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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Luísa Mahin, a guerreira africana, que quase foi rainha de Salvador.


Antes de fazer uma breve citação desta figura histórica, que lutou contra a escravidão, eu te pergunto: O que seria do mundo sem as revoltas? Provavelmente ainda existiria escravidão?

Mulher, negra, africana, Luísa, nascida em Costa Mina (esta informação é incerta), no início do século XIX, foi articuladora de revoltas e levantes de escravos, que sacudiram a então Província da Bahia, nas primeiras décadas do século XIX. Ela de fato, merece estar no rool de personalidades negras, que marcaram a história.

Esta líder nata pertencia à nação nagô, da tribo Mahin (daí seu sobrenome), nação originária do Golfo do Benin, noroeste africano, que no final do século XVIII, foi dominada pelos muçulmanos, vindos do Oriente Médio. Então, os Mahin, conhecidos no Brasil como malês.

Malês é o termo usado no Brasil, do século XIX, para designar os negros muçulmanos (hauçás, tapas, bornus), que sabiam ler e escrever, em língua árabe. Eles eram muitas vezes mais instruídos que seus senhores, e, apesar da condição de escravos, não eram submissos, mas muito altivos.

Nagôs ou Anagôs era a designação dada aos negros escravizados, vendidos na antiga Costa dos Escravos, e que falavam o ioruba. Os iorubas, iorubanos ou iorubás são um povo do sudoeste da Nigéria, no Benim (antiga República do Daomé) e no Togo.

Luísa nasceu livre, em 1812. Essa mulher inteligente e rebelde, que sobrevivia como quituteira, em Salvador, Bahia (de seu tabuleiro eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela adquiriam quitutes.), participou de todos os levantes escravos, que abalaram a Bahia, nas primeiras décadas do século XIX, entre elas a Revolta dos Malês (1835), a maior de todas as rebeliões de escravos ocorridas na Bahia, e a Sabinada (1837-1838).

O dia escolhido para a revolta dos malês, foi propositalmente, aquele em que os senhores celebravam no Bonfim, em Salvador, o dia de Nossa Senhora da Guia, e também, o dia em que os malês encerravam o Ramadã, mês de jejum dos muçulmanos.

Cerca de 600 escravos e recém-libertos, por algumas horas tornaram-se senhores das ruas de Salvador.

Descoberta, Luísa teria sido perseguida, e ido parar no Rio de Janeiro, onde há relatos de que, foi encontrada, detida e, possivelmente, enviada para Angola, na África. Nota: não existe documento que comprove essa informação.

A verdade é que o destino de Luiza Mahin é apenas sugerido. Há rumores que tenha participado de outros movimentos de insurreição na capital do Império. O próprio Luis Gama, filho desta guerreira africana, tentou, em vão, ter informações do destino de sua mãe.

Caso o levante dos malês tivesse obtido êxito, Luísa, certamente teria sido reconhecida como Rainha da Bahia.

Luísa, em 1830, deu à luz um filho, que mais tarde se tornaria poeta e abolicionista. Em suas notas biográficas, o filho de Luísa, poeta e abolicionista Luís Gama, registrou acerca da mãe:
     
"Sou filho natural de negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luísa Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa, magra, bonita, a cor de um preto retinto sem lustro, os dentes eram alvíssimos, como a neve. Altiva, generosa, sofrida e vingativa. Era quitandeira e laboriosa."



Luís Gonzaga Pinto da Gama (1830 –1882) foi um copista, advogado, orador, jornalista e escritor (poeta) abolicionista revolucionário brasileiro, filho de Luísa Mahin, com um homem branco.  

Um Intelectual autodidata, que ainda continua injustamente banido dos círculos acadêmicos reacionários.

O jovem Luís foi feito escravo aos 10, vendido pelo próprio pai, um fidalgo de família tradicional baiana, para pagar dívidas de jogo. Em 1847, o hóspede do seu senhor, Antônio Rodrigues do Prado Júnior o alfabetizou. Aos dezoito anos fugiu do cativeiro e foi para São Paulo.

