aparecimento de Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo ocidental.

Lembre disto: há cerca de 30.000 anos atrás, os ancestrais africanos, já estavam separando ocre vermelho, de ferro, em uma caverna africana. Então, eles necessariamente tinham que ter alguma ideia sobre o que estavam fazendo. Tinha que haver alguma reflexão, algum processo pelo qual os anciãos determinaram o que era para ser usado, para o que, e em que ocasião. Assim, antes mesmo de qualquer registro escrito ter sido feito, temos provas cabais de que, os ancestrais africanos, em épocas muito remotas, estavam envolvidos em discussões, ações empíricas e constatações, muito significativas, a respeito da natureza do seu ambiente.

Texto do Dr. Molefi Kete Asante.

Molefi Kete Asante, autor desta publicação, é um dos estudiosos contemporâneos mais lidos e publicadas (tendo escrito mais de sessenta livros e trezentos artigos).

Acompanhem o trabalho dele em:


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O Primeiro Palhaço Negro do Mundo foi também o Primeiro Ator Negro do Cinema Brasileiro.


Benjamim de Oliveira, nascido em Minas Gerais, no ano de 1870, foi um negro pioneiro na arte circense, que desenvolveu múltiplas capacidades, chegando à atuar como ator, cantor, instrumentista e compositor; habilidades que lhe conferiram, entre outros, o título de primeiro artista negro à atuar no cinema brasileiro. 

E tudo isso em um tempo em que o negro não tinha nenhum espaço, ou na máximo, tinha um espaço muito reduzido, na sociedade brasileira. De certa forma isso ainda não mudou, pois, quantos atores negros, você vê protagonizando filmes e novelas? Quantos presidentes negros tivemos no Brasil ? Quantos negros ocuparam o cargo de presidente do Supremo Tribunal Federal?

Note que, enquanto grande parte da população negra do Brasil, da época, sob a alcunha da Lei Áurea (recém sancionada ), ainda ardia sob o sol das plantações de café e cana-de-açúcar, ou vagavam sem destino, pelas ruas de barro batido, do interior do país; um talentoso e jovem negro, da cidade mineira de Pará de Minas, filho de escravos, desafiava o futuro que lhe aguardava, contrariando o seu próprio destino (Nabor Jr., 2010).

O nome dele é Benjamin Chaves, mais conhecido como Benjamin de Oliveira. Este artista brasileiro, compositor, cantor, ator, e pioneiro na arte circense, atuou a princípio como palhaço, e na verdade ele foi o primeiro palhaço negro do Brasil. E de acordo com o pesquisador Brício de Abreu, o primeiro palhaço negro do mundo (Geledés, 2009).


As poucas pessoas, que ouviram falar do talento deste brasileiro, devem saber também que, ele foi idealizador/criador do primeiro circo-teatro.

Benjamin de Oliveira (1870 - 1954) - Heróis de Todo Mundo


Benjamin Chaves foi um “negro forro”, cuja alforria, e de seus irmãos, veio após nascerem, já que sua mãe, Leandra de Jesus, era considerada escrava de estimação. Já, seu pai, Malaquias Chaves trabalhava buscando escravos fugitivos. Do pai, o jovem não guardava boas lembranças, pois, ele era um capataz, considerado por muitos, como um homem terrível, que batia no filho diariamente.

Mas, a infância deste homem, que se tornaria um grande artista, foi cheia de privações: muitas vezes - conta em suas memórias - “passávamos dias e dias comendo abóbora e fubá” (MUNDOCLOWN, 2007). Aos doze anos já tinha exercido diversas funções: “madrinha de tropa”, carreiro, candeeiro, guarda-freio, e ainda vendia bolo nas portas dos circos, que passavam pelo Arraial (Portal Museu Afro Brasil).

Aos 12 anos, Benjamin iniciou sua saga de “acrobacias pela vida”, fugindo de casa, com a "troupe" do circo Sotero. Trocadilho a parte, de fato Benjamim atuou por três anos, como trapezista e acrobata, antes de fugir novamente, porque apanhava do dono do circo. No entanto, esta não foi a última vez que teve de escapar, segundo o próprio Benjamim: “meu destino era fugir. Destino de negro...”. Certa vez, foi parar num grupo de ciganos, e é provável que tenha trabalhado como escravo, já que num episódio marcante de sua vida, descobre, através de uma moça do grupo, que os ciganos estavam pensando em trocá-lo por um cavalo. Ao fugir novamente, é abordado por um fazendeiro que, o considerou um escravo fugido. Para convencer o homem de que era livre e trabalhava como circense, Benjamim fez uma demonstração de suas habilidades artísticas, e foi autorizado a seguir sem rumo (Portal Museu Afro Brasil).

