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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Steve Biko e o Movimento de Consciência Negra



Stephen Bantu Biko (1946 - 1977) foi um ativista antiapartheid, da África do Sul, que morreu aos 30 anos, após ser preso e torturado. Biko foi o fundador do Movimento da Consciência Negra (Black Consciousness Movement) – "que não faz parte, somente, da memória política da África do Sul, mas, também, da memória da cultura ocidental" (Milton Ribeiro).

Esse movimento, cujo slogan era - Black is Beautiful - destinava-se a dissipar a noção de que, as características físicas dos negros (cor da pele, detalhes do rosto e cabelos) seriam feias. Biko dizia: "você está bem como você é, comece a olhar para si mesmo como um ser humano". O movimento incentivava homens e mulheres a pararem de esconder seus traços afros, como quando alisavam o cabelo.

Música brasileira homenageou o movimento norte-americano, na voz de Elis Regina.


Stephen Bantu Biko nasceu na África do Sul (era um Xjosa/ Xhosa), em 1946. Apesar de ter morrido jovem (30 anos), teve uma trajetória brilhante como ativista, digna de nota, sendo reverenciado inclusive por Nelson Mandela, que disse: "Eles tiveram que matá-lo, para prolongar a vida do apartheid".

Biko começou  sua trajetória de luta e dor, sendo expulso de Lovedale High School, um internato de prestígio, em Alice Eastern Cape, em 1964, por conta de suas opiniões políticas. Mas, este era apenas o início de uma trajetória toda voltada ao direito dos negros, e contra o apartheid.

 Biko

Em 1972, ele seria expulso da Universidade de Natal, onde cursava medicina, por causa de seu ativismo político. Em 1973, foi "banido", pelo governo do apartheid, isto é, proibido de falar em público, de escrever, ou falar com a mídia. Também teve restrita a sua liberdade de locomoção.


Quando Biko foi "banido", o seu movimento estava restrito à cidade onde nasceu. Depois, cresceu, dando origem a uma série de organizações, além da criação do Fundo Fiduciário Zimele (que ajudou a apoiar ex-presos políticos, e suas famílias).

Apesar da forte perseguição, do governo do apartheid, Biko e seu movimento desempenharam um papel muito importante, na organização de protestos, que culminaram com a Revolta de Soweto, em 16 de junho de 1976. 

Em 18 de agosto de 1977, Biko foi preso em uma barreira policial, interrogado por 22 horas, com direito à tortura e espancamentos, resultando em um estado de coma. Ele foi acorrentado a uma grade, de uma janela, durante um dia inteiro. Depois disso, a polícia carregou-o nas costas de um Land Rover, nu e contido em algemas, rumo à prisão. Ele estava quase morto devido às lesões sofridas na cabeça. Ele morreu logo após a chegada na prisão, em 12 de setembro. A polícia alegou que sua morte foi resultado de uma greve de fome prolongada, mas, a autópsia revelou múltiplas contusões e escoriações, vindo a sucumbir devido a uma hemorragia cerebral. 

O jornalista, editor e amigo de Biko, Donald Woods, junto com Helen Zille, futura líder do partido político da aliança democrática, expuseram a verdade por trás da morte de Steve. Por causa de sua grande visibilidade, a notícia da morte de Biko se espalhou rapidamente. O funeral de Biko foi assistido, por mais de 10.000 pessoas, incluindo numerosos embaixadores e diplomatas dos Estados Unidos e Europa Ocidental. 

Donald Woods foi forçado a fugir da África do Sul, para a Inglaterra, onde fez campanha contra o apartheid, divulgando a vida e morte de Biko, através de muitos artigos de jornal e do livro "Biko", que mais tarde foi transformado em filme (Cry Freedom), que foi interpretado pelo ator Denzel Washington.



Em outubro de 2003, o Ministério da Justiça Sul-Africano anunciou que, os cinco policiais acusados de matar Biko não seriam processados judicialmente, por insuficiência de provas.
 
O apartheid (separação) foi um regime de segregação racial, adotado de 1948 à 1994, pelos sucessivos governos do Partido Nacional, na África do Sul, no qual os direitos da maioria dos habitantes negros foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca.
Biko lutava para que, os negros tivessem consciência de suas capacidades, e pelo fim da educação limitada, em que, muitas disciplinas não podiam ser ministradas aos negros. Stephen foi influenciado por Fanon e Aimé Césaire.

As circunstâncias brutais da morte de Biko tornaram-no um mártir e um símbolo da resistência negra ao regime brutal do apartheid. A família do ativista recusou a ideia de construir um mausoléu, talvez porque isso o retiraria da companhia de camaradas enterrados, como ele, em modestos pedaços de terra.


Frases célebres de Stephen Bantu Biko:

"O racismo não implica apenas a exclusão de uma raça por outra - ele sempre pressupõe que a exclusão se faz para fins de dominação".

"Racismo e capitalismo são faces da mesma moeda". 

"A arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido".


Em 1997, no vigésimo aniversário da morte do ativista, Nelson Mandela inaugurou uma estátua, em memória de Biko, mártir do movimento negro sul-africano.
 
Ver Biografia de Steve Biko em: http://zar.co.za/biko.htm

Acesse edições digitais de textos sobre a África do Sul e o regime do Apartheid, em: South African History Online.

Fundação Steve Biko (http://www.sbf.org.za/).

Black Students Manifesto:


Fontes:

Milton Ribeiro. A importância de Steve Biko e do Movimento de Consciência Negra na África do Sul. 2014. Disponível em: http://www.sul21.com.br/jornal/a-importancia-de-steve-biko-e-do-movimento-de-consciencia-negra-na-africa-do-sul/.Acesso em: 05 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Steve Biko. Disponível em: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Steve_Biko. Acesso em: 05 nov. 2015.


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