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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Assata, a primeira mulher (negra e inocente) a figurar como a mais procurada pelo FBI (parte 2)

Assata Shakur

Shakur nasceu no Queens, Nova York, em 1947, onde viveu por três anos. Depois que seus pais se divorciaram, em 1950, passou a maior parte de sua infância, na Carolina do Norte com a avó, até que sua família se mudou para o Queens, quando ela era uma adolescente. Por um tempo, ela fugiu de casa e vivia com estranhos, até que foi levada por sua tia, Evelyn Williams, que mais tarde tornou-se sua advogada. Em meados dos anos 1960, Assata envolveu-se em muitas atividades políticas, protestos e ações revolucionárias, em prol da causa negra. 

Shakur foi presa pela primeira vez em 1967, com 100 outros estudantes, sob a acusação de invasão de propriedade, onde teriam acorrentado e travado a entrada de um edifício da faculdade, em protesto contra, entre outras coisas, a falta de professores negros. Ela se casou com Louis Chesimard, um colega, estudante e ativista, em 1967, e divorciou-se em 1970, dedicando apenas um parágrafo de sua autobiografia, para seu casamento, atribuindo o seu término às divergências relacionadas à papéis de gênero. 

Após a graduação, Shakur se envolveu no Partido dos Panteras Negras (BPP), mas, deixou-o, logo em seguida, por causa do comportamento machista, de muitos homens do partido, apesar disso, a principal crítica de Assata, ao BPP, foi a falta de conhecimento da história negra. O problema básico, segundo ela, resultou do fato de que o BPP não tinha abordagem sistemática para a educação política. “Eles estavam lendo o Livro Vermelho, mas, não sabiam quem Harriet Tubman, Marcus Garvey, e Nat Turner foram.  [...] Essa foi a principal razão que muitos membros do Partido, na minha opinião, subestimaram a necessidade de unir-se com outras organizações negras, e lutar em torno de várias questões da comunidade. " 
Veja o documentário sobre Panteras Negras em: https://translate.googleusercontent.com/translate_c?depth=1&hl=pt-BR&prev=search&rurl=translate.google.com.br&sl=en&u=http://theblackpanthers.com/home/&usg=ALkJrhjxG7x-7qEBhX264XHEXWeXbVsT9w.

Assata Shakur juntou-se ainda ao Exército Negro de Libertação (BLA), uma organização radical e violenta, de ativistas negros, e à República da New Afrika, uma organização formada para criar uma nação de maioria negra, independente, composta por Alabama, Geórgia, Louisiana, Mississippi e Carolina do Sul. 

Em 1977, Assata foi condenada por assassinato. Diz-se que: "na história de Nova Jersey, nenhuma mulher detenta, em fase de pré-julgamento, ou qualquer outro prisioneiro, jamais foi tratado como ela foi; confinada em prisão de homens, sob vigilância de 24 horas, na solitária diversas vezes, sob inspeções íntimas de diversas formas, sem atenção médica adequada, sem a companhia de outras mulheres, durante todos os anos em que esteve sob custódia. Um grupo de sete juristas, representando a Comissão das Nações Unidas, sobre Direitos Humanos, concluiu, em 1979, que o tratamento dado à ela foi "totalmente degradante, com inúmeras violações aos direitos humanos”. 

Sabe-se que a estratégia e outras formas de conduta do governo eram ilegais, pois, os ativistas políticos eram alvo seletivo de detenções falsas, fabricação de provas, processos criminais espúrios, etc. A Anistia Internacional, no entanto, não considerou Shakur como uma presa política. 

Fato é que, Shakur era uma prisioneira política. 

Em novembro de 1979, Assata escapou da prisão para mulheres de Nova Jersey, quando três membros do Exército de Libertação Negra fizeram dois guardas como reféns, numa visita. Ninguém foi ferido durante a fuga, incluindo os guardas detidos como reféns, que foram deixados em um estacionamento. 

Depois de sua fuga, Shakur viveu como fugitiva, por vários anos, com direito à cartazes feitos pelo FBI, espalhados em todo canto. Em Nova York, seus partidários, em resposta, penduraram posters com retrato da ativista, com a frase: “É bem-vinda aqui". Em Nova York, três dias depois de sua fuga, mais de 5.000 manifestantes carregavam cartazes com o mesmo slogan. 

Durante anos, depois da fuga de Shakur, os movimentos, atividades e telefonemas de seus amigos e parentes, incluindo sua filha, foram monitorados por investigadores, na tentativa de averiguar seu paradeiro. Em julho de 1980, o diretor do FBI William Webster disse que, a busca por Shakur tinha sido frustrada, pela recusa dos moradores em cooperar. Shakur fugiu para Cuba, em 1984; ano em que recebeu asilo político no país. O governo cubano paga cerca de US$ 13 por dia, para suas despesas pessoais pessoais.