Apesar deste começo duro, Benjamim será um desbravador em diversas áreas de atuação artística, até então reservadas unicamente aos brancos. "Minha existência poderia ter ficado encoberta pelas muitas montanhas que encobrem as Minas Gerais se, um dia, uma trupe de circo não tivesse passado por lá", disse Benjamim certo dia (Geledés, 2009).

Após andar por várias vilas como mendigo, Benjamim encontrará trabalho num circo de um norte-americano chamado Jayme Pedro Adayme.

Mas, a estreia de Benjamim como palhaço profissional, ocorreu de forma quase acidental, quando, com cerca de vinte anos de idade, foi obrigado, por questões contratuais, a substituir o palhaço da companhia que havia adoecido. Segundo o próprio Benjamim relatou: “ eu tive que fazer o palhaço. E foi ali, na Várzea do Carmo, naquele barracão de zinco e tábua, que eu pela primeira vez apareci vestido de palhaço...” (Museu Afrobrasil). 

Nas primeiras apresentações, Benjamim obteve, no lugar de gargalhadas, vaias, grunhidos, desprezos, manifestações do grande público, que o consideravam sem graça, ou eram apenas preconceituosos mesmo. Lembrando que, tal época marcava o fim do regime escravagista, no Brasil. Felizmente, Benjamim transformou as críticas em conteúdo para seu trabalho prosperar. Resistiu transformando-se no principal nome da arte circense brasileira, da época. “E, um episódio que foi o estopim para seu sucesso, se deu quando jogaram em Benjamim uma coroa de palha. A reação do ator foi inesperada, mas, essencial para torná-lo irreverente e admirável. Recolheu a coroa e disse que, se Jesus Cristo usou uma coroa de espinhos, por que ele não haveria de usar uma de palha? Aplausos tomaram conta do picadeiro” (By: Baoobaa e Catraca Livre,2010).

Depois de passar por vários circos, este promissor palhaço foi trabalhar no circo Caçamba, do Rio de Janeiro, onde o então presidente da república - Marechal Floriano Peixoto - assistiu uma de suas apresentações (e fez questão de conhecê-lo). Surpreso com a apresentação de Benjamin, e a partir de uma ideia do dono do circo; o presidente da república resolveu transferir o circo, da favela, para a frente do Palácio do Itamaraty, na Praça da República. Tudo sendo transportado pelo Exército Brasileiro. Segundo Jeferson, do blog de mesmo nome, no final do espetáculo, assistido pelo presidente Marechal Floriano, Benjamim recebeu do presidente 5 mil réis, que seria utilizado na filmagem de: "O Guarany", e na montagem das peças: "Frankenstein" e "Otelo". O teatrólogo "Arthur Azevedo", disse, certa vez, o seguinte: “Quando Shakespeare fez Otelo, imaginou certamente um tipo como esse, que Benjamim representa com tanta força no seu pequeno teatro" (JEFERSON DE, 2006).

E, o grande Benjamim de Oliveira não parou por aí, ele escreveu diversas peças de sucesso. Foi então que, o aclamado rei dos palhaços do Brasil chegou a ser respeitado por homens de teatro respeitadíssimos como Procópio Ferreira. E, as múltiplas habilidades deste palhaço fizeram dele o primeiro artista negro a atuar no cinema brasileiro.

Em 1908, Benjamim atuou como protagonista, no papel de Peri, na peça-filme “O Guarani”, de Antonio Leal, inspirada na obra de José de Alencar. Essa atuação foi nada mais, nada menos que, a primeira filmagem de um romance de época, tendo em Benjamim, o primeiro ator brasileiro, a interpretar um índio, nas telonas.

Benjamim era de fato, muito versátil. Em 1921, criou a revista "Sai Despacho". Por volta de 1910, atuou como cantor, deixando inúmeras músicas gravadas, na Columbia.

