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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Abdias Nascimento (poeta, ator, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos das populações negras)



Ao espelho te vejo negrinho
Te reconheço garoto negro
Vivemos a mesma infância
A melancolia partilhada do teu profundo olhar
Era a senha e a contra senha
Identificando nosso destino
Confraria dos humilhados
A povoar de terna lembrança
Esta minha evocação de Franca.


Quem foi ele?

Foi um dos maiores defensores da cultura e igualdade para as populações afrodescendentes do Brasil. Um verdadeiro polímata, de longa trajetória, brilhantemente produtiva e variada, indo do movimento ativista ao trabalho com poesia, escultura e atuação teatral (criou em  1944, o Teatro Experimental do Negro ).

Após a volta do exílio (1968-1978), insere-se na vida política (foi deputado federal e senador), além de colaborar fortemente para a criação do Movimento Negro Unificado (1978). 

Em 2006, em São Paulo, criou o dia 20 de Novembro, como o dia oficial da consciência negra. 

Foi autor de vários livros, entre eles: "Dramas Para Negros e Prólogo Para Brancos", "O Negro Revoltado" e outros...

Ver mais em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Abdias_Nascimento. 

Breve Biografia de Abdias:


Nasce em Franca, SP, em 1914, o segundo filho de Dona Josina, a doceira da cidade, e Seu Bem-Bem, músico e sapateiro. Abdias cresce numa família coesa, carinhosa e organizada, porém pobre, e vai se diplomar em contabilidade pelo Atheneu Francano em 1929. 

Com 15 anos, alista-se no exército e vai morar na capital São Paulo. Na década dos 1930, engaja-se na Frente Negra Brasileira e luta contra a segregação racial em estabelecimentos comerciais da cidade. Prossegue na luta contra o racismo organizando o Congresso Afro-Campineiro em 1938. Funda em 1944 o Teatro Experimental do Negro, entidade que patrocina a Convenção Nacional do Negro em 1945-46. 

A Convenção propõe à Assembleia Nacional Constituinte de 1946 a inclusão de políticas públicas para a população afro-descendente e um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-pátria. 

À frente do TEN, Abdias organiza o 1º Congresso do Negro Brasileiro em 1950. 

Militante do antigo PTB, após o golpe de 1964 participa desde o exílio na formação do PDT. Já no Brasil, lidera em 1981 a criação da Secretaria do Movimento Negro do PDT. 

Na qualidade de primeiro deputado federal afro-brasileiro a dedicar seu mandato à luta contra o racismo (1983-87), apresenta projetos de lei definindo o racismo como crime e criando mecanismos de ação compensatória para construir a verdadeira igualdade para os negros na sociedade brasileira. Como senador da República (1991, 1996-99), continua essa linha de atuação. 

O Governador Leonel Brizola o nomeia Secretário de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Estado do Rio de Janeiro (1991-94). Mais tarde, é nomeado primeiro titular da Secretaria Estadual de Cidadania e Direitos Humanos (1999-2000). 

Ver a autobiografia de Abdias, em: http://www.abdias.com.br/index.htm.


Prêmios e Honrarias Recebidos Por Abdias:

