Menu Suspenso

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Stanley Tookie Williams – Uma voz calada por Schwarzenegger


Um mundo racista não perdoa!

Antes de saber quem foi Stanley Tookie, e o que ocorreu com ele, você deve ter em mente o significado da palavra racismo, que por sinal, só é verdadeiramente compreendida, por quem sofre os danos da ignorância humana (digo ignorância, referindo-me apenas aos que foram mal educados pelos pais ou pela cultura de uma nação ignorante, que aprendeu a repudiar os negros, pois o que vai além disso, considero falta de caráter mesmo).

Mas, afinal de contas, qual de nós está limpo? Somente aquele que não repudia o gay, o pobre, o ateu...pois, ainda há entre nós, negros ou não, que aprenderam desde a infância à criticar, zombar, maltratar e matar os gays... (sem mais explicações, meia palavra basta).

Então o que é racismo mesmo?

É um conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as etnias. Somente isso? não.

“O racismo é um sistema de sentidos material e histórico, (não é subjetivo). É um modo de organização social, em que uma ‘raça’ se sobrepõe a outra, se afirma como paradigma, se naturaliza como regra, e oprime as demais. O racismo não é algo subjetivo, individual, que se manifesta entre pessoas. Ele está estruturado e inserido na sociedade, na forma como ela se organiza e se reproduz, no mercado de trabalho, na mídia, entre as vítimas da violência, entre o público do sistema carcerário, entre os pobres em todo o mundo, entre os proprietários e os não proprietários” (Geledés).

Geledés muito bom, como sempre! Mas, o que eu sublinhei acima, tem muito a dizer-nos, especialmente quanto à Stanley Tookie.

Stanley Tookie Williams III (1953 - 2005) foi um homem americano, que nasceu em Shreveport, Louisiana. Sua mãe tinha 17 anos de idade, quando ele nasceu, e seu pai abandonou a família, quando Williams tinha apenas um ano de idade.

Em 1959, com a idade de nove anos, Williams e sua mãe foram viver em Los Angeles, Califórnia. Como a mãe do jovem rapaz precisava trabalhar em vários empregos, não tinha tempo para supervisionar o filho, que acabou se envolvendo com más companhias. Na decadente periferia de Los Angeles, em meio à vícios de todo tipo, Stanley se divertia com jogos que envolviam lutas entre pit bulls. Da luta de cães, para a luta entre jovens, foi um pulo.

Ele irá se transforma num violento lutador de rua, que carregava para onde fosse, um canivete, como elemento de proteção, e será expulso de várias escolas.

No final dos anos 1960, a criminalidade juvenil aumentou em South Central (LA), com o advento de várias gangues. Por causa de sua agressividade e vontade de lutar com os mais velhos, Stan alcançou o respeito de muitos bandidos da West Side. Com apenas quinze anos de idade, sua reputação espalhou-se em toda a South Central, e não tardou ao jovem Stan tornar-se líder de uma gangue.

Em 1969, aos dezesseis anos, Williams foi preso na Califórnia, por roubar um carro. Durante o tempo que ficou no centro de detenção, o jovem infrator dedicou-se ao levantamento de peso. De acordo com Williams, após a sua libertação da prisão preventiva, o conselho de revisão perguntou o que ele planejava fazer, depois de ser liberto. Aos dezessete anos de idade, Stanley respondeu que, planejava "ser o líder da maior gangue do mundo."

De fato, Stanley foi um dos primeiros líderes, na West Side Crips, que era, talvez a mais temida e famosa gangue de rua, de Los Angeles (em 1969). Ele achava que podia criar uma gangue poderosa o suficiente, para proteger os guetos negros, contra o racismo, corrupção e brutalidade da polícia.

Diz-se que, com o tempo Williams passou a viver uma vida dupla, ora como um líder de gangue, ora como um conselheiro da juventude, em Compton, Califórnia, chegando mesmo à estudar Sociologia, na faculdade de Compton (carece de fontes). Após um tiroteio com uma gangue rival, Stan foi ferido em ambas as pernas. Apesar de ouvir dos médicos, que nunca mais voltaria a andar, Williams começou um processo de um ano de reabilitação física, num regime de treino intenso, resultando na total recuperação da capacidade de andar. 

No mundo das drogas, ele ingressou aos doze anos de idade. Para manter o vício ele irá roubar traficantes de drogas, declinando cada vez mais.

Em 1979, Williams acabou sendo detido, acusado de quádruplo homicídio, sendo condenado à morte.

Desde o início de sua sentença, Stanley afirmou sua inocência, e em relação aos quatro assassinatos, alegou má condução do inquérito pelo Ministério Público, com a exclusão de provas de defesa, assistência ineficiente dos advogados, má seleção do júri, entre outras irregularidades. (O júri era formado por um latino, um filipino-americano,10 brancos e nenhum negro).