Em uma carta aberta, Shakur chamou Cuba de "um dos maiores, mais resistentes e corajosos “quilombos”, que já existiu na face deste planeta." 

Em 1987, ela publicou: Assata: An Autobiography, que foi escrito em Cuba. 

Em 1997, Carl Williams, o superintendente da polícia do estado de New Jersey, escreveu uma carta ao Papa João Paulo II, pedindo-lhe para levantar a questão da extradição de Shakur, em suas conversas, com o presidente Fidel Castro. 

Em um discurso para televisão, em maio de 2005, depois da transferência de funções presidenciais, de Fidel para seu irmão Raul Castro, este citou Shakur como: vítima de perseguição racial. Raul dizendo ainda que "eles queriam retratá-la como uma terrorista, algo que era uma injustiça, uma brutalidade, uma mentira infame”. Em 2013, o FBI anunciou que Shakur tronou-se a primeira mulher na lista de terroristas mais procurados da agência. A recompensa por sua captura, também foi duplicada, sendo agora US $ 2 milhões (naquele ano). 

Assata Shakur foi movida para a lista de terroristas mais procurados do FBI, de novo, em 2 de maio de 2013, no 40º aniversário assassinato New Jersey State Trooper Werner Foerster, que supostamente teria participação dela. 


Assata: Em suas próprias palavras:

Meu nome é Assata ("aquela que se esforça") Olugbala ("para o povo") Shakur ("o grato"), e eu sou uma escrava do século 20, que escapou. Por causa da perseguição do governo, eu fui deixada com nenhuma outra opção, a não ser fugir da repressão política, do racismo e da violência que dominam a política do governo dos EUA, em relação às pessoas de cor. Eu sou uma ex-presa política, e eu tenho vivido no exílio, em Cuba, desde 1984. Tenho sido uma ativista política, a maior parte da minha vida, e, embora o governo dos Estados Unidos tenha feito tudo ao seu alcance, para me criminalizar, eu não sou uma criminosa, nem nunca fui. Na década de 1960, participei de várias lutas: o movimento negro pela libertação, o movimento dos direitos estudantis, e o movimento para acabar com a guerra no Vietnã. Entrei para o Partido dos Panteras Negras. Em 1969, o Partido dos Panteras Negras tinha se tornado a organização número um alvo do FBI COINTELPRO (programa), porque o Partido dos Panteras Negras exigiu a libertação total, do povo negro, que J. Edgar Hoover chamou de "a maior ameaça à segurança interna do país", e prometeu destruí-la, bem como aos seus líderes e ativistas.

Na matéria: Assata Shakur. Uma autobiografia. Prefácio de Angela Davis. Tradução: Ethel Odriozola e Carmen Valle, encontramos o seguinte: 

“O negócio carcerário nos EUA se alimenta, sobretudo, da população negra e latina. É um negócio empresarial do capitalismo, negócio da minoria privatista. Se antes o negócio era a captura de africanos e africanas para vendê-los, hoje os mesmos são capturados nos EUA para que o regime estadunidense pague com o dinheiro do Estado os empresários carcerários por cada afro-americano ou latino que os corpos de polícia capturam. Depois, os negros e as negras aprisionados terão que trabalhar. Na prisão, trabalham como escravos para empresas capitalistas que levam o fruto de seu trabalho. Lembra muito o que fazia o franquismo, a ditadura na Espanha, com os presos políticos republicanos”.
 
“Os brancos racistas controlam o aparato do regime estadunidense e um de seus numerosos braços desde os anos 70 do século XX é o FBI, centro de controle e terrorismo sobre a população negra, cujo objetivo prioritário até então foi Martin Luther King, seguido por “milhares de ativistas por direitos civis menos proeminentes”. Tudo isto aparece no “informe do Comitê Church, do Comitê Seleto do Senado para o Estudo das Operações Governamentais e pelo Subcomitê de Inteligência Interior”, que se empenhavam “contra os direitos civis e humanos de todo tipo de ativistas políticos e, de maneira muito particular, dos de raça negra”.


Lembrem-se: não estamos falando de teorias de conspiração, estamos falando de fatos, de verdades ocultas, de manipulações, de poderio, de um país (EUA) que, no afã de dominar e manter sua riqeza, faz coisas que até Deus duvida, e que as grandes massas, muitas extremamente leigas, nem imaginam ser possível. E, não falamos de filme de Hollywood, que não são bobos, retratam como ficção, coisas que são reais, entorpecendo a mente das massas, com mensagens ocultas. Se Jesus foi negro, e escondem isso há séculos, quantas verdades não existem guardadas, muitas das quais sequer podem ser reveladas às grandes massas, porque não estão preparadas para elas. 