  • Diploma Honorário Zumbi dos Palmares, São Bernardo do Campo, SP, 1983.
  • Tributo da Universidade Internacional da Flórida por contribuição destacada à dignidade, herança e personalidade cultural e histórica dos povos de descendência africana nas Américas, Miami, 1987.
  • Medalha de Bronze, comemorativa do Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil, Governo Federal, 1988.
  • Troféu da Consciência Negra para o Escritor de Destaque da Língua Portuguesa, Secretaria de Cultura, Estado da Bahia, 1988.
  • Medalha de Prata Winnie Mandela, Prêmio para Destacado Serviço e Dedicação à Causa Afro-Brasileira, Fundação Cultural Palmares, Ministério da Cultura, 1989.
  • Diploma de Menção Honrosa, Sociedade Cultural Afro-Brasileira, Axé Lá Naso Oka Bombuxé Lá Bitikum, Rio de Janeiro, 1995.
  • Patrono, Congresso Continental dos Povos Negros das Américas (Parlamento Latinoamericano, São Paulo), 1995.
  • Presidente Honorário, Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), 1997.
  • Homenagem a Cinco Personalidades da História da Diáspora Africana, Câmara Municipal de Salvador, Bahia, 1999.
  • Prêmio Mundial Herança Africana, Schomburg Center for Research in Black Culture, Biblioteca Pública de Nova York, Harlem, 2001. Prêmio apresentado em cerimônia realizada na sede da ONU por ocasião do 75º aniversário do Centro Schomburg, a seis personalidades do mundo africano: Katherine Dunham, Amadou Mahtar M'Bow, Billy Taylor, Gordon Parks, Dorothy Height e Abdias Nascimento).
  • Prêmio UNESCO, categoria Direitos Humanos e Cultura de Paz, outubro de 2001.
  • Prêmio Comemorativo das Nações Unidas por Serviços Relevantes em Direitos Humanos, Rio de Janeiro, novembro de 2003.
  • Homenagem da Presidência da República aos 90 anos "do maior expoente brasileiro na luta intransigente pelos direitos dos negros no combate à discriminação, ao preconceito e ao racismo". Brasília, 21 de março de 2004.
  • Prêmio de Reconhecimento 10 Years of Freedom - South Africa 1994-2004, do Governo da África do Sul, abril de 2004. 
Veja os outros prêmios recebidos por Abdias em: http://www.abdias.com.br/index.htm.


O que os amigos falaram de Abdias:


" Abdias do Nascimento não é um patrimônio só do Brasil. Ele é um patrimônio de toda a humanidade." 

                                                    Senador Paulo Paim: Alvorada, RS, novembro de 2002.

Veja o que os outros amigos falam de Abdias em: http://www.abdias.com.br/index.htm.


Obras do artista e ativista Abdias

A obra artística de Abdias nasce de seu trabalho de curadoria no projeto do Museu de Arte Negra. Desafiado pelo amigo Efrain Tomás Bó, pinta suas primeiras telas em 1968. No dia da promulgação do AI-5, encontra-se em Nova York e é acolhido por uma amiga artista plástica norte-americana, Ann Bagley. Usando palitos de fósforo e restos de tinta que a amiga jogava fora, pinta seu primeiro quadro no exterior, o Riverside 1. Sente a pintura como uma forma eficaz de comunicação em terras estrangeiras. Desenvolve sua obra, num processo inteiramente autodidata, mergulhando no calor do processo criativo para fugir do frio nos invernos do norte.
 
De volta ao Brasil, continua pintando à medida que as atividades cívicas e políticas o permitem. 

 A pintura de Abdias Nascimento mergulha nas raízes culturais do mundo africano. Explora e interpreta diversas simbologias, desde a matriz primordial do Egito antigo, fonte da unidade essencial das civilizações africanas, passando pelo candomblé, o vodu do Haiti e os ideogramas adinkra da África ocidental. Essas referências se mesclam à evocação de heróis da luta de libertação dos povos africanos no continente e sua diáspora. O resultado é uma tessitura de temas e signos que brotam das cosmogonias e das passagens existenciais comuns aos povos afrodescendentes. Esses temas e signos realçam valores universais à experiência humana. 

O fazer criativo de Abdias une a atuação cívica anti-racista com a valorização da cultura, identidade e herança africanas. 

Ver outras obras do escritor, em: http://www.abdias.com.br/index.htm.

Pinturas de Abdias:

 Fotografia de Lula Rodrigues

 Ver outras pinturas do artista,em:http://www.abdias.com.br/index.htm. 

CULTNE - Abdias do Nascimento
Abdias dos Nascimento, o grande Griot brasileiro fala da trajetória da luta negra no Brasil. 