E, ele afirmou também, que o a polícia não encontrou evidências tangíveis, nenhuma impressão digital, nem pegadas na cena do crime, nem testemunhas oculares... Mesmo os cartuchos de espingarda, encontrados, convenientemente, em cada cena do crime, é dito sobre isso que, não correspondiam aos cartuchos da espingarda de Stanley. Os advogados de defesa dele alegaram também, que o procurador da República negociou a anulação de investigação de um crime, com um criminoso, em troca de seu testemunho.

Mas, os críticos afirmam que, embora ele tenha renunciado à vida de gangster, e pedido desculpas, por seu papel como co-fundador dos Crips, ele teria continuado à associar-se com membros desta gangue, na prisão. No entanto, o próprio departamento de polícia teria alegado seu bom comportamento...

É reconhecido, no entanto, que, em seus primeiros anos de cárcere, Stanley, mesmo preso, comandava atividades criminosas. Porém, mais adiante, consta, em seus registros, não havia nenhuma violação dele, na prisão.

Aos poucos Stan Tookie reconhece seus erros e começa a escrever livros infantis, com o intuito de evitar que os jovens participem de gangues. Os livros são lançados e se tornam um sucesso mundial, de tal magnitude, que Williams é indicado para o Prêmio Nobel da Paz (carece de fontes).

Então, com 51 anos de idade, Tookie vê seu caso gerar uma campanha internacional, por clemência. Celebridades de Hollywood, entre elas Jamie Foxx e Danny Glover, e líderes negros como: Jesse Jackson, e opositores à pena de morte, em todo o mundo, se manifestaram em favor de Williams, dando como exemplo seu trabalho contra a violência. Seus defensores escreveram "dezenas de milhares" de cartas e e-mails, que sustentavam que, a mensagem do condenado, contra as gangues, repercutia nas ruas e nos centros de detenção de delinquentes juvenis.

A campanha exortava o então governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, à conceder clemência para Williams, em consideração ao seu trabalho como ativista anti-gangues.


Schwarzenegger descreveu a decisão de conceder clemência à um criminoso como: a coisa mais difícil, quando se é governador, pois está em suas mãos vida de alguém.

Os meios de comunicação, organizações comunitárias e parentes das vítimas entraram nas discussões; nas ruas não se comentava outra coisa. Mais de 175.000 californianos assinaram uma petição, solicitando a suspensão temporária das execuções, até que uma comissão especial concluísse o estudo do caso. Pediram também, que a sentença de morte de Williams fosse transmutada em uma sentença de prisão perpétua, sem direito à condicional. (Eu acho que seria justo!)

Decisão: Willians teve negado o pedido de clemência, pelo governador da Califórnia, que é famosos como ator de Hollywood - Arnold Schwarzenegger.

Em 13 de dezembro de 2005, depois de esgotar todas as formas de recurso, Stanley foi executado com uma injeção letal, na prisão de San Quentin, na Califórnia.

No funeral, foram lidas as últimas palavras proferidas por Williams, antes da execução:

"A guerra dentro de mim acabou. Eu lutei com meus demônios, e eu fui triunfante."

"Ensinem-os (aos jovens) à evitar seguir os nossos passos destrutivos. Ensinem-os à esforçar-se pelo ensino superior. Ensine-os à promover a paz, e à se concentrar em reconstruir os bairros que você, outros e eu ajudamos a destruir."

O Rapper Snoop Dogg, ele próprio um ex-Crip, recitou um poema para os enlutados, sobre a execução de Satn: " ...09:15 de 12/13, e outro rei negro foi retirado de cena." 

Este homem, não foi perdoado, apesar de ter se redimido e praticado o bem. Chegou-se à pedir por uma sentença mais branda, e que era justa: a prisão perpétua. Mas, o racismo perdoa? No fim das contas, Stan foi mais uma vítima do sistema. 

Este homem nasceu pobre e negro, herdou da velha escravatura a vida na periferia e o racismo, e foi por isso que não recebeu o perdão? Penso que sim...saibam amigos: eu não estou honrando um criminoso, e sim, comentando sobre alguém que nasceu em condições ruins, escolheu mal o que fazer da vida, e foi julgado, sendo condenado à cumprir, não uma prisão perpétua, o que seria justo, mas, foi condenado à morrer, porque a sociedade americana, faz séculos, é uma sociedade racista, que vê o ato de tirar a vida de um negro, uma questão de honra, para manter a ordem, que só poderá ser alcançado, de fato, quando esta sociedade buscar redimir-se do mal que causou: escravidão, racismo, ela condenou e matou milhares de homens e mulheres negros, ao longo de sua história. Esta é uma nação cujas mãos contém sangue de inocentes e não inocentes, estes últimos, queriam apenas cumprir sua pena, para sempre.

O ator americano, Jamie Foxx interpretou Stanley no cinema. O nome do filme é: "Redemption: The Stan Tookie Williams Story".

 

Fontes:

Marco Antônio dos Santos. Stan Tookie Williams – Uma voz calada por Schwarzenegger.2005. Disponível em:

Wikipédia. Stanley Williams.Disponível em:




Nenhum comentário:

Postar um comentário