Menu Suspenso

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

As vítimas "negras" do Holocausto

O holocausto dos judeus, na Alemanha, durante a segunda guerra mundial, tem sido objeto de especulações, havendo até quem diga que, ele de fato, nunca ocorreu. Conjecturas a parte, vamos apresentar três pessoas negras (mas a lista é bem maior), que foram vítimas da eugenia ariana alemã. 

O destino do povo negro, na Alemanha nazista, e nos territórios ocupados pelos alemães, foi o isolamento, perseguição, fome, trabalhos forçados, esterilização, experimentação médica, encarceramento, torturas e assassinatos.

Até mesmo, antes da segunda guerra mundial, os filhos de soldados negros,  com mulheres alemãs, chamados de "Rhineland Bastards", sofriam discriminação racial, sendo isolados socialmente e economicamente. Isto quer dizer que, os negros não eram autorizados à frequentar a faculdade, sofriam discriminação na contratação de postos de trabalho, como no caso das forças armadas. Sofriam com a propaganda enganosa racista contra soldados negros, representado-os como estupradores de mulheres e portadores de doenças venéreas. E, o parlamento alemão chegou ao cúmulo de promulgar uma lei contra casamentos mistos, nas colônias africanas.

Com a ascensão dos nazistas, ao poder, os negros foram mais uma vez, alvo da política racial nazista, sendo, secretamente, presos, esterilizados, submetidos à experiências médicas; e alguns misteriosamente "desapareceram".

Hitler disse certa vez, que "... foram os judeus que trouxeram os negros ao Reno, com o claro objetivo de arruinar a raça branca..."

Muitos membros afro-americanos, das forças armadas dos Estados Unidos,  que foram libertados, depois de sofrer cativeiro nos campos de concentração, foram testemunhas das atrocidades cometidas pelos nazistas. Em um incidente, em 17 de Junho de 1940, as tropas coloniais francesas africanas lutaram sem sucesso contra as divisões Panzer alemãs, perto de Lyons. Os 212 africanos capturados foram simplesmente, alinhados e executados a bala. Face à derrota, na Segunda Guerra Mundial, em negociações para acabar com a guerra, os alemães exigiram que nenhum soldado negro pisasse na Alemanha que seria ocupada pelos aliados, um pedido que foi negado.

Alguns negros vítimas do nazismo foram: Lionel Romney, um marinheiro americano, preso do campo de concentração de Mauthausen. Jean Marcel Nicolas, um cidadão haitiano, preso em campos de concentração de Buchenwald - Dora-Mittelbau - Alemanha. Jean Voste africano belga, foi preso no campo de concentração de Dachau. Bayume Mohamed Hussein da Tanzânia, morreu no campo de Sachsenhausen, perto de Berlim. Muitos foram os soldados negros mortos antes mesmo de chegarem aos campos de concentração, e outros tantos morriam de maus-tratos nos campos, sob tortura, trabalho forçado. O Dr. Roberto W. Kestling, arquivista no Museu Memorial do Holocausto, em Washington, DC, estima que, pelo menos 55.000  negros não-combatentes morreram, de 1933 à 1945, entre crianças, mulheres, sem justificativas.

Esse é Hilário Gilges, (1909 - 1933) conhecido como "Lari" Gilges. Ele foi dançarino de sapateado, era afro-alemão, ator e comunista, e acabou sendo assassinado com a idade de 24 anos, pelos nazistas.

O Jovem foi um dos primeiros (e poucos) alemães negros, nascidos no país, antes da Primeira Guerra Mundial. Sua mãe Maria Stüttgen era uma trabalhadora têxtil em Düsseldorf. A origem de seu pai biológico, não se sabe ao certo, mas, especula-se, tenha sido um africano que trabalhou em um barco rebocador. Mais tarde, Maria casou-se com Franz Peter Gilges, em 1915, dando ao menino o nome da família Gilges.

No início de 1933, depois que os nazistas tomaram o poder, Hilário Gilges tentou se esconder, mas, a sua visibilidade, devido à cor de sua pele, tornou isso difícil. Em junho, desse mesmo ano, ele foi sequestrado de seu apartamento, na cidade de Altstadt, distrito de Düsseldorf, e brutalmente torturado e assassinado.



