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terça-feira, 13 de outubro de 2015

A Diva Nina Simone e a música como expressão dos direitos civis.


Ela é a perfeita imagem de uma mulher negra de sua época: uma guerreira. 


Sob opressão de um racismo intenso de sua época, e sofrendo com a bipolaridade, esta mulher ainda assim foi capaz de conquistar o mundo com seu talento e voz, marcando a história da música, ao mesmo tempo em que se engajou na luta contra o racismo, e pelos direitos civis norte-americano

Eunice Kathleen Waymon (1933-2003), mais conhecida pelo nome artístico - Nina Simone - foi uma pianista, cantora e compositora, que fez sucesso em variados estilos musicais, dentre eles o jazz, blues, pop, folk, além de outros estilos.

Mais tarde, com letras cheias de raiva e indignação, a cantora deixou claro, em seu repertório musical, a luta que travava a  favor dos direitos civis dos negros americanos.

                                       “É uma obrigação artística refletir o meu tempo”. Nina Simone.

O nome artístico surgiu quando tinha apenas 20 anos de idade, e precisava cantar blues escondida de seus pais (uma ministra metodista e um marceneiro), em bares de de Nova York, Filadélfia e Atlantic City. O jovem talentosa era treinada na severa Juilliard School, de Nova Yorque, para tornar-se uma pianista clássica, mas, foi impedida de ingressar no  conservatório de música clássica Curtis Institute of  Music (ninguém tirou de sua cabeça a possibilidade de ter sido rejeitada porque era negra.

O nome de guerra "Nina" é proveniente da palavra em espanhol para menina, e "Simone" em homenagem à atriz francesa Simone Signoret.

Nina sofreu a dureza do racismo, desde muito cedo. Em seu primeiro recital, aos 11 anos de idade, teve a ousadia de solicitar que seus pais fossem deslocados das últimas fileiras da plateia, para perto do palco, caso contrário não tocaria. Seus pais certamente foram obrigados a ficar no fundo da plateia, pelo mesmo motivo que obrigava todo negro americano a levantar-se da cadeira de um ônibus, para um branco sentar-se.

E foi por estas e outras violências sofridas, de cunho racista, que Nina posicionou-se contra o racismo, e engajou-se no movimento de luta pelos direitos civis americanos, que teve início da década de 60, nos EUA. Em seu envolvimento com o ativismo negro, Nina foi preterida para cantar no enterro do líder pacifista do movimento, Martin Luther King.

 
 Por que? O Rei do amor está morto.

O movimento dos direitos civis foi um dos momentos mais importantes da história dos EUA, concentrado principalmente nos estados do sul do país, entre os anos de 1954 e 1968, e que ficou marcado por intensas rebeliões e ações de resistência da comunidade negra, que exigia o fim da segregação racial imposta pela supremacia branca. 

O objetivo era questionar e boicotar decisões claramente racistas, como as proibições sociais cotidianas,  impostas aos negros, e os direitos cedidos apenas às pessoas brancas. O processo de conseguir igualdade perante a lei, para todas as camadas da população, independente de cor, raça ou religião, foi longo, extenuante, e até mesmo violento e fracassado, chegando a alguns países, naquele período. 

Foi nos EUA que surgiram movimentos como o Black Power e os Panteras Negras, que abordaremos, oportunamente. Sugiro que vejam a postagem do dia 13 de novembro de 2015, com o título:"Assata, a primeira mulher (negra e inocente) a figurar como a mais procurada pelo FBI (parte 1 e 2) ", 

Ainda hoje podemos ver, ouvir e sentir a amargura de Nina Simone, no seu piano e em suas letras, e que ajudaram o movimento, mas, trouxeram em contrapartida, para a cantora, consequências em sua carreira, onde passou a ser negligenciada e evitada pelas casas de show, gravadoras e parte do público, que evitavam se envolver diretamente com a causa.

A história de Nina Simone começa em 1933, na Carolina do Norte, onde nasceu. Eunice Waymon sofreu desde pequena com os males do racismo, e apesar disso, sonhou em ser a primeira pianista clássica negra, dos Estados Unidos. O sonho ficou como uma eterna frustração para a cantora? Possivelmente, pois, ela não foi aceita no tão sonhado conservatório de música clássica, entretanto, fez mais e melhor; ela conquistou o mundo com sua voz, carisma, e força.

Nina descobriria seu talento para cantar, quando trabalhou em um bar, tocando piano, e sofria forte assedio de seu chefe, para que cantasse, enquanto tocava.


Em sua carreira, Nina interpretou canções de diversos estilos, indo do gospel ao soul, tendo também composto muitas canções. Ela era disputada por casas de show de Nova Yorque.

Sua canção Mississippi Goddamn tornou-se um hino do ativismo da causa negra. Fala sobre o assassinato de quatro crianças negras, em uma igreja de Birmingham, em 1963.

                              Nina Simone - Mississippi Goddam


Nina esteve duas vezes no Brasil, onde gravou "Pronta pra cantar (Ready to sing)", com Maria Bethânia, em 1990. Seu último show ocorreu em 1997, no Metropolitan. 


                            Ready to sing com Nina Simone e Maria Bethânia


A bipolaridade tornou a vida desta talentosa artista, inda mais complicada, cheia de altos e baixos, levando-a à abandonar os palco, algumas vezes. Isso levou a cantora a viver momentos de miséria, quando dependia da ajuda de amigos, para sobrevier. Sem contar o casamento violento, em que Nina era espancada pelo marido, um ex-policial, que gerencou sua carreira.

Esgotada pela violência, e conflitos, Nina Simone resolveu se afastar dos holofotes e deixou os Estados Unidos, em 1970. Foi viver em  Barbados, depois passou um longo período na Libéria, Suíça, Holanda e França, onde acabou fixando residência.  

Nina morreu enquanto dormia em Carry-le-Rouet, em 2003, após lutar por vários anos contra um câncer de mama. Mas, ainda hoje é lembrada, reconhecida, por suas lindas canções.

Recomendo que vejam um documentário sobre essa grande brilhante cantora, no NETFLIX.


Fontes:


Wikipédia. Nina Simone. Disponível em:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Nina_Simone. Acesso em 13 out. 2015.

Wikipédia.Movimento dos Direitos Civis. Disponível em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_dos_direitos_civis. Acesso em 13 out. 2015.

Kauê Vieira. Nina Simone e a música como expressão dos direitos civis. Disponível em: http://www.afreaka.com.br/notas/nina-simone-e-musica-como-expressao-dos-direitos-civis/. Acesso em 13 out. 2015.

Vitor Martins. Nina Simone: uma cantora de verdade. http://obviousmag.org/archives/2012/03/nina_simone_uma_cantora_da_verdade.html. Acesso em 2015.


Paz!

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