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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Alan Kardec era racista


Primeiro, quero pedir aos amados espíritas, que não se melindrem, não se irritem, nem ignorem a postagem. Façam o contrário, leiam, meditem, raciocinem, e decidam se é assim ou não. 

Eu mesma fui católica de berço, evangélica por 8 anos, e li os livros de Kardec, que por sinal são muito bons. Mas, eu não parei ali, e agora me encontro aberta a questionar, como o próprio espiritismo indica, questione tudo, use a razão. 

Então, eu continuo gostando dos livros dele, mas, o próprio espiritismo alcançou a perfeição? Não, e Kardec sabia disso? que no futuro haveria um aperfeiçoamento da obra? Pois, sabemos que a humanidade evolui lentamente, e muita coisa muda, as ideias principalmente. E se algo muda, é porque antes não era perfeito, portanto, se houver em algum trecho da obra de Kardec a indicação de sua infalibilidade, desconfie, critique, questione, e se for da autoria dele, é sinal de que, nem tudo que ele disse merece crédito. 

Se você for católico, cuidado para não julgar o espiritismo, pois, o Concílio Vaticano I, formalmente declarou, em 1870, o dogma da infalibilidade papal, ou seja, o papa não erra nunca, e a terra não era redonda...então..., não critique o espiritismo, ok? E evangélicos? alguns têm a tendência de dizer que, quem fala mal do pastor peca contra Deus, que selou o pastor para a obra, ok! e o que dizer dos pastores riquíssimos, que não doam tudo aos pobres, como pregou o Cristo?  E os pastores e padres, que abusaram e fizeram coisas feias. Quanto à Kardec, ele desenvolveu sua filosofia, segundo os moldes da cultura europeia da época, que pregava a eugenia (que era racista). 

Eugenia é um termo criado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando "bem nascido”. Lembram da eugenia nazista, que veio a ser parte fundamental da ideologia de "pureza racial", a qual culminou no Holocausto? 

Logo alguém dirá, mas, a doutrina espírita veio de espíritos, e Kardec, as vezes expressava somente a opinião particular dele. Pois bem, vamos mostrar a opinião dele, se é que é isso mesmo, que expressou o típico raciocínio racista da Europa dos séculos passados. Ou seria a opinião de espíritos racistas?
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Adriana Souto

Allan Kardec fala sobre quais povos humanos são espiritualmente evoluídos e quais são espiritualmente atrasados. 

Passagem retirada de Revista Espírita de 1862 (Revue Spirite, abril de 1862, pág. 97: Perfectibilidade da raça negra) Allan Kardec, A Gênese, Cap. XI – Gênese Espiritual, 29-32. 

Título: Frenologia Espiritualista e Espírita. PERFECTIBILIDADE DA RAÇA NEGRA. 

 Kardec vai explicar algo sobre Frenologia, que é o estudo da estrutura do crânio, de modo a determinar o caráter da pessoas e a sua capacidade mental. Esta pseudociência baseiava-se na falsa assunção de que, as faculdades mentais estão localizadas em "órgãos" cerebrais na superficie deste, que podem ser detectados por inspeção visual do crânio.

Kardec escreveu: 

"A raça negra é perfectível? Segundo algumas pessoas, esta questão é julgada e resolvida negativamente. Se assim for, e se esta raça é votada por Deus a uma eterna inferioridade, segue-se que é inútil nos preocuparmos com ela e que devemos nos limitar a fazer do negro uma espécie de animal doméstico, preparado para a cultura do açúcar e do algodão...uma conclusão desta gravidade, num ou noutro sentido, não pode ser tomada levianamente e deve apoiar-se em raciocínio sério, pedimos permissão para desenvolver algumas considerações preliminares...A Frenologia nos servirá de ponto de partida... a Frenologia apoia-se no princípio de que o cérebro é o órgão do pensamento, como o coração o é da circulação, o estômago da digestão...Cada um sente que pensa pela cabeça e não pelo braço e pela perna. Mais ainda:...Para todo o mundo o desenvolvimento da parte frontal leva a presumir mais inteligência do que quando ela é baixa e deprimida. Por outro lado, as experiências anatômicas e fisiológicas demonstraram claramente o papel especial de certas partes do cérebro nas funções vitais, e a diferença dos fenômenos produzidos pela lesão de tal ou qual parte...Assim, é admitido como princípio que as diferentes partes do cérebro não exercem as mesmas funções...Partindo desses princípios, a Frenologia vai longe: localiza todas as faculdades morais e intelectuais, atribuindo a cada, uma um lugar especial no cérebro...Das saliências do crânio a Frenologia conclui o volume do órgão, e do volume do órgão conclui o desenvolvimento da faculdade. Tal é, em breves palavras, o princípio da ciência Frenológica". 

