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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Eurocentrismo é um Monstro com cabeça de Hidra e tem muitos Avatares.

Hidra de Lerna - um animal fantástico da mitologia grega.

O título do texto que originou esta postagem é: “O Eurocentrismo e os seus Avatares: Os Dilemas das Ciências Sociais”.

Neste texto, o autor, Immanuel Wallerstein enfatiza que, se as ciências sociais quiserem fazer qualquer progresso, no século XXI, é necessário superar a herança Eurocêntrica. Mas, o que é eurocentrismo?

O eurocentrismo é uma visão de mundo que tende a colocar a Europa (assim como sua cultura, seu povo, suas línguas, etc.) como o centro do mundo, como elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo portanto, a protagonista da história do homem.

Acredita-se que grande parte da historiografia produzida no século XIX, até meados do século XX, tenha um contexto eurocêntrico, mesmo aquela praticada fora da Europa.

Em suma: essa visão de mundo manifesta-se como uma espécie de doutrina corrente, no meio acadêmico que, em determinados períodos da história, enxerga as culturas não-europeias de forma exótica ou mesmo com visão xenofóbica.

Então, as ciências sociais têm sido eurocêntricas, ao longo de toda sua história institucional, desde o momento em que se passou a ter departamentos de ensino, de ciências sociais, nos sistemas universitários. Isso é assim porque as ciências sociais se originaram em grande parte na Europa, estando esmagadoramente restrita, ao menos até 1945, a apenas cinco países – França, Grã Bretanha, Alemanha, Itália e Estados Unidos.“A ciência social surgiu em resposta aos problemas europeus, em um momento da história em que a Europa dominou todo o sistema mundial”. Além disso, era praticamente inevitável que a escolha do assunto, da teoria, da metodologia e da epistemologia refletisse as limitações do local no qual nasceu. E, ainda hoje, apesar da disseminação global dessas ciências como atividade, a grande maioria dos cientistas sociais, em todo o mundo, continua a ser europeu.

Mas, segundo Immanuel Wallerstein, o eurocentrismo têm estado sob ataque, naturalmente justificável, dado que, a intenção de levar as ciências sociais ao progresso no século XXI, passa pela superação dessa herança, que distorceu suas análises e sua capacidade de lidar com os problemas do mundo contemporâneo.

Argumenta-se que a ciência social manifesta o seu Eurocentrismo, de cinco maneiras distintas: (1) na sua historiografia, (2) na paroquialidade de seu universalismo, (3) em seus pressupostos sobre a civilização (ocidental), (4) no seu orientalismo, e (5) nas tentativas de imposição da teoria do progresso.

1. Historiografia. Esta é a explicação da dominação europeia do mundo moderno, em virtude de conquistas históricas específicas da Europa.

Que a Europa dominou o mundo, militarmente, e em termos tecnológicos, nos últimos dois séculos, é fato; mas, a questão central aqui, é: o que explica essa diferença em potência e padrão de vida, com o resto do mundo? Um tipo de resposta tem sido que, os europeus fizeram algo meritório e diferente dos povos, em outras partes do mundo (“milagre europeu”). Então, os europeus teriam lançado a revolução industrial, a modernidade, o capitalismo, a burocratização, a liberdade individual. Mas, foram os europeus mesmo que lançaram essas novidades? se sim, por que eles, e não outros povos lançaram os fenômenos especificados? e por que eles fizeram isso em um determinado momento da história?

Em tudo, o que se vê é uma historiografia sendo revista, passa por uma revisão. E, esse desmascaramento, ou desconstrução, pode tornar-se generalizado, fazendo até mesmo, surgir uma contra-teoria.

“Nós provavelmente estamos entrando agora, no que podemos chamar de mudança paradigmática na historiografia básica da modernidade” (Immanuel Wallerstein, New Left Review 1/226 – 1997).