Em 1850 casou-se com Claudina Sampaio e começou a frequentar, como ouvinte, as aulas do Curso de Direito, da Faculdade Largo São Francisco, mas, foi estimulado pela indolência dos professores e colegas, à abandonar o curso antes de concluí-lo. 

Ao conquistar, judicialmente, a própria liberdade, passou a atuar na advocacia, em prol dos cativos, sendo já aos 29 anos, autor consagrado e considerado "o maior abolicionista do Brasil". A sua defesa pelos escravos foi excepcional, através da sua condição de rábula, tentava provar que os negros estavam sendo escravizados contra a lei, pois tinham entrado no Brasil após a proibição do tráfico negreiro, promulgada em 1850. Causou grande polêmica ao defender que o assassinato dos proprietários pelos escravos era um ato de legítima defesa.Financiou alforrias condicionais e também ajudou os escravos que mesmo podendo pagar pela carta de alforria eram impedidos, por seus senhores, de se libertarem. Ajudou na libertação legal de mais de 500 escravos foragidos.

Gama passou a se dedicar com maior afinco a colaborar com diversos jornais periódicos. Ele havia fundado em 1864 o jornal satírico "Diabo Coxo", que tinha as ilustrações do italiano Ângelo Agostini, considerado um marco no segmento da imprensa humorística de São Paulo.

Luís teve uma vida tão ímpar, que é difícil encontrar, entre seus biógrafos, algum que não se torne passional ao retratá-lo — sendo ele próprio também carregado de paixão, emotivo e ainda cativante. Foi um dos raros intelectuais negros no Brasil escravocrata do século XIX, o único autodidata e o único a ter passado pela experiência do cativeiro; pautou sua vida na defesa da liberdade e da república, ativo opositor da monarquia, veio a morrer seis anos antes de ver seus sonhos concretizados.

Sua morte se deu em 24 de agosto de 1882, e o que era para ser um simples sepultamento transformou-se, segundo a descrição do escritor Raul Pompéia, em "um ato público que celebrou a importância de Luiz Gama no movimento abolicionista brasileiro".
 

A vida de Luiz Gama, um intelectual autodidata, foi quase que integralmente dedicada à luta pela emancipação do povo negro, o que de imediato já mereceria um reconhecimento público, mas, o que a historiografia e a história da literatura burguesa fizeram foi desprezar e ignorar a grande figura do revolucionário abolicionista e poeta, imagem que jamais poderia passar despercebida.

Em 9 de março de 1985, o nome de Luiza Mahin foi dado a uma praça pública, no bairro da Cruz das Almas, em São Paulo, área de grande concentração populacional negra, por iniciativa do Coletivo de Mulheres Negras/SP.

Fonte: 

Publicação eletrônica. Disponível em: www.acordacultura.org.br/herois/heroi/. Acesso em 20 out. 2015.

Wikipédia. Luísa Mahin. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADsa_Mahin. Acesso em 20 out. 2015.

Publicação eletrônica. Recontando nossa história: Luísa Mahin. Disponível em:

Nicolau Neto. Personalidades Negras que Mudaram o Mundo: Luísa Mahin. Disponível em:

Wikipédia. Luís Gama. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Gama. Acesso em 20 out. 2015.

Luís Gama - Pote arevolucionário. Publicação eletrônica. Disponível em: http://negrosnahistoria.blogspot.com.br/search?updated-min=2008-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2009-01-01T00:00:00-08:00&max-results=5. Acesso em 20 out. 2015.
 

5 comentários:

  1. Somos uma nação com uma enorme raíz negra africana e não podemos nos esquecer disso. O preconceito existe e deve ser combatido.

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    1. Verdade! Somos todos irmãos, e o racismo existe e é crime, portanto, deve ser combatido...

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  2. Muito bom e muito bem escrito. Parabéns aos organizadores.

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    1. Grata Victor! Buscamos melhorar a redação e os temas. Obrigada pelo feedback!

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  3. LUIZA MAHIM FOI UMA GUERREIRA MUITO CORAJOSA

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