Mas, note que, Kardec enfatiza o erro da frenologia, quando utilizada dissociada de outros elementos como a cultura: "Enganar-se-ia redondamente quem acreditasse poder deduzir o caráter absoluto de uma pessoa, pela simples inspeção das saliências do crânio. As faculdades se contrabalançam reciprocamente, se equilibram, se corroboram ou se atenuam, umas às outras, de tal sorte que, para julgar um indivíduo, é preciso levar em conta o grau de influência de cada uma, em razão do seu desenvolvimento, depois pesar na balança o temperamento, o meio, os hábitos e a educação". 

Obs.: a ciência de fato atribui as diferenças de personalidade, ao tipo de química que está disponível no cérebro, que tem sua origem em algum comando genético, mas, não somente isso. Muitos fatores determinam o que o bebezinho vai ser quando crescer, incluindo o que ocorre à mãe, durante a gestação de sua prole, e também os fatores ambientais e culturais, que determinarão que tipo de temperamento, o bebe terá: deprimido? ansioso? obeso? psicopata? etc. Mas, ainda há muito por descobrir, sabemos pouco sobre o funcionamento do cérebro humano. 

Estabelecidas estas preliminares, encaremos a coisa de outro ponto de vista. Kardec começa a falar de dois tipos de frenologistas: "materialistas e espiritualistas"... os primeiros defendem que, o pensamento é um produto da substância cerebral; que o cérebro secreta o pensamento, como as glândulas salivares secretam a saliva... Ora, como a quantidade de secreção geralmente é proporcional ao volume e à qualidade do órgão secretor, dizem que a quantidade de pensamentos é proporcional ao volume e à qualidade do cérebro...sobre isso Kardec conclui: "com semelhante pensamento toda punição é injusta e todos os crimes são justificados". 

Ele continua: "os espiritualistas dizem, ao contrário, que os órgãos não são a causa das faculdades, mas os instrumentos da manifestação das faculdades... alma, possuindo por si mesma aptidões diversas, a predominância de tal ou qual faculdade impele o desenvolvimento do órgão correspondente, como o exercício de um braço induz o desenvolvimento dos músculos desse braço...Assim, um homem não é poeta porque tenha o órgão da poesia: ele tem o órgão da poesia porque é poeta, o que é muito diferente..."

"Com efeito, se a alma fosse criada ao mesmo tempo que o corpo, a do sábio do Instituto seria tão nova quanto a do selvagem..." Kardec questiona a frenologia e conclui: "uma única solução é possível: a preexistência da alma, sua anterioridade ao nascimento do corpo, o desenvolvimento adquirido conforme o tempo vivido e as várias migrações percorridas" (reencarnações). 

Dito isso, não se canse, estamos chegando ao ponto centra desta postagem. E traçamos esta linha, porque é importante pegar o contexto do texto, para não ocorrer distorções. 

Kardec diz então: "isto nos conduz ao exame da importante questão da inferioridade de certas raças e de sua perfectibilidade" (Bingo!). 

Ele escreveu: "numa única existência, poderá o selvagem adquirir as qualidades que lhe faltam? Seja qual for a educação que lhe derdes desde o berço, dele fareis um São Vicente de Paulo, um sábio, um orador, um artista?"

Hora de ler algumas palavras amargas, que Kardec escreveu: "por que nós, civilizados, esclarecidos, nascemos na Europa e não na Oceania? em corpos brancos, ao invés de corpos negros?" (Lembremos que os negros já tinham sido escravizados, e a eugenia era o pensamento corrente). 

Ele continua: "...Por que Deus nos liberou da longa rota percorrida pelos selvagens? Seriam nossas almas de natureza diversa das suas? Por que tentar torná-los cristãos? Se os tornais cristãos, é que os olhais como vosso igual perante Deus. E se é vosso igual perante Deus, por que Deus vos concede privilégios? Por mais que façais, não chegareis a nenhuma solução, a menos que admitais para nós um progresso anterior e para os selvagens um progresso ulterior". (Em suma ele diz: branco tem alma mais evoluída, mais adiantada do que os negros provenientes das tribos selvagens, e que agora eram escravizados ...). 

Explicando mais sobre a Frenologia, Kardec lembra que, cada órgão tem sua função...e então conclui: "todos os corpos animados encerram, incontestavelmente, o princípio de todos os órgãos; uns, porém, em certos indivíduos, se acham num estado de tal forma rudimentar que não são susceptíveis de desenvolvimento...O exame Frenológico dos povos pouco inteligentes constata a predominância das faculdades instintivas e a atrofia dos órgãos da inteligência..."

"Aquilo que é excepcional nos povos avançados é a regra em certas raças. Por quê? Será uma injusta preferência? Não; é sabedoria. A Natureza é sempre previdente; nada faz de inútil. Ora, seria inútil dar um instrumento completo a quem não tenha os meios para dele se servir. Os Espíritos selvagens são ainda crianças, se assim podemos nos exprimir...O que faria o Espírito de um hotentote (termo pejorativo para uma tribo africana) no corpo de um Arago (parisiense)? Seria como alguém que nada sabe de música diante de um piano excelente". 

"Por uma razão inversa, o que faria o Espírito Arago no corpo de um hotentote? Seria como Liszt diante de um piano contendo apenas algumas cordas desafinadas, das quais o seu talento não conseguiria jamais tirar sons harmoniosos. Arago entre os selvagens, com todo o seu gênio, será tão inteligente quanto o pode ser um selvagem, e nada mais; jamais será, numa pele negra, membro do Instituto. Seu Espírito induziria o desenvolvimento dos órgãos? Órgãos fracos, sim; órgãos rudimentares, não". 

"A Natureza, portanto, apropriou os corpos ao grau de desenvolvimento dos Espíritos que neles devem encarnar; eis por que os corpos das raças primitivas possuem menos cordas vibrantes que os das raças adiantadas". 

Chegamos agora à perfectibilidade das raças. E segundo ele, os espíritos vão evoluindo, e encarnando em novos corpos, corpos melhores, de raças melhores... 

Kardec conclui, "diz-se a respeito dos negros escravos: são seres tão brutos, tão pouco inteligentes, que seria trabalho perdido querer instrui-los. É uma raça inferior, incorrigível e profundamente incapaz.” A teoria que acabamos de dar permite encará-los sob outra luz. Na questão do aperfeiçoamento das raças, deve-se sempre levar em conta dois elementos constitutivos do homem: o elemento espiritual e o elemento corporal... Assim, como organização física, os negros serão sempre os mesmos; como Espíritos, trata-se, sem dúvida, de uma raça inferior... Eis por que a raça negra, enquanto raça negra, corporalmente falando, jamais atingirá o nível das raças caucásicas; mas, na qualidade de Espírito, é outra coisa: pode tornar-se e tornar-se-á aquilo que somos. 

Fonte: Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. ANO V. ABRIL DE 1862. Nº 4 (Páginas 141-151). 

