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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

"Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar"

 Falemos de literatura infantoafrobrasileira

Por que motivo empurramos goela abaixo de nossas crianças livros com historinhas infantis, cujos personagens são donzelas belíssimas, loiras, magérrimas, de olhos azuis, com heróis brancos, num cavalo branco, num castelo europeu, se nossas crianças são brasileiras, negras, mulatas, morenas, mestiças, que moram na favela, nas periferias, na Amazônia, na Bahia, no bairro rico, no Rio, que correm pelas ruas, que lutam capoeira, que dançam como ninguém, e fazem arte e gols...Por que não se faz algo mais condizente com nossa realidade, com personagens negros, com seus lindos cachos, com as aventuras nas ruas, de um alegre Brasil, que tem uma raiz africana?

Recomendo, antes de prosseguir, que você veja as postagens: "Bonecas negras", de 28 de julho de 2015, e "Crianças negras x autoestima", do dia 13 de agosto de 2015. E, amigos, eu não sou escritora, profissional, intelectual, formadora de opinião, pedagoga, nem ativista, ou coisa parecida, mas, considero-me uma curiosa, intrometida, racionalista, e até certo ponto altruísta. Por isso acho justo combater o racismo, mostrar a verdade, valorizar o que merece valor...Então, eis-me aqui, sem saber onde e como irei chegar; mas, enquanto estou neste blog, que pode deixar de existir daqui a pouco, faço minhas recomendações, entre elas, um livro de nossa literatura infantojuvenil que é brasileiríssimo. Seu nome é:  “Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar".


Da editora Peirópoli, lançado em 2014, o livro “Num tronco de Iroko vi a Iúna cantar", de Erika Balbi, aproxima as crianças da capoeira, por meio de figuras lendárias, das religiões de matriz africana, que marcaram profundamente o desenvolvimento da cultura brasileira.

A história narra a saga dos irmãos Cosme, Damião e do pequeno e levado Doum, que um dia encontram com um menino chamado Pererê e, por meio dele e de muitos outros amigos que vão se juntar a eles nessa fábula, percorrem caminhos mágicos e descobrem os segredos e artimanhas da arte chamada de capoeira. Com Pererê, a índia Potyra, Vovô Joaquim e outros seres lendários das culturas cabocla, negra e indígena, os três vão ao encontro do grande guerreiro Guariní, ou Ogum Rompe - Mata, capaz de ajudá-los a combater Ariokô e aqueles que fizeram a Mãe-Terra tremer de dor pelo desmatamento.

Diante da impossibilidade, de poder ler este livro, e opinar de forma crítica e profissional, espero que de fato a sugestão seja boa o suficiente, e cumpra seu objetivo que é, inserir nossas crianças na cultura africana, através de uma de suas manifestações mais populares: a capoeira. O fato é que a autora prometeu "narrar com maestria o encantamento e o deslumbramento dos protagonistas meninos ao desvendarem os poderes e os mistérios da capoeira, e de como essa prática tem o poder de falar com todas as pessoas. Uma luta, uma dança, um jogo, uma arte".

Pelo menos eurocentrista, eu sei que este livro não é; e em última análise, busca-se combater um mal arraigado no Brasil, que recebe o nome de “A cultura afro-brasileira ainda é invisível”, a despeito da Lei 10.639/030 em 2003, que pretendeu incluir no currículo oficial da Rede de Ensino nacional, a obrigatoriedade da temática - "História e Cultura Afro-Brasileira".

Hora de delimitar espaço, e findar com a hegemonia da cultura europeia, com seus valores relativamente racistas e ultrapassados. "A literatura pode nos libertar dessas amarras e acredito que esta seja minha pequena contribuição”, conclui a autora, Erika Balbi.

Por que não presentear seu filho, negro ou branco, com esta "fábula sobre amizade, descoberta e fé, e nos mostra que o conhecimento pode estar muito perto e, no entanto, damos uma volta ao mundo para encontrar o que buscamos" ?

Para finalizar, o escritor e jornalista Nirlando Beirão, na apresentação do livro, descreveu as credenciais da autora, com as seguintes palavras: "Erika dá uma rasteira no preconceito em prol desta cultura que o Brasil reluta em aceitar investigando, na ginga dos negros, a rica relação entre corpo e música, entre combate e dança, e nos presenteando, com sua arte mandingueira, com uma obra capaz de enfeitiçar gente pequena assim como adulto teimoso".

Ver demais sugestões de livros, com narrativas da mitologia africana, em: 

http://www.editorapeiropolis.com.br/catalogolivros/?cat=8&tit=Mitologia+Africana.

Fonte:

Publicação eletrônica. Disponível em: 
http://www.editorapeiropolis.com.br/wp-content/uploads/2014/06/Release_Num-tronco-de-Iroko_Lan%C3%A7amento.pdf. Acesso em 22 out. 2015.

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