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terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Primeiro Presidente da Academia Brasileira de Letras foi um Negro.


Falaremos de dois escritores, contemporâneos e rivais, que tinham algo mais que, a genialidade literária, em comum. Eles eram afrodescendentes.

O sobrenome de um deles, que é considerado o maior nome da literatura nacional, e que foi o primeiro (e imortal) presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), é Machado de Assis.

Joaquim Maria Machado de Assis, nascido em 1839, no Morro do Livramento - Rio de Janeiro (de família pobre), foi um dos intelectuais que formaram o núcleo fundador da Academia Brasileira de Letras.

Este expoente de uma das mais respeitadas instituições culturais do país (ABL), estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade, ainda assim, escreveu praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário.

Um detalhe pouco citado, sobre este imortal da Academia Brasileira de Letras, e que merece destaque é: ele era um Afrodescendente.

Seus pais foram Francisco José de Assis, um mulato, que pintava paredes, filho de escravos alforriados, e Maria Leopoldina da Câmara Machado, lavadeira portuguesa, dos Açores.

É dito também que, Machado de Assis tinha especial interesse pela boemia e pela corte, e teve de lutar para subir socialmente, abastecendo-se de sua superioridade intelectual. Nisso o escritor Machado de Assis diferiu de outro também escritor afro-brasileiro: o Lima Barreto.

Diferente de Machado de Assis, Lima Barreto era um grande crítico da Academia Brasileira de Letras, porque, apesar de ter sido fundada por afro-brasileiro, dentro dela, os integrantes exalavam preconceitos raciais e sociais.

Há quem diga que existiu de fato, uma disputa entre o autor de “Dom Casmurro” e o autor de “Clara dos Anjos”. Machado chegou a ser taxado de burguês e escritor de entretenimento da alta sociedade, sem cutucar seus pobres. Lima era considerado o maldito, amado por todos, que odiavam os ricos (Marco Antonio dos Santos).

Afonso Henriques de Lima Barreto nascido no Rio de Janeiro, em 1881; foi um jornalista, escritor de periódicos anarquistas, do início do século XX, que é considerado um dos mais importantes escritores brasileiros.

Barreto era filho de João Henriques de Lima Barreto (filho de uma antiga escrava, e de um madeireiro português), e de Amália Augusta, filha de escrava e agregada da família Pereira Carvalho.

Talvez as lembranças saudosistas do fim do período imperial no Brasil, bem como as remotas lembranças da Abolição da Escravatura, na infância, tenham exercido influência sobre a visão crítica de Lima Barreto, sobre o regime republicano. O escritor crítico mordaz da perversão dos ideais republicanos, pelos militares e grandes fazendeiros, foi audaz ao publicar “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, que atingia em cheio o presidente Floriano Peixoto. Resultado: foi perseguido e em menos de 4 anos, sua vida sentiu os reflexos da ação de seus perseguidores. Foi internado como louco num hospício, quando na verdade era apenas um alcoólatra. Lamentavelmente, Lima Barreto faleceu aos 41 anos, sem despertar muito interesse e nem choro de viúva ou filhos (Marco Antonio dos Santos).


Lima Barreto foi considerado um elemento perigoso, pelas autoridades do período, por seu estilo irreverente e provocativo, e fez sua breve passagem pela vida, para nascer e viver no Brasil, deixar 17 obras e chacoalhar o ócio da elite brasileira (Marco Antonio dos Santos).

Estes dois escritores, contemporâneos e rivais tinham algo mais, que a genialidade literária, em comum. Eles eram afrodescendentes, capazes de superar a pobreza e a mentalidade de um país recém saído do período da escravatura, e entrar para o rool que celebra os maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

Outros Negros e mestiços na história da Academia Brasileira de Letras foram: Domício Proença Filho. Quinto ocupante da cadeira 28. Gonçalves Dias. Patrono da cadeira 15. José do Patrocínio. Fundador da cadeira 21. Dom Lucas Moreira Neves. Sexto ocupante da cadeira 12. Dom Silvério Gomes Pimenta. Segundo ocupante da cadeira 19 (João Jorge Pereira dos Reis).

Fontes:

Marco Antonio dos Santos. Vida e morte de Lima Barreto. 2005. Disponível em: http://marconegro.blogspot.com.br/search?updated-min=2005-01-01T00:00:00-02:00&updated-max=2006-01-01T00:00:00-02:00&max-results=50. Acesso em 10 nov. 2015.

Academia Brasileira de Letras. Fundação. Disponível em:

Wikipédia, a enciclopédia livre. Lima Barreto. Disponível em:

Wikipédia, a enciclopédia livre. Machado de Assis. Disponível em:

João Jorge Pereira dos Reis. Negros e mestiços na história da Academia Brasileira de Letras. Disponível em:

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