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sábado, 31 de outubro de 2015

O povo Heteu (bíblia) pais dos Chineses e do Candomblé...

Sobre os Heteus, o povo Bantu, 
Candomblé e Orixás.

O segundo filho de Canaã foi Hete, o pai dos heteus (genealogia descrita na bíblia).

Os heteus ocuparam a terra de Canaã, em Hebrom, chegando à governar um grande império, centralizado na Ásia Menor, por mais de oitocentos anos. Eles teriam migrado, para a região, depois de sair de Canaã. Eles teriam também, sido derrotados, e absorvidos, por um grupo indo-europeu, na Ásia Menor. 


Diz-se que, eram um povo feio, de pele amarela, cujas feições mongólicas, foram fielmente reproduzidas, nos seus próprios monumentos, como também nos do Egito. Tinham olhos escuros, e cabelos pretos, formando rabichos, e estatura média. Eram pessoas acaçapadas e fortes. 

Segundo os historiadores, o povo heteu (Gn. 15:20) teve como local de fixação a Anatólia Central (do grego: Oriente), e ocuparam, durante alguns séculos, a região que se estendia desde o Eufrates (onde detinham uma vasta rota de comércio) até o Norte da Palestina.  

Fora das narrações bíblicas, tudo o que se conhece deste misterioso império dos heteus é fruto das investigações feitas nos monumentos do Egito e da Assíria, bem como, dos estudos das inscrições encontradas nas ruínas da Ásia Menor, o centro do seu poder setentrional. 

A capital dos Hititas era Hattusas, nas redondezas da atual cidade turca Bogazköy, ao norte da Turquia central, interior do Mar Negro. 

Um dado curioso sobre este povo: os heteus cujas leis estavam baseadas no código de Hammurabi, reconheceram uniões entre pessoas do mesmo sexo, e abrandaram a severidade do Código de Leis Babilônica (chamada Lei do talião). Eles possuíam normas de direito, nas quais estavam previstas penas pecuniárias (pagas com dinheiro), privação de liberdade e escravidão.

Muitos estudiosos dão crédito aos heteus, como sendo os primeiros habitantes da China. 

A.H. Sayce, um etnólogo bíblico, descreve os heteus como tendo pele amarela, já os chefes heteus tinham pele marrom, cabelos negros e olhos marrons escuros. Veja também, a postagem: “o povo africano khoisan – é o pai ancestral dos chineses”. Do dia 27 out. 2015.
Os heteus falavam uma língua Bantu (africana). 
Os Bantus ("bantos") constituem um grupo etnolinguístico, localizado na África subsariana, e que engloba cerca de 400 subgrupos étnicos diferentes. A unidade desse grupo aparece de maneira mais clara, no âmbito linguístico, uma vez que essas centenas de grupos e subgrupos têm como língua materna, uma língua da família banta.

Lembram do bantu Patrice Lumumba, um ativista da causa negra, assassinado pelos americanos (é o que dizem , veja em : “Quem se lembra?”, do dia 28 jul 2015).

A palavra "bantu" é derivada da palavra ba-ntu, formado por ba (prefixo nominal plural) e ntu, que significa "pessoa" ou "humano".  Bantu = homens, seres humanos. Versões dessa palavra ocorrem em todas as línguas Bantus, incluindo o Zulu (Abantu). Vejam a postagem: “Onde estão Judá, Benjamim e Levi, atualmente?”, do dia 05 out. 2015.

Os bantus migraram, no continente africano, no sentido oeste-leste, desde os Camarões e o Gabão, às ilhas Comores; no sentido norte-sul, do Sudão à África do Sul, cobrindo toda a parte meridional da África, onde somente os bosquímanos e os hotentotes têm línguas de origens diferentes. De causa desconhecida, esta migração continuou até ao século XIX.  Essa migração originou vários cruzamentos (existem aproximadamente 500 povos Bantu). Assim, não podemos falar de uma raça Bantu, mas, sim, de povo Bantu.



Os bantos eram agricultores sedentários e já conheciam o uso do ferro. Esses avanços permitiram-lhes colonizar um amplo território, ao longo de aproximadamente quatro mil anos, forçando o recuo dos povos nômades. 

Os negros da África do Sul eram chamados "bantus", pelo regime do apartheid.  Lembram de Nelson Mandela? Veja também, as postagens: “o povo africano khoisan – é o pai ancestral dos chineses”, do dia 27 out. 2015; e “Onde estão Judá, Benjamim e Levi, atualmente?”, de 05 out. 2015; e "O fundador do budismo (Buda) era negro", de 23 out.2015. 