Em entrevista, à Brício de Abreu, no ano de 1947, ele descreveu o circo em que havia trabalhado, em 1885, da seguinte forma:

"Em Mococa, encontrei um grupo trabalhando. O chefe do elenco se chamava Jayme Pedro Adayme. Era um norte-americano (...) trabalhávamos em ranchos de taipa, cobertos com panos velhos. Cada vez que mudávamos de cidade, vendíamos a parte da madeira, e levávamos apenas a parte do pano em lombos de burro (...) Andávamos por terra de cidade em cidade, de vila em vila. Raramente conseguíamos um carro de boi. Quase sempre em lombo de burro."

Certa vez, na Semana Santa, Benjamim representou o papel de Cristo, com o rosto pintado de branco (uma vez que era negro). O sucesso dessa ideia de conjugar teatro, com circo, foi como um divisor de águas, que abriu caminho para a popularização de clássicos, como “Otelo”, de William Shakespeare (1564-1616), e “A Viúva alegre”, de Franz Lehár (1870-1948). Ele reservava para si os principais papéis masculinos.

Provavelmente, por ser negro e circense, é que poucas homenagens são feitas ao incrível artista, nos dias de hoje, porém, Benjamim abriu caminho para gerações de artistas negros, como Grande Otelo, um de seus sucessores. Os parcos, ou quase nulos, registros acerca da vida e da obra do artista revelam o quanto a história do negro brasileiro é desconhecida da população. A professora e escritora Heloísa Pires Lima, autora do livro infanto-juvenil - “Benjamin, o palhaço da felicidade” - define o fenômeno como: “Amnésia Nacional” (Nabor Jr., 2010).

Ainda naquela época, após intensa campanha movida por jornalistas, para que Benjamim de Oliveira recebesse um auxílio financeiro do governo federal, o que ocorre? Ele, finalmente consegue, mas, pouco tempo lhe resta para usufruir da pensão, pois veio a óbito, em 03 de maio de 1954, aos oitenta e quatro anos, praticamente na miséria (Portal Museu Afro Brasil).

Benjamim, que significa - “Filho da Felicidade” - fez jus ao seu nome porque, levou, durante anos, a felicidade para o olhar (ator) e sorriso (palhaço) das pessoas.

Em entrevista concedida à revista: "O MENELICK 2º ATO – AFROBRASILIDADES & AFINS", Pires fala da vida e obra do palhaço negro, e reflete sobre a ausência de informações acerca das contribuições do negro na formação da identidade cultural tupiniquim. Acompanhe a entrevista em: 


Veja também, o livro: “Circo teatro - Benjamim de oliveira e a teatralidade circense no Brasil”. Autora:  Erminia Silva. 2007. Disponível em: 


No portal - Repositório da UFBA - vemos um artigo (título:  "DO MOLEQUE BEIJO AO MESTRE DE GERAÇÕES"), de Daniel Marques da Silva, que apresenta um perfil biográfico de Benjamim de Oliveira, destacando sua atuação na consolidação do circo teatro, prática artística híbrida, composta por melodramas, comédias, mágicas, revistas e pantomimas executadas como segunda parte da função circense.


Para finalizar, você pode ler uma breve explicação sobre a origem dos palhaços, no blog: 


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Fontes:

Marco Antonio dos Santos. Benjamim de Oliveira - palhaço negro. 2008. Disponível em: http://marconegro.blogspot.com.br/search?updated-min=2008-01-01T00:00:00-02:00&updated-max=2009-01-01T00:00:00-02:00&max-results=22. Acesso em 03 dez.2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Benjamim de Oliveira. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_de_Oliveira. Acesso em 03 dez.2015.

Geledés. Benjamim de Oliveira: O primeiro palhaço negro do Brasil. 2009. Disponível em: http://arquivo.geledes.org.br/atlantico-negro/afrobrasileiros/benjamim-de-oliveira/3768-benjamim-de-oliveira-o-primeiro-palhaco-negro-do-brasil. Acesso em 03 dez.2015.

Jeferson De. Tamo aí mandano brasa!2006. Disponível em: http://jefersonde.blogspot.com.br/2006/02/tamo-mandano-brasa.html. Acesso em 03 dez. 2015.


Nabor Jr. O FILHO DA AMNÉSIA NACIONAL. Disponível em: http://omenelick2ato.com/memoria/benjamin/. Acesso em 03 dez.2015.
Benjamim de Oliveira. Disponível em: http://www.mundoclown.com.br/benjamimdeoliveira. Acesso em 03 dez.2015.