Assata se diz uma mente que partiu da escuridão da ignorância para a luz, aos poucos, concluindo muitas verdades, entre elas, uma que eu sei, mas, muita gente não sabe: os EUA eram/são o invasor de toda a América do Sul, do Oriente, da Coreia e do Vietnã. Ou alguém aqui acha que eles invadem o oriente para libertar os povos de ditadores? Ou vocês acham que eles espionaram o mundo todo, o Brasil, a Petrobras, e não fazem nada com tais informações, isto é, tirar proveito, chantagear, derrubar governos. 


Assata é um exemplo: de pessoa que busca o conhecimento e desperta para a luz, que luta, ao invés de ser passiva, permissiva e acomodada.


"Sua própria vida, o contraste de ideias e o estudo foram fazendo dela uma pessoa crítica e combativa, capaz de denunciar tudo o que contribui para a manutenção do regime. O conhecimento da realidade e a não aceitação da opressão a faziam saber que existem 50 negros assassinados pela polícia para cada policial morto. Também sabia que 90% dos presos nos EUA são negros e do terceiro Mundo. “Chamam-nos de ladrões, porém não somos nós que roubamos bilhões de dólares ao ano por meio de evasão fiscal, tabelamento ilegal de preços, desfalque e fraude aos consumidores, ou com subornos, enganações e pagamento de comissões”. Assata Shakur.


"Assata recorda que em seus primeiros contatos teve que aprender desde o mais elementar da História, da política do momento, até chegar aos ensinamentos do colégio: “No colégio, ensinavam-nos que nos países comunistas trabalhava-se em minas de sal, que o povo não era livre… Os africanos estremeciam, não sabiam quem era e não tinham nem ideia do que era o comunismo e, no entanto, estavam radicalmente contra. Da mesma maneira, quando você é pequeno e acredita em assombração. Você não tem ideia do que é, mas odeia e dá medo…”


Ensinam-nos desde pequenos : a ser contra os comunistas, e que o capitalismo é somente bom (o tal Laissez-faire é o ideal, no mercado econômico) , que os africanos são um povo sem grandes feitos, que os negros são inferiores, que Jesus era branco, que o Egito antigo - uma nação de tremendo desenvolvimento – não era composto de pessoas negras, que o conhecimento e desenvolvimento científico vieram dos europeus, e não dos africanos, que não devemos questionar a tradição, que a religião imposta pela cultura de nossos pais não deve ser questionada,  nos ensinam que as pesquisas cientificas não são compradas e modificadas para atender aos interesses das grandes corporações, que a cura de doenças nunca foi impedida de existir, para dar lucro para as indústrias da doença (farmácias), que homossexualismo é doença, que leva ao inferno, que inferno existe, que os finais de campeonatos, nos esportes, de qualquer lugar, não são comprados, pelos apostadores, que movimentam grandes somas em dinheiro, em todo o mundo, que a mídia não é suja, parcial, e corrupta ao ponto de manipular as grandes massas, que os papa é infalível, que questionar o pastor é pecado, mesmo este cometendo atos sujos, que leite com manga não pode, que não existe mais racismo, que os governos anteriores ao atual, não tem culpa de todo o mal que vemos, e que é culpa somente de um partido (o PT), como se os outros não tivessem governado antes, ou mesmo agora, através do Congresso, ensinaram-nos que quem governa é o executivo e não as grandes corporações e banqueiros, que o governo das elites se preocupa com os pobres, que se um crime choca a população os policiais resolvem na hora, sem com isso, se necessário, culpar inocentes, ou seja, papai Noel existe, coelho da páscoa também...


Assata deu o exemplo, sigamos !


Ela foi aprendendo, foi mudando, foi tomando consciência, sobre a sociedade em que vivia e, assim, explicou a escolha de seu nome: “Os nomes de mulher não tinham nenhuma relação com os de homem, que significavam coisas como ‘forte, guerreiro, homem de ferro, valente’, etc. Eu queria um nome que tivesse alguma relação com a libertação de nossa gente. Decidi por Assata Olugaba Shakur. Assata significa ‘a que luta’, Olugaba significa ‘amor para o povo’ e tomei o sobrenome Shakur, por respeito à Zayd, e a sua família. Shakur significa ‘a agradecida’”.


Assata Olugaba Shakur agora vive em Cuba, onde comprova as vitórias da revolução cubana, na conquista da melhor medicina do mundo, acessível à toda população cubana, que teve o melhor ensino acessível à todos, apesar do embargo grotesco e desumano, imposto a ela, pela nação que se diz dona do mundo, que maltrata seus negros, que construíram seu país. 

Sugiro a leitura: EUA, Cuba e o problema do 'perdão' a Assata Shakur.

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Fonte original:

Demais fontes, ver matéria nº 1.



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