Na década de 1920, os sul-africanos, relativamente liberais, os missionários e a pequena intelectualidade negra começaram a usar o termo "bantus" e termos mais depreciativos (como "Kaffir"), para referir-se aos falantes bantus sul-africanos. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o  Partido Nacional governista (racista) adotou o seu uso, enquanto o crescente movimento nacionalista africano (e seus aliados liberais) adotaram o termo "negro", de modo que "bantus" tornou-se identificado com as políticas do Apartheid

Na década de 1970, o termo "bantus" estava tão desacreditado como uma designação etno-racial que, o governo do apartheid adotou o termo "preto", em suas categorizações raciais oficiais, restringindo-a à africanos que falavam idiomas Bantu, mais ou menos, na mesma época em que o Movimento da Consciência Negra, liderado por  Steve Biko (falaremos dele em outra postagem) e outros estavam definindo com o termo Black ("preto"), o conjunto de oprimidos sul-africanos (negrosmestiços e indianos).

Os bantus são caracterizados por uma tecnologia variada, uma escultura de grande originalidade estilística, uma incrível sabedoria empírica, e um discurso forte e interessante, com sinais de expressão intelectual.

Povo Bantu - nação do Candomblé.

Durante o período escracrocrata (séculos XVI à XVIII), a principal etnia  trazida para o Brasil foi a dos bantos, povo que naquele período, ocupava a maior parte do continente africano, situado ao sul do Equador, na região onde hoje estão localizados: o Congo, a República Democrática do Congo, Angola e Moçambique, entre outros. Lembram de Ana de Sousa, rainha Nzinga? falamos dela numa postagem.

Parece que a grande maioria dos bantos, que foram trazidos para o Brasil, cultuavam um deus supremo chamado de Nzambi , Nzambi Mpungu ou Anganga Nzambi,  e também a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Inquices. 

Assim que chegavam ao Brasil, os africanos escravizados eram logo submetidos à aculturação portuguesa, traduzida principalmente na catequese católica, em que eram batizados e recebiam um nome “cristão”, pelo qual seriam conhecidos, a partir daquele momento. Brilhante e sórdida ideia portuguesa: retirar a identidade dos escravos, anular em suas mentes a sua própria história (fato que até hoje produz efeitos, pois, quase nenhum afroamericano moderno, tem interesse de conhecer o continente-mãe, e não sabem que, este continente negro teve um passado de desenvolvimento cientifico, extraordinário). Os europeus fizeram a maldita obra de colocar na cabeça das pessoas, a ideia de que o continente africano não teve passado de glórias, fato que sabemos agora, que é mentira. 

Assim como os tupis (vejam a postagem do dia: 29 out. 2015, título: genealogia de Noé até os Fenícios), os bantos também tentaram preservar suas tradições religiosas no Brasil, adaptando suas crenças, às condições de escravidão, a que estavam submetidos.
A principal forma encontrada por este povo (a semelhança do que foi feito pelos tupis décadas antes) foi associar os santos católicos, aos seus deuses, no caso - os Inquices - de acordo com as características que ambos (santos e Inquices) possuíam em comum. Foi, a partir deste sincretismo, ocorrido no interior das senzalas, a partir do final do século XVI, que nasceu a primeira manifestação sincrética religiosa em solo brasileiro. O resultado do sincretismo banto-católico (no Brasil) produziu o Calundu. Nome originado da palavra banto calundu, que até o século XVIII, foi utilizada para designar, genericamente, a manifestação de práticas africanas, relacionadas à danças e cantos coletivos, acompanhadas por instrumentos de percussão, nas quais ocorria a invocação e incorporação de espíritos, mais a adivinhação e curas, por meio de rituais de magia. 

O Calundu era organizado basicamente em torno de seu chefe de culto, e englobava uma grande variedade de cerimônias, que associavam elementos bantos (atabaques, transe mediúnico, banhos de ervas, trajes rituais, sacrifícios de animais), católicos (cruzes, crucifixos, hóstias, anjos e santos) e crenças espiritualistas europeias (adivinhação por espelhos, espíritos que transmitem mensagens através de objetos).  Por causa disso é possível afirmar que, cada unidade de culto do Calundu era único, diferindo dos demais, por um ou mais elementos ritualísticos.

Um dos relatos escritos mais antigos, sobre o Calundu, é o Compêndio narrativo do peregrino da América, obra do português Nuno Marques Pereira, publicada em 1728, no qual o viajante, ao indagar o dono da fazenda onde encontrava- se hospedado, o que seriam calundus, obteve a seguinte resposta: “São uns folguedos ou adivinhações que dizem estes pretos que, costumam fazer nas suas terras, e quando se acham juntos, também usam deles cá, para saberem várias cousas, como as doenças de que sofrem, e para adivinharem algumas cousas perdidas, e também para terem ventura em suas caçadas e lavouras, e para outras cousas.”