Lionel Romney, um marinheiro dos EUA, foi o único negro mantido em cativeiro, no campo de concentração chamado Munchhausen-Gasen, que sobreviveu.

Romney nasceu em 26 de dezembro de 1912, em uma pequena ilha - St. Martin - nas Antillas. Dedicou sua vida ao mar; ele era um Vaporino (termo comumente usado no Panamá para identificar aqueles que trabalham em navios, que percorriam os sete mares), até que, em 07 de julho de 1940, enquanto navegava no Mediterrâneo, seu barco quebrou, sendo feito prisioneiro, pelo exército italiano. Ele foi conduzido através dos Alpes, Bolzano, no sentido de Innsbruck, Linz, e, em 1944, alcançou o "crematório", o campo de concentração de Mauthausen. 

Lionel, falava Inglês e Espanhol, devido aos anos de contato com outros barcos, de várias nacionalidades. Ele aprendeu a se comunicar em alemão, italiano, francês e holandês. Essas habilidades, possivelmente, impediram o seu extermínio, antes de sua libertação, em 5 de maio de 1945.



Bayume Mohamed Hussein  
 Photograph: Filmakademie Baden-Wuerttemberg

Mahjub bin Adam Mohamed (1904-1944) nasceu na Tanzânia, e mudou-se para a Alemanha, na década de 1920. Ele serviu na Primeira Guerra Mundial, pela força de proteção da África Oriental Alemã, como uma criança-soldado. Mais tarde, ele foi viver em Berlim, onde requereu indenização pelos trabalhos prestados, reivindicação esta que acabou sendo negada. Depois foi trabalhar como garçom, assistente de línguas, e como ator

Apesar de ter lutado pela Alemanha, em 1934, negaram  à Hussein o distintivo denominado: "Frontkämpfer-Abzeichen", que era concedido em honra aos veteranos, da linha de frente. Entretanto, Hussein usava o distintivo juntamente com o uniforme, em comícios do movimento neo-colonialista alemão. Ele provavelmente os havia comprado de algum militar.

Uma prática comum, da Alemanha, antes do nazismo, era o fornecimento, aos imigrantes das ex-colônias alemãs, de passaportes com a nota: "Deutscher Schutzbefohlenen" (alemão protegido). Porém, isso não lhes garantia cidadania plena. Não se sabe se Hussein recebeu tal cidadania. Após a ascensão de Hitler e do nazismo, sabemos o que ocorreu aos alemães negros, das ex-colônias (morte).

Em 1939, Hussein tentou se alistar para lutar contra os britânicos, pedido negado.

Em agosto de 1941, ele foi preso pela Gestapo, em um campo de concentração, por causa de um relacionamento com uma mulher "alemã/ariana", vindo a morrer depois de três anos de encarceramento.

Muitos negros e negras como Hilário Gilges e Mahjub bin Adam Mohamed foram barbaramente maltratados e assassinados, nesta covardia chamada Holocausto, que tinha como base o racismo, que incluía a crença numa pseudo-superioridade branca.

Infelizmente, muito se fala dos judeus (brancos) que foram mortos, mas, poucos citam os negros que foram covardemente assassinados, pelo regime racista de Hitler.


Fontes:

Wikipédia. Hilarius Gilges. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Hilarius_Gilges. Acesso em 25 set. 2015.


The Forgotten Black Victims of the Holocaust. Disponível em:
https://criticxxtreme.wordpress.com/2013/05/05/black-victims-of-the-holocaust/. Acesso em 25 set. 2015.

¿ Fueron los negros perseguidos en Alemania nazi? Disponível em:
http://www.etnianegrapanama.org/Alemania.html. Acesso em 25 set. 2015.

Anthony C. McLean H. El Holocausto Negro, de Alemania Nazi. 2007. Disponível em:http://www.etnianegrapanama.org/Holocausto.html. Acesso em 25 set. 2015.

Blacks during the Holocaust.  Disponível em: http://www.ushmm.org/wlc/en/article.php?ModuleId=10005479. Acesso em 25 set. 2015.

Bayume Mohamed Husen. Disponível em:https://de.wikipedia.org/wiki/Bayume_Mohamed_Husen.Acesso em 25 set. 2015.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário