Menu Suspenso

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A mulher negra e pobre, cujas células são imortais.


Esta postagem eu retirei de uma comunidade do Facebook chamada: Invenções do Povo Negro. O título do artigo é: “A mulher negra e pobre que, mudou a ciência para sempre” (e não foi reconhecida). Basicamente o texto fala de uma mulher, cujas células nunca morrem, e são cultivadas, até hoje. 

O texto certamente adveio do livro, de autoria de Rebecca Skloot, chamado: "A Vida Imortal de Henrietta Lacks".  


"É um livro que dói.
Revela subterrâneos sombrios da produção da ciência
e a necessidade de novo contrato social e ético
entre ciência e sociedade".

O resumo do livro traz o seguinte:

"Em 1951, uma mulher negra e humilde morre de câncer; e suas células - retiradas sem seu consentimento - são mantidas vivas, dando origem a uma revolução na medicina e criando uma indústria multimilionária. Apesar disso, somente 20 anos, depois, que seus filhos descobrem a história, e têm suas vidas completamente modificadas". 

Parece mentira, mas, aconteceu de verdade.
  
Estamos falando de Henrietta Lacks (1920 – 1951), uma mulher africanoamericana, que foi fonte de células (de um tumor maligno), que foram cultivadas por George Otto Gey, criando o primeiro ser humano conhecido, cujas células são imortais e são por isso, utilizadas em pesquisa médica, em todo o mundo.


Ouçamos o que disse Deborah Lacks, filha de Henrietta Lacks (1920 - 1951): 

"A ciência chama a minha mãe de HeLa (pronúncia: rilá), e ela está no mundo inteiro em centros médicos... Quando vou ao médico, sempre digo que minha mãe foi HeLa. Eles ficam empolgados, contam coisas do tipo: como as células dela ajudaram a produzir meus remédios para hipertensão e antidepressivos e como todas essas coisas importantes da ciência aconteceram por causa dela...sempre achei estranho que, se as células da nossa mãe fizeram tanto pela medicina, como é que a família dela nem tem dinheiro para pagar um médico? Não faz sentido. As pessoas ficaram ricas às custas de minha mãe e a gente não recebeu um centavo...".
 

Comecemos do princípio então, para conhecer melhor esta história curiosa.


Henrietta (Hennie) descende de escravos plantadores de fumo, nasceu em Roanoke, Virginia, nos EUA, com o nome de Loretta Pleasant, em 1 de agosto de 1920. A mãe de Hennie morreu ao dar à luz seu décimo filho, em 1924, deixando a menina, que tinha apenas quatro anos, órfã, sendo que, em seguida, ela e seus nove irmãos serão abandonados por seu pai. As crianças foram distribuídas e a garota foi morar com seu avô materno.


A menina frequentou uma escola segregada para afro-americanos, mas na sexta série acaba abandonando os estudos, por ordem do avô, para trabalhar nos campos de tabaco, que seus antepassados, escravizados, um dia também trabalharam.


Apenas alguns meses após seu aniversário de 14 anos, ela teve seu primeiro filho. Quatro anos depois veio uma filha, que sofria de epilepsia, e problemas de desenvolvimento. Ela teve ao todo cinco filhos.
 
Pouco antes de sua última gravidez, Henrietta começou a ter dor vaginal durante o sexo. Essa dor se intensificou após o nascimento do último filho.


Quatro meses depois, a pobre mulher encontrou um “nó” do tamanho da ponta de seu dedo mindinho, em seu colo de útero. Ela foi levada para o Hospital Johns Hopkins, o único de Baltimore, que atendia afro-americanos, em 1951.


Henrietta foi diagnosticada com câncer de colo uterino; e deu início ao tratamento com radiação. No entanto, antes da terapia, foram retiradas amostras das células de HeLa (como ficou conhecida), isto é, seu médico Howard Jones extraiu células do carcinoma de Henrietta, em 1951, sem a permissão da paciente, e pasmem! Estas células se reproduziam "in vitro", no laboratório de cultura em tecidos, do Hospital Johns Hopkins.


As células do colo do útero de Henrietta foram então, encaminhadas ao Dr. George Gey Otto. Estas células, tornaram-se o que se conhece como HeLa - linha celular imortal - comumente usada em pesquisa biomédica.


Estima-se que as células HeLa, enfileiradas, dariam um total três voltas ao redor da Terra.


Lacks morreu em 1951. Só em 2010, é que Henrietta terá direito a uma lapide, doada pelo Dr. Roland Pattillo, da Morehouse School of Medicine, isso depois de ler : “A Vida Imortal de Henrietta Lacks”. 


Mas, como as células imortais desta mulher foram descobertas?


Richard TeLinde, chefe de ginecologia na Universidade Johns Hopkins, estava estudando o câncer, em 1951; por isso, ordenou a seus médicos que colhessem rotineiramente, células saudáveis e cancerosas, durante procedimentos ginecológicos. Ele entregava essas amostras à George Gey, chefe de pesquisa em tecidos da Universidade, para que ele tentasse cultivar as células em laboratório, e assim poder estudá-las. 

O pesquisador, Dr. George Gey Otto descobriu que as células HeLa, faziam algo que ele nunca tinha visto antes: elas podiam ser mantidas vivas e crescer

Até então, outras células cultivadas, de um paciente qualquer, podiam sobreviver apenas poucos dias. Os cientistas passavam mais tempo tentando manter as células vivas, do que realizando a investigação científica, propriamente dita. Mas, as amostras de células, do tumor de Lacks, comportavam-se de forma diferente, como já vimos. As células cancerosas dobravam de número a cada 24 horas, e eram tão agressivas que se recusavam a morrer. O câncer de Henrietta tinha transformado suas células nas primeiras de origem humana, que eram “imortais”. Estas células, coletadas em 1951, são usadas até hoje. 

Isso representou, de fato, um excelente progresso para o estudo de infinitas doenças e condições. Gey começou a contar aos seus colegas sobre HeLa, e pedidos de amostras começaram à chover.


Jonas Falk, por exemplo, usou as células para desenvolver a vacina contra a poliomielite – o que, por sua vez, salvou (e ainda salva) a vida de muitas pessoas. As células de Henrietta também se tornaram as primeiras células humanas a serem clonadas, em 1955. HeLa ainda permitiu aos cientistas, finalmente, identificar o número de cromossomos humanos.


HeLa pode ser exposta a radiação, infecções e toxinas, em doses impossíveis de serem suportadas em seres humanos vivos. HeLa pode ser bombardeada com drogas, a fim de encontrar algo que mate o câncer. Com isso, mais de 11.000 patentes já foram registradas, usando HeLa, e, a partir de 2001, cinco prêmios Nobel foram concedidos, para pesquisas com células HeLa.


O professor Donald Defler disse certa vez, uma verdade que não deve ser esquecida jamais: "As células HeLa foram uma das coisas mais importantes que aconteceram à medicina nos últimos cem anos”.


A autora do livro que conta a história de Henrietta, e que abordou aspectos importantes sobre ciência, ética, raça e classe, relata que, por vezes, contemplava a foto de Lacks, e questionava, o que a falecida senhora acharia, ao saber que suas células imortais eram compradas, vendidas, embaladas e expedidas, aos trilhões, para laboratórios de todo o mundo.


Todo mundo quer um pedaço de Henrietta, de forma que o Instituto Tuskegee produz as células em massa, enviando 20 mil tubos de ensaio a cada semana. Estima-se que, se todas as células HeLa usadas nos últimos 60 anos fossem amontoadas, esse monte pesaria 50 milhões de toneladas.


O livro que relata a história desta incrível mulher, segundo a mesma autora, revela subterrâneos sombrios da produção da ciência e a necessidade de novo contrato social e ético, entre ciência e sociedade; para além de maquiagens bioéticas, exigindo-se meios reais de contenção de abusos. Isso porque, a Henrietta e sua família foram legadas ao esquecimento, apesar de tanto haver contribuído para a salvação de vidas.


O marido de Henrietta e seus filhos só descobriram sobre HeLa, em 1973, quando pesquisadores apareceram em sua porta, querendo amostras de sangue. A família Lacks foi totalmente surpreendida ao descobrir a indústria multibilionária que surgiu, para vender as células de Henrietta.


E, mesmo assim, a contribuição da mulher pobre e negra passou despercebida. Pior, os Lacks não têm nenhum direito sobre as HeLas, e nunca puderam sequer decidir como as células são usadas. Com todas as vidas salvas por Henrietta, sua família ainda vivia em extrema pobreza, incapaz até mesmo de ter plano de saúde.


Isso só começou a mudar quando, a BBC filmou um documentário sobre Henrietta, em 1998. Então, a família Lacks foi homenageada, pelo Museu Smithsonian, e pela Fundação Nacional para a Pesquisa do Câncer, nos EUA.


Mais tarde, em 2010, Rebecca Skloot escreveu a história de Henrietta, o título do livro é: “A Vida Imortal de Henrietta Lacks”, e Oprah Winfrey comprou os direitos para fazer um filme sobre ela. Skloot criou uma fundação usando alguns dos recursos obtidos com seu livro, para ajudar financeiramente a família Lacks, e prestar cuidados de saúde para eles, e, no mesmo ano, finalmente, uma lápide foi doada, e colocada no que até então era a cova anônima de Henrietta – a verdadeira heroína desconhecida.


Obs.: Boa parte deste texto é de autoria de Natasha Romanzoti, sofrendo alguns acréscimos, feitos por mim, a partir de material retirado da enciclopédia Wikipédia.


Fontes:

A ciência chama a minha mãe de HeLa, diz Deborah Lacks.2011.Publicação eletrônica. Disponível em:


Wikipédia, a enciclopédia livre. Henrietta Lacks. Publicação eletrônica. Disponível em: https://translate.google.com.br/translate?hl=ptBR&sl=en&u=https://en.wikipedia.org/wiki/Henrietta_Lacks&prev=search. Acesso em 19 out. 2015.




 


Nenhum comentário:

Postar um comentário