Pelo texto dos parágrafos acima, chama atenção a aparente tolerância ao Calundu, manifestada pelos proprietários de escravo. Muito provavelmente, essa atitude devia-se à crença deles de que, com essa prática, os africanos manteriam vivas, dentro da senzala, as rivalidades tribais existentes na África, o que dificultaria a formação de rebeliões ou fugas. 

É importante ressaltar que, apesar dessa tolerância, os aspectos ritualísticos do Calundu, ligados à magia e à incorporação de espíritos, eram freqüentemente combatidos por serem consideradas coisas malignas, surgindo daí a expressão - magia negra - para designar a magia voltada para o mal, que na mentalidade da época, era “coisa de negro”.

O Candomblé surge com base no fortalecimento das tradições religiosas bantos, preservadas no sincretismo do Calundu com assimilação de algumas poucas práticas indígenas, que sobreviviam nos quilombos, e nas aldeias indígenas dos arredores. É interessante notar a importante relação de ajuda mútua, que existia entre as Casas de Candomblé, e os quilombos que se localizavam mais próximos das zonas urbanas. Devido à servirem como moradia, e também como locais de culto, as Casas de Candomblé se estruturam com base nas famílias-de-santo, que estabeleceu entre seus adeptos uma espécie de parentesco religioso.



Os Sudaneses e os Orixás

A partir da década de 1840, intensifica-se o tráfico de escravos, da etnia sudanesa, originada principalmente, da África Ocidental, na região onde hoje estão localizados: a Nigéria, o Benin, o Togo e Gana. E é formada pelos povos iorubá, ewe, fon e mahin, entre outros.

Lembram de Luísa Mahin? Veja a postagem: “Luísa Mahin, a guerreira africana, que quase foi rainha de Salvador”. Do dia 20 out. 2015.

À semelhança do que ocorreu com a etnia banto, muitos escravos da etnia sudanesa ficaram conhecidos como mina, em virtude do porto em que embarcavam na África: São Jorge da Mina, rumo ao Brasil.

Apesar de inicialmente, muitos terem ficados conhecidos como mina, ao longo do século XIX, os escravos da etnia sudanesa passaram a serem conhecidos sob nova nomenclatura, devido à rivalidade e a diferença cultural existente entre os povos iorubá e ewe/fon, que foi transportada da África, para o Brasil. Dessa forma, o povo iorubá passou a ser conhecido, no Brasil, como mina-nagô ou nagô, enquanto os povos ewe, fon e mahin ficaram conhecidos como mina-jeje ou jeje, termo este que, advém do iorubá adjeje, que significa estrangeiro, forasteiro; e era usado de forma pejorativa, pelos iorubas, para designar as pessoas que habitavam a leste de seu território, na África.

Os nagôs que foram trazidos para o Brasil tinham como idioma  - a língua ioruba - e cultuavam um deus supremo, chamado Olorun ou Olodumaré, e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Orixás.

Apesar de na África, existirem cerca de 400 Orixás, a grande maioria deles era cultuada em poucas cidades, aldeias ou tribos, sendo raros os que possuíam um culto, em várias localidades.

Os jejes, que foram trazidos para o Brasil, cultuavam uma divindade suprema chamada Mawu, além da natureza deificada personificada nas divindades chamadas Voduns.

Apesar de, na África, existirem cerca de 450 Voduns, e a exemplo do que ocorreu com os Orixás, a grande maioria deles era cultuada em apenas uma cidade, aldeia ou tribo, sendo poucos os que possuíam um culto em várias localidades.

Assim, como ocorreu com os bantos, os escravos sudaneses trouxeram para o Brasil, parte de sua cultura, e de suas crenças religiosas, que foram pouco a pouco levadas para dentro de algumas manifestações, através do sincretismo religioso, especialmente nos quilombos. Muitas destas manifestações religiosas tinham base nas Casas de Candomblé...


Fontes:

Povo bantu Nação de candomble angola. Povo Bantu Texto retirado do Livro “Sincretismos Religiosos Brasileiros” de Renato Henrique Guimarães Dias. Disponível em: https://sites.google.com/site/candomblenacaoangola/povo-bantu. Acesso em 31 out. 2015. 

Wikipédia. Bantus. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bantus. Acesso em 31 out. 2015.

A Historia do Povo Bantu. Disponível em: http://inzonkongombila.no.comunidades.net/a-historia-do-povo-bantu. Acesso em 31 out. 2015.



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