Obras publicadas por Abdias Nascimento:

LIVROS:


  • Quilombo: Edição em fac-símile do jornal dirigido por Abdias do Nascimento. São Paulo: Editora 34, 2003.
  • O quilombismo, 2ª ed. Brasília/ Rio de Janeiro: Fundação Cultural Palmares/ OR Produtor Editor, 2002.
  • O Brasil na Mira do Pan-Africanismo. Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais/ Editora da Universidade Federal da Bahia EDUFBA, 2002.
  • Orixás: os Deuses Vivos da África/ Orishas: the Living Gods of Africa in Brazil. Rio de Janeiro/ Philadelphia: Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros/Temple University Press, 1995.
  • A Luta Afro-Brasileira no Senado. Brasília: Senado Federal, 1991.
  • Africans in Brazil :a Pan-African Perspective, com Elisa Larkin Nascimento. Trenton: Africa World Press, 1991.
  • Brazil: Mixture or Massacre, trad. Elisa Larkin Nascimento. Dover: The Majority Press, 1989.
  • Combate ao Racismo, 6 vols. Brasília: Câmara dos Deputados, 1983-86. (Discursos e projetos de lei.).
  • Povo Negro: A Sucessão e a "Nova República". Rio de Janeiro: Ipeafro, 1985.
  • Jornada Negro-Libertária. Rio de Janeiro: Ipeafro, 1984.
  • Axés do Sangue e da Esperança: Orikis. Rio de Janeiro: Achiamé e RioArte, 1983. (Poesia.).
  • O Quilombismo. Petrópolis: Vozes, 1980.
  • Sortilégio II: Mistério Negro de Zumbi Redivivo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. (Peça de teatro.).
  • Sortilege: Black Mystery, trad. Peter Lownds. Chicago: Third World Press, 1978.
  • O Genocídio do Negro Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
  • "Racial Democracy" in Brazil: Myth or Reality, trad. Elisa Larkin Nascimento, 2ª ed. Ibadan: Sketch Publishers, 1977.

Ver outras obras do autor, em: http://www.abdias.com.br/index.htm.

 Filmografia:
  • Abdias Nascimento – memória negra (2008), de Antonio Olavo
  • Cinema de Preto (2005)
  • Cinco Vezes Favela (1962)
 
 Ver mais em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Abdias_Nascimento.

Poesia de Abdias:

OLHANDO NO ESPELHO
 
Ao espelho te vejo negrinho
te reconheço garoto negro
vivemos a mesma infância
a melancolia partilhada do teu profundo olhar
era a senha e a contra-senha
identificando nosso destino
confraria dos humilhados
a povoar de terna lembrança
esta minha evocação de Franca
Éramos um só olhar
nos papagaios empinados
ao sopro fresco do entardecer
Negrinho garota negra
vivemos a mesma infância
nos cafezais brincamos
nas jaboticabeiras trepamos
chupamos a mesma manga e melancia
Éramos uma única ansiedade
à subida multicor dos balões
pejados de nossos sonhos e ilusões
Negrinho meu irmão
como te chamavas tu?
Felisbino Sebastião Geraldo?
Serias menina: Rosa
Negra Alice Tarcila?
Ou te chamarias Aguinaldo?
Lembro nosso emprego:
lavar vidros
entregar remédios
fazer limonada purgativa
limpar as sujeiras de uma farmácia
E aquele grito em nosso ouvido:
"-Acorda preguiçoso"? era o patrão
outra vez cochilaste reclinado ao chão
Assustados teus olhos dançaram
desgovernados pelas lágrimas
saltaste inutilmente lépido
Um dedo irrevogável
te apontou a porta do desemprego
assim regressaste
à casa que já não tinhas
na noite anterior morrera
tua pobre mãe que a mantinha
Negrinha garoto negro
sei que somos uma
prosseguimos os mesmos
ao abandono de nossa orfandade
Assim juntos e sem nome
devemos continuar nosso sonho
nosso trabalho
reinventando as nossas letras
recompondo nossos nomes próprios
tecendo os laços firmes
nos quais ao riso alegre do novo dia
enforcaremos os usurpadores de nossa infância
Para a infância negra
construiremos um mundo diferente
nutrido ao axé de Exu
ao amor infinto de Oxum
à compaixão de Obatalá
à espada justiceira de Ogum
Nesse mundo não haverá
trombadinhas
pivetes
pixotes
e capitães de areia
 
Buffalo, 1980.


Outros grandes autores e ativistas negros, além de maiores informações sobre Abdias Nascimento, você encontra em : http://www.abdias.com.br/index.htm



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