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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A maldição de Caim sobre os negros é uma falácia!


A maldição da África e seus habitantes é uma falácia!

Existe uma ala do cristianismo (um absurdo!), que tem a capacidade de acreditar que, a pele negra é a marca de Caim.

Em Gênesis 4:15 temos o relato de que Caim matou o próprio irmão e foi amaldiçoado, e, por isso, recebeu uma marca:  “o Senhor, porém, disse-lhe: portanto, qualquer que, matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs, o Senhor, um sinal em Caim, para que o não ferisse, qualquer que o achasse”.

Quanto à tal marca, ninguém pode tecer um comentário concreto, vez que a bíblia não é clara neste quesito, e qualquer conjectura neste sentido, não passaria de mera suposição. Além disso, nada indica que, a cor da pele seja a tal marca, e se tivesse de ser a cor da pele, teria de ser a cor branca, porque o homem original, a arqueologia comprova isto, os primeiros homens eram africanos. Veja a notícia, do portal globo (entre tantas outras, à respeito dos homens primitivos):

O portal G1 traz a seguinte matéria:

“Os repórteres Sônia Bridi e Paulo Zero foram até a Etiópia, na África, conhecer o vale onde foram encontrados os indícios mais importantes, das nossas origens. Fósseis que, explicam a evolução do homem. São os primeiros capítulos da jornada, da nossa vida”.

Sim! A Etiópia é o berço da humanidade, onde tudo começou. Lembram da Lucy? Ela é a Eva do mundo arqueológico...

Lucy é um fóssil de 3,2 milhões de anos, descoberto em 1974, pelos pesquisadores Donald Johanson e Tom Gray, na Etiópia. A descoberta de Lucy foi muito importante porque, destruiu ideias racistas, sobre a origem do homem. Tal descoberta confirmou que, os mais antigos hominídeos emergiram, no continente africano. Ou seja, a humanidade era monogênica – tinha uma única origem – e surgiu na África. As teses anteriores falavam de uma origem poligênica, proveniente da Ásia. Em suma: não se admitia que, o ser humano pudesse ter surgido, em um continente considerado como o local dos tipos mais primitivos da raça humana.

Diante disso, se a marca de Caim tivesse de ser a cor da pele, esta teria de ser a cor branca, porque o normal de nossos ancestrais mais primitivos, já vimos que era ter uma quantidade considerável de melanina na pele. E se raciocinar-mos bem, a falta de melanina (as pessoas brancas tem menos melanina, que as negras) é uma mutação genética, tanto que, existe o albinismo, que é o extremo dessa mutação, e que leva muitos humanos à morte, devido ao câncer de pele.

Neste quesito,  Frances Cress Welsing, concorda comigo. Ela, uma afrocentrista e psiquiatra americana, defende a Teoria chamada "Cress de Color-Confrontation e Racism" (Supremacia Branca), onde postula que, as pessoas brancas são o resultado de uma mutação genética do albinismo, e são, portanto, os descendentes párias, dos povos originários da África.


Temos, possivelmente, uma falácia primitiva, arrogante e racista, quando querem amaldiçoar as pessoas de pele negra. Ou no mínimo, uma grotesca falta de discernimento, na interpretação das escrituras sagradas (Torá e Bíblia).

Utilizando as palavras do Historiador e Afrocentrista, Walter Passos,“a maldição da África e seus habitantes é uma falácia, pois, faz referência a um período onde, a questão epitelial não era determinante, ou seja, não há maldição epitelial, neste período histórico, e no entanto, o racismo teológico, criado pelos europeus, e ensinado no Brasil, pelo cristianismo, ainda é a base de interpretações equivocadas, de pastores e pastoras”.

Em teologia, diz-se que, o missionário transcultural deve tomar muito cuidado, para não influenciar elementos da cultura, do povo no qual atua, para não haver perda ou alteração da cultura existente. Esse é um princípio antropológico básico, mas, nós, humanos, tendemos ao etnocentrismo, e foi assim que, a cultura cristã, seguida da eugenia europeia, impôs à África, uma teologia racista, que determinou uma das maiores mudanças culturais da história humana. E o pior é que, essa influência plantou a semente de uma teologia, que faz referencia à África, como o continente de um povo amaldiçoado por Deus (maldição de Caim ou de Canaã?). Visto que, os aspectos da vida cultural estão ligados entre si, a alteração mínima, de somente um deles, pode ocasionar efeitos em todos os outros; e no caso da teoria da maldição, com ajuda do cristianismo, foi capaz de realizar uma mudança grotesca, na África, resultando inclusive, numa permissividade, quanto à escravatura, que roubou a África de seu bem mais precioso, a identidade de seu povo, a sua história e dignidade.

E pensar que, o cristianismo está em dívida histórica, com o povo africano, porque não está livre de erros, cometidos por seus seguidores. Veja a notável contradição: temos um continente negro, de grandes feitos históricos, com imensas descobertas, legadas por seu povo à humanidade (foi o caso da era egípcia), e no entanto, o mundo acostumou-se a ver este continente, como uma terra de selvagens e ignorantes, mas, qual continente utilizou o cristianismo, conforme frisou Walter Passos, como arma cultural de extermínio, e veja que, temos um imenso contraste ideológico, com a introdução da fé cristã na África: “para os africanos, o pensar e viver religioso, baseia-se na solidariedade e na comunidade, práticas antagônicas ao cristianismo, embasado na individualidade e prosperidade pessoal”. Quem é o selvagem e ignorante afinal ?

Saibam que, a intenção aqui,  é chamar todos, à discussão, e não plantar a semente do ódio, aos brancos. Quero apenas, que revejam, repensem, e acabem de vez com a tolice, burrice, que se chama racismo.

 Fontes:
 

L. Randall Wray.Thinking small: ladies, downsize your hubby. 2014. Disponível em:
http://www.economonitor.com/lrwray/2014/10/17/thinking-small-ladies-downsize-your-hubby/. Acesso em 24 ago. 2015.
 
Wikipédia. Frances Cress Welsing. Disponível em:
https://en.wikipedia.org/wiki/Frances_Cress_Welsing.Acesso em 24 ago. 2015.

Jornada da Vida' viaja até o berço da humanidade: a Etiópia.Disponível em:
http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/12/jornada-da-vida-viaja-ate-o-berco-da-humanidade-etiopia.html.Acesso em 24 ago. 2015.
 
Paz!


2 comentários:

  1. ..."uma grotesca falta de discernimento, na interpretação das escrituras sagradas (Torá e Bíblia)"... E que interpretação com discernimento pode ser extraída de um livro de mitos? esse imbecilidade é apenas mais uma entre tantas. quer perder tempo? acredite na mitologia judaico cristã.

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  2. "baseia-se na solidariedade e na comunidade, práticas antagônicas ao cristianismo, embasado na individualidade e prosperidade pessoal". Afirmação típica de quem não conhece o cristianismo, enquanto ensinamentos de Cristo. Onde Cristo ensinou egoísmo?
    Onde se viu que o cristianismo é antagônico à solidariedade e à comunidade? Esta afirmação é de alguém que, definitivamente, não conhece os ensinamentos de Cristo!
    Jesus ensinou a repartir o pão, amar os inimigos, abençoar os perseguidores, socorrer os aflitos!
    "Errais por não conhecer as Escrituras!"

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