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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Afrocentrismo, o que significa?

Você sabe o que significa esse termo?

Antes de conceituar o termo, enfatizo que,  não sou especialista no assunto, e não disponho de tempo para fazer uma pesquisa apurada, segue-se que, a definição abaixo exposta pode estar eivada de  inexatidão.

Afrocentrismo é uma ideologia baseada na noção de que os afrodescendentes devem reafirmar um sentimento pan-africano, de defesa do nacionalismo e do orgulho étnico negro, como arma de efeito psicológico, de combate ao racismo global. Trata-se de uma perspectiva filosófica e teórica de um sistema particular, cujo núcleo essencial é a ideia de que as interpretações e explanações baseadas no papel dos africanos como sujeito (e não mais como objeto), são mais condizentes com a realidade.

O embrião desse movimento surgiu na década de 80, a partir dos estudos da história africana por parte de intelectuais afroamericanos e caribenhos, que começaram a olhar a história de "uma perspectiva negra", ao contrário do que se fazia até então.

Um dos grandes expoentes desta revolução cultural foi o jamaicano Marcus Garvey (1887-1940), cuja tese defendia o retorno dos afrodescendentes ao continente africano, como forma de, finalmente, libertarem-se da cultura ocidental, judaico-cristã, de seus antigos opressores. Outra tese defendida por este grande ativista dizia que, o sucesso dos homens brancos devia-se ao sistema de ensino das crianças brancas, focado em suscitar nas mentes infantes a idealização/superioridade branca. Desse modo, segundo concepção de Garvey, as crianças negras deveriam ser educadas segundo um paradigma de superioridade negra. Sobre Marcus Garvey, veja a postagem: "(Garvey) Um Deus! Uma aspiração!" Um destino! do dia 29 de julho de 2015.
Em 1954 George G. M. James publica o livro "Stolen Legacy" ("Legado roubado"). Nele o autor afirma que, não foram os gregos os verdadeiros criadores do racionalismo, isto é, os gregos furtaram a filosofia dos egípcios, um povo africano negro, que fundou uma das maiores civilizações do mundo antigo, anterior ao desenvolvimento europeu. De fato o Egito é responsável por grandes descobertas nas ciências (matemática, medicina, etc). Até hoje se discute como teriam sido construídas as pirâmides. Sobre o livro citado, veja a postagem: "O Legado Roubado - Stolen Legacy (livro)" do dia 29 de julho de 2015.

Na década de 80, Molefi Kete Asante publicou o livro - Afrocentrismo: A Teoria da Mudança Social - que lançou a primeira discussão completa sobre o conceito. Estas obras inspiraram outras histórias afrocêntricas, tais como "Africa, Mother of Western Civilization" ("África, mãe da Civilização Ocidental"), de Yosef A. A. Ben-Jochannnan, e "Civilization or Barbarism" ("Civilização ou barbarismo"), do senegalês Cheikh Anta Diop.

Diop foi capaz de provar que, os antigos egípcios eram pessoas negras, e não brancas, como a cultura ocidental costuma retratar. Sobre Diop, veja a postagem: "(01) Os egípcios da antiguidade eram negros, e isso pode provar que Jesus Cristo também era" do dia 23 de julho de 2015".


Outros importantes nomes do movimento afro foram: Leonard Jeffries, professor da Universidade de Nova York e Martin Bernal, autor da obra "Black Athena".

O paradigma afrocêntrico é uma mudança revolucionária de pensamento negro, que faz a seguinte pergunta: "o que os afrodescendentes fariam se não houvessem pessoas brancas?". Em outras palavras, quais seriam suas referências e preferências se não tivesse havido qualquer intervenção do colonialismo ou da escravidão?

Esta questão, responde o Afrocentrismo, seria a remoção da Europa como centro da realidade Africana. Esse pensamento é revolucionário porque estuda ideias, conceitos, eventos, personalidades e processos políticos e econômicos, do ponto de vista dos negros como sujeitos e não como objetos.

Além dos já citados, outros pensadores e ativistas da causa negra foram:  Amilcar Cabral, Frantz Fanon, Malcolm X, Nkrumah, segundo os quais, tem-se de estar preparado para agir de acordo com a interpretação do próprio negro, a respeito do que é melhor para o interesse do povo negro, sem o qual, não há que se falar em avanço do processo político.

Utilizando as palavras dos filósofos contemporâneos Haki Madhubuti e Maulana Karenga, entre outros: se pudermos, no processo de materializar a nossa consciência, reivindicar espaço como agentes de mudança progressiva, então podemos mudar o nosso estado, e mudar o mundo.          

Molefi Kete Asante

Fonte:

Molefi Kete Asante. Afrocentricity. 2009. Disponível em: http://www.asante.net/articles/1/afrocentricity/. Acesso em: 08 out. 2015.




2 comentários:

  1. muito obrigado pelo texto pois o mesmo contem ideias claras sobre o assunto em discussao...

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  2. Meu muito obrigado, tirei aquilo que foi dúdivida acerca de Afrocentrismo.

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