 E no livro Obras Póstumas de Kardec, encontramos a seguinte passagem:

“O negro pode ser belo para o negro, como um gato é belo para um gato; mas não é belo no sentido absoluto, porque os seus traços grosseiros, seus lábios espessos acusam a materialidade dos instintos; podem bem exprimir as paixões violentas, mas não saberiam se prestar às nuanças delicadas dos sentimentos e às modulações de um espírito fino. Eis porque podemos, sem fatuidade, eu creio, nos dizer mais belos do que os negros e os Hotentotes; mas talvez também seremos, para as gerações futuras, o que os Hotentotes são em relação a nós; e quem sabe se, quando encontrarem os nossos fósseis, não os tomarão pelos de alguma variedade de animais.” (pág.?).

Obras Póstumas é uma compilação de escritos do Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, lançada postumamente em Paris, em janeiro de 1890, pelos dirigentes da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. A epígrafe da obra reza: "É preciso propagar a Moral e a Verdade". 

Eu, particularmente, amo a doutrina da reencarnação, mas, nada no mundo é perfeito, então, questione, abra sua mente, aprenda a absorver o que for bom de uma religião, filosofia ou doutrina, daquilo que não é, porque tudo evolui, porque tudo é imperfeito. E não falo de raça branca x negra, falo de seres humanos e suas ideologias...

Então, Kardec tinha o pensamento racista da época. A eugenia ditava a verdade científica, e as ciências, vocês sabem, são falíveis e evoluem. 

Um fato lamentável é que Kardec, como muitos negros brasileiros, e muitos bancos, não sabem que, grandes civilizações negras da antiguidade, nos legaram grandes descobertas e desenvolvimento das ciências, que, segundo alguns especialistas, foi roubado, plagiado pelos europeus, e isso pode ser provado... 
 

Fontes:

Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. ANO V. ABRIL DE 1862. Nº 4 (Páginas 141-151). Disponível em: 

REVISTA ESPÍRITA. Jornal de Estudos Psicológicos. ANO QUARTO – 1861. Disponível em:http://www.febnet.org.br/ba/file/Downlivros/revistaespirita/Revista1861.pdf
Acesso em 27 out. 2015.

2 comentários:

  1. Muito instrutivo, Adriana. O milenar conceito de reencarnação é das coisas mais instigantes, mas é mais um desejo que uma crença pra mim. A vida é um mistério mas não é a crendice que vai resolver. Continuemos nos instruindo. Abs!

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  2. Gostei do artigo porque visa aguçar-nos o raciocínio e a reflexão. Minha conclusão é a seguinte: Se considerarmos Kardec racista sem contextualização histórica, podemos facilmente fazer o mesmo com toda sociedade europeia (incluindo sacerdotes católicos e protestantes da época). Pois, a ideia NÃO era de Kardec, mas sim de toda sociedade, basta pesquisarmos e descobrimos. Além disso a ciência da época afirmava isso e claro, Kardec como um homem da ciência estava sujeito a influência destas ideias. Kardec estava à frente de seu tempo em alguns quesitos, como por exemplo sua opinião sobre as mulheres. Porém, não tinha muita autoridade para falar de criança, pois não teve filhos e também sobre o povoo africano, pois não convivia com os mesmos, recebendo informações tolas e pueris. Não obstante a tudo isso, podemos ir ainda mais longe, sem o crivo da razão e ponderação podemos afirmar que o conteúdo bíblico é ainda mais racista e também misógino, pedófilo, xenofóbico, homofóbico e por aí vai. Basta-nos ver as atrocidades narradas no pentateuco bíblico. Kardec era perfeito? Claro que NÃO. Kardec recebeu instrução de espíritos superiores todo o tempo? Absolutamente NÃO. Pois, se assim fosse não teria ele tido vida própria, seria apenas fantoche. Kardec errou como qualquer outro homem. E NÃO é minha missão ou intenção defendê-lo. Procuro defender ideias e não homens. Mas, para clarear a mente vejamos esta citação de Kardec na Revista Espírita 1861, pág. 297-298.

    “(…) O ESPIRITISMO, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, APAGA naturalmente TODAS AS DISTINÇÕES ESTABELECIDAS ENTRE OS HOMENS segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os ESTÚPIDOS PRECONCEITOS DE COR." (Allan Kardec). Abraço fraterno!

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