Menu Suspenso

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Assata, a primeira mulher (negra e inocente) a figurar como a mais procurada pelo FBI (parte 1)


Falaremos, em duas postagens de mesmo título, a respeito desta grande ativista negra, sobre seu papel no Panteras Negras, e no Nacionalismo Negro, citaremos a sua luta contra injustiças, tais como:  leis de Jim Crow, Black Codes, leis anti-miscigenação,  doutrina Separated, but equal, e a maldita KKK,  falaremos de uma mulher que participou ativamente de muitas organizações revolucionárias, que lutaram em prol do direito dos negros, assolados pelo racismo dos EUA antigo, e por isso, foi/é perseguida até hoje, pelo FBI, sendo acusada, possivelmente, de cometer crimes que nunca cometeu. E que encontrou refúgio em um só lugar, uma ilha para o qual, muitos torcem o nariz, sem conhecimento.

Assata Olugbala Shakur (nascida Joanne Deborah Byron-1947) [foi/é] uma ativista afroamericana, e uma das figuras centrais, na história do Partido dos Panteras Negras (Black Panther Party-BPP), uma organização política extraparlamentar, socialista, revolucionária, norte-americana, e ligada ao nacionalismo negro. 

Nacionalismo negro (Black nationalism - BN) é um conceito que defendeu uma definição racial (ou redefinição) da identidade nacional (EUA), em oposição ao multiculturalismo. Existiam diferentes filosofias nacionalistas, negras, nos EUA, mas, os princípios de todas era: a unidade e a autodeterminação, ou independência, da sociedade europeia. Uma personalidade relacionada ao movimento foi Malcolm X. 

Antes de falar desta grande ativista, introduzimos o tema, comentando um pouco sobre o contexto histórico dos EUA, naquele período, que deu origem ao Panteras Negras (BPP). 

O BPP foi uma organização que buscava patrulhar os guetos negros americanos, para proteger seus residentes, dos atos de brutalidade da polícia. Posteriormente, os Panteras Negras tornaram-se um grupo revolucionário marxista, que defendia o armamento de todos os negros, a isenção dos negros, do pagamento de impostos, e de todas as sanções da chamada: "América Branca", a libertação de todos os negros da cadeia, e o pagamento de indenizações aos negros, por "séculos de exploração branca". 
Esse partido surge então, em uma América marcada pela luta, em prol dos direitos civis. O movimento dos direitos civis, dos negros, nos Estados Unidos foi uma forte e longa campanha por direitos de igualdade, para a comunidade afroamericana. Depois de séculos de escravidão, nos EUA, os negros trazidos da África, por colonos ingleses (de 1619 até 1863), ainda tiveram de enfrentar muitas injustiças, perseguições, racismo, e todo tipo de crueldade. Citamos algumas: 

As leis de Jim Crow: leis estaduais e locais decretadas nos estados sulistas e limítrofes (EUA), que vigorou entre 1876 e 1965, e que afetava os afro-americanos, asiáticos e outros grupos, criando uma verdadeira segregação racial. Essas leis exigiam que os espaços públicos, (incluindo escolas, trens e ônibus) tivessem instalações separadas (brancos X negros), isto é, havia uma discriminação racial nos serviços e oportunidades (moradia, cuidados médicos, educação, emprego e transporte) onde os negros eram marginalizados. 

Black Codes (1800-1866) - códigos negros - eram leis aprovadas pelo Estados do Sul, em 1865 e 1866, após a Guerra Civil, que restringiam as liberdades e direitos civis dos afro-americanos. Essas leis tiveram a intenção de obrigar os afroamericanos à trabalhar em uma economia de trabalho, com base em salários baixos ou dívidas. 

Leis anti-miscigenação: também conhecidas como leis da miscigenação, foram leis que proibiam casamentos inter-raciais, e por vezes sexo inter-racial, entre brancos e membros de outras raças. 

Doutrina - "Separated, but equal" ("separados, mas iguais") - em 1896 a Suprema Corte dos EUA toma a histórica decisão, fixada no caso Plessy v. Ferguson, pronunciando-se nos seguintes termos: se, num comboio ferroviário, há um vagão reservado para brancos e outro para negros, mas, nesses vagões, ambos os grupos recebem exatamente o mesmo tratamento, então brancos e negros, embora separados, estão sendo tratados igualmente. Essa doutrina, que hoje seria rejeitada em praticamente qualquer tribunal, de qualquer democracia constitucional, foi durante muito tempo, o argumento que legitimou a prática de segregação racial, em vários Estados norte-americanos. 

O Ku Klux Klan (KKK): é o nome de várias organizações racistas, dos EUA, que apoiavam a supremacia branca, o domínio dos brancos protestantes, sobre os negros, católicos, judeus e asiáticos, assim como outros imigrantes. (Padrão conhecido também como WASP - o acrônimo que, em inglês significa "Branco, Anglo-Saxão e Protestante" - White, Anglo-Saxon and Protestant). 

Embora a Constituição americana garantisse direitos fundamentais à todos os cidadãos americanos, desde 1787, os negros tinham prerrogativas legais negadas, por legislações estaduais, com base no princípio dos direitos dos estados. 

Dito isso, os EUA foi obrigado à despertar para o movimento dos direitos civis dos negros, na virada do século, através da atividade de revolucionários como W. E. B. Du Bois (que cria a Associação Nacional, para o Progresso de Pessoas de Cor, em defesa da igualdade racial, e do progresso da comunidade negra); Rosa Parks, que liderou o boicote aos ônibus de Montgomery, Malcolm X, com um discurso mais radical, e Martin Luther King Jr., um verdadeiro pacifista, assim, todos em uníssono, reclamavam o fim da discriminação. 

Voltando ao início desta postagem, Assata Shakur foi uma das figuras centrais na história do Partido dos Panteras Negras e do Black Liberation Army (BLA) - Exército Negro de Libertação. Este último foi uma organização, que operava no EUA, de 1970 à 1981, composta, em grande parte, de ex-Black Panthers (BPP), e que tinha como lema a "luta armada", chegando mesmo à realizar uma série de atentados a bomba, assassinatos, roubos (o que os participantes denominados "expropriações"), e quebras de prisão. 

Entre 1971 e 1973, Assata participou de um tiroteio, foi baleada, e acusada de vários crimes, tornando-se em objeto de uma caçada humana, além da fronteira Americana. A lista de crimes atribuídos à Shakur é imensa: assassinatos, assalto à mão armada, assalto à banco, sequestro, tráfico (“estranhamente tudo que acontecia de ruim tinha o dedo dela”). Em 1977, ela foi condenada por assassinato em primeiro grau. 


Note: certa vez, Shakur foi acusada com outros seis suspeitos de um crime, apesar de que os criminosos serem identificados como sendo do sexo masculino. De fato, muitos afirmam que, Assata foi alvo do FBI, devido ao seu envolvimento com as muitas organizações revolucionárias, já citadas. A verdade é que, provas documentais sugerem: Shakur foi alvo de uma investigação denominada CHESROB, que "tentou ligar a ex-pantera preta à praticamente todos os assaltos à banco, ou crimes violentos, envolvendo uma mulher negra, ocorridos na costa leste do EUA." (Ela pode até ter cometido algum crime, mas, estranhamente, ser acusada de todos/tantos, deixa-me em dúvida). Veja a lista de crimes de Assata em: https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://en.wikipedia.org/wiki/Assata_Shakur&prev=search 

Shakur foi encarcerada em várias prisões, na década de 1970. Escapou da prisão em 1979, e fugiu para Cuba, em 1984, onde recebeu asilo político, e onde vive, desde então. Isso depois de viver como fugitiva, por alguns anos. 

Desde 2005, o FBI tem em seus classificados, na categoria de terrorista, esta mulher que buscamos retratar, e que me faz crer tratar-se, não de uma criminosa, como querem fazer parecer, e sim, uma ativista, que pode ter cometido algum crime, mas, certamente, não todos que lhe foram atribuídos. Ela paga o preço de seu ativismo em prol da causa negra, até hoje, sendo nada mais que, uma prisioneira política. Frisa-se que, o FBI ofereceu uma recompensa de $ 1 milhão pela captura de Assata. Em 2013, Shakur entrou na lista dos terroristas mais procurados; tornando-se a primeira mulher à figurar como, a mais procurada pelo FBI.  A recompensa agora é de $ 2 milhões.

Sugestão: Leia a parte 2 da matéria.

Andre Coelho. Defendendo o Indefensável: Separados, mas Iguais (Separated, but Equal).2010. Disponível em: http://aquitemfilosofiasim.blogspot.com.br/2010/11/defendendo-o-indefensavel-separados-mas.html. Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Leis de Jim Crow. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_de_Jim_Crow. Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Black Codes. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Black_Codes_%28United_States%29. Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. WASP. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/WASP. Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Ku Klux Klan. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ku_Klux_Klan. Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Disponível em: https://pt.wikipedia.or/wiki/Movimento_dos_direitos_civis_dos_negros_nos_Estados_Unidos
Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Leis anti-miscigenação. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_antimiscigena%C3%A7%C3%A3o. Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Black Panther Party. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_dos_Panteras_Negras. Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Assata Shakur. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Assata_Shakur. Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Nacionalismo negro. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nacionalismo_negro. Acesso em 13 nov. 2015.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Exército Negro de Libertação. Disponível em: https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://en.wikipedia.org/wiki/Black_Liberation_Army&prev=search. Acesso em 13 nov. 2015.


Assata Shakur, da prisão nos EUA, às conquistas sociais e à liberdade em Cuba. Disponível em: http://pcb.org.br/portal2/8996. Acesso em 13 nov. 2015.



Nenhum comentário:

Postar um comentário