2. Universalismo. Esta é a visão de que existem verdades científicas, que são válidas em todo o tempo e espaço.

Isso implicava em que, cada hipótese que poderia ser verificada acabava pensada ​​para manter-se ao longo do tempo e do espaço, ou deveria ser feita de tal maneira que preservasse sua verdade, através do tempo e espaço. Nisso, todas as teorias de Comte, Spencer ou Marx, por exemplo, de uma lista infinita, eram principalmente sobre a interpretação Whig da história, a presunção de que o presente é a melhor época de sempre, e que o passado levou inevitavelmente ao presente. Então, tudo o que aconteceu na Europa, do décimo sexto ao décimo nono séculos representou um padrão aplicável a todos os lugares (porque foi uma conquista progressiva da humanidade, e representava a satisfação das necessidades básicas da humanidade). Isto é, o que você viu agora na Europa não foi apenas bom, mas, o rosto do futuro, em todos os lugares.

Tal presunção implica em que?

Em as teorias universalizantes terem sempre que atacar a situação específica de um determinado tempo e lugar, que não parecessem encaixar-se no modelo.

Sobre: 

3. Civilização,
4. Orientalismo, e

Temos então que, as Ciências sociais institucionalizadas começaram suas atividades na Europa, que tem sido acusada de pintar uma imagem falsa da realidade social, através da leitura errada, grosseiramente exagerando, e/ou distorcendo o papel histórico da Europa, em especial o seu papel histórico no mundo moderno.

Os críticos fazem, portanto, diante do exposto até aqui, três diferentes – e contraditórios - tipos de reivindicação.

1. O que a Europa fez, outras civilizações também estavam em processo de fazê-lo, até o momento em que a Europa usou seu poder geopolítico, para interromper o processo em outras partes do mundo.

2. O que a Europa fez nada mais é do que uma continuação do que outros já estavam fazendo, há muito tempo, com os europeus chegando temporariamente para o primeiro plano.

3. O que a Europa fez foi analisado incorretamente, e submetido a extrapolações inadequadas, que tiveram consequências perigosas para a ciência e para o mundo político.

Segundo Immanuel Wallerstein, os dois primeiros argumentos, parecem sofrer de “eurocentrismo anti-eurocêntrico ‘. Já o terceiro argumento parece ser, o mais correto. 
A análise do autor, você encontra na íntegra em:http://kilombagem.org/eurocentrismo-e-seus-avatares-os-dilemas-das-ciencias-sociais/.Com o subtítulo: “A Reivindicação Anti-Eurocentrismo”.

Então, para Wallerstein: a terceira forma de crítica - que tudo o que a Europa fez foi analisado incorretamente, e submetido à extrapolações inadequadas, e que teve, e têm consequências perigosas, tanto para a ciência, como para política mundial, é realmente verdade.

Têm-se então que, um primeiro passo a ser dado seria: “começar à questionar o pressuposto de que o que a Europa fez foi uma conquista positiva, e avaliar se as vantagens são de fato maiores que as desvantagens. E se estamos vendo que temos de reconhecer que algo especial foi realmente feito pela Europa, nos séculos XVI e XVIII, e que transformaram o mundo, mas, em um sentido negativo, cujas consequências estão sobre nós hoje; temos de parar de tentar privar a Europa de sua especificidade, na premissa ilusória de que estamos privando-os, assim, de um crédito ilegítimo. Pelo contrário. Temos de reconhecer plenamente, a particularidade da reconstrução do mundo da Europa, porque só assim será possível transcendê-lo, para chegar esperançosamente a uma visão mais inclusiva, universalista, das possibilidades humanas; uma que não evite nenhum dos problemas difíceis e imbricados da prossecução da verdade e do bem comum”.

BY KILOMBAGEM · 19 DE MAIO DE 2015.
Por Immanuel Wallerstein (Publicado originalmente em New Left Review 1/226 – 1997).
(Tradução: Willians Meneses da Silva – Coletivo Negro Minervino de Oliveira).
[Discurso proferido na ISA no Colóquio Regional do Leste Asiático "O Futuro da Sociologia na Ásia Oriental", 22-23 novembro de 1996, Seul, Coréia, co-patrocinado pela Associação Coreana de Sociologia e Associação Internacional de Sociologia].
Disponível em:
http://kilombagem.org/eurocentrismo-e-seus-avatares-os-dilemas-das-ciencias-sociais/. Acesso em 16 nov. 2015. Título: O Eurocentrismo e os seus Avatares: Os Dilemas das Ciências Sociais.
Fonte extra: Wikipédia, a enciclopédia livre. Eurocentrismo. Disponível em:

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