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terça-feira, 11 de agosto de 2015

PANAFRICANISMO

SOBRE O MOVIMENTO INTITULADO DE: PANAFRICANISMO:
                                         

 
Já citamos esse termo, em algumas seções de nosso blog, mas, você sabe o que significa?

O que significa Pan-Africanismo?

Segundo Thembi Sekou Okwui (José Raimundo dos S. Silva), pan-africanismo significa: do grego - "Pan" designa “todo”/ “tudo”.

Africanismo seria:

1 – Estudo das coisas da África;
2 – Influência da África;
3 – Costumes ou modos próprios da África;
4 – Palavra ou expressão oriunda das línguas africanas;
5 – Sentimento de amor ou fidelidade às tradições, interesses ou ideias africanas.

Pan-africanismo - “tudo” ou “todo” - relativo à África.

Autor da imagem: não sei, alguém sabe?
  
Em síntese: pan-africanismo é um movimento político, filosófico e social que promove a defesa dos direitos do povo africano, e da unidade do continente africano, no âmbito internacional, isto é, tanto na África, como na diáspora. Então, o movimento proclama a organização, unidade e solidariedade, entre os povos negros do mundo todo. A questão é: o movimento ainda está atuante? Pode-se dizer que, em certa medida sim, pelo menos na diáspora (negros americanos).

Curiosamente, apesar desse movimento elencar, como uma de suas prioridades, a união entre os diferentes países africanos, a ideia de união pan-africana não nasceu no continente negro, e sim, no continente americano. 

Um de seus principais líderes - Sylvester Willians - era advogado de Trinidad - e organizou a primeira conferência Pan-Africana, em 1900, na cidade de Londres, com o intuito de criar um movimento de solidariedade, entre populações negras das colônias. Uma de suas primeiras resoluções foi sair em defesa dos negros da atual África do Sul, que estavam sofrendo com o confisco de terras, por parte de ingleses e de descendentes de holandeses (Dr. Wilkinne). 

Outro nome memorável do pan-africanismo foi o jamaicano Marcus Garvey, um comunicador, empresário e ativista, considerado um dos maiores nomes da história do movimento, e que pretendeu levar os negros da diáspora, de volta à África. Mais detalhes sobre ele, você encontra na postagem que fizemos, com o título: "(Garvey) Um Deus! Uma aspiração! Um destino!", de 29 de julho de 2015.

 "Eu não tenho nenhum desejo de levar todas as pessoas negras de volta para a África, há negros que não são bons elementos aqui, e provavelmente não o serão lá" (Marcus Garvey).

Neste ponto, deixamos de citar outros nomes do movimento, para lamentar o fato de, não obstante ao grande ideário do panafricanismo, muitos de seus guerreiros acabaram sendo legados ao esquecimento. 

Exemplo disso: você sabe quem foram Du Bois Kwame Nkrumah? 

Eis o motivo, porque pretendemos homenagear estes importantes personagens do ativismo negro. E também, tencionamos despertar os jovens, para que continuem a luta contra o racismo e pelo orgulho de sua cor.

Lamentavelmente, o pan-africanismo já é visto como uma ideologia em extinção, entretanto, deixou alguns frutos benéficos, como a Organização de Unidade Africana (OUA), criada em 1963, em Addis Abeba, Etiópia, por iniciativa do Imperador etíope Haile Selassie, com adesão de 32 países africanos independentes, e que buscou enfrentar o colonialismo e o neocolonialismo, e apropriação das suas riquezas. A OUA foi substituída pela União Africana em 2002.

Dentre as propostas da OUA estava a estruturação social do continente africano, por meio de um remanejamento étnico na África, unindo grupos separados, e separando grupos rivais (haja vista que, a divisão continental africana foi imposta pelos colonizadores europeus). Além disso pretendia-se realizar um resgate de práticas religiosas, como culto aos ancestrais, e incentivo ao uso de línguas nativas, anteriormente proibidos pelos colonizadores.

Sobre os colonizadores e a modernidade, no livro - "Os princípios do Pan-africanismo" - do advogado nigeriano - Charles Olapido Akinde - entendemos que a luta assume nova roupagem, para um problema que é velho e contemporâneo.

Na obra citada, Akinde visou abrir caminho, para uma unidade africana, apresentando uma apreciação demolidora da generalidade das classes políticas africanas. E face a isso, ele enfatiza a importância do pan-africanismo, para os dias atuais. Vejamos:

“Muitos dos intelectuais africanos foram instruídos e treinados, no âmbito de um contexto, onde os valores básicos foram herdados dos sistemas coloniais, e que se encontram, atualmente, adaptados aos princípios do neocolonialismo (…) Muitos africanos encontram-se incapacitados de poderem analisar a relação e o jogo existentes entre a teoria e prática. Não admira por isso que, seja impossível agrupar todos os africanos, de uma só filosofia. Muitas teorias reacionárias procuram modelar o modo de pensar dos africanos, tentando que se acredite que, os agentes do imperialismo também são oprimidos pelo neocolonialismo”.

Para Olapido, face à opressão sofrida pela maior parte da população africana, que SÃO escravizadas” pelas minorias que possuem o poder econômico e político, nos países africanos, é mister analisar as classes em que se movem esses detentores do poder; poisesse seria o único modo de levar adiante o espírito pan-africanista, que é contra o paternalismo e contra as lideranças políticas, comandadas pelos agentes do imperialismo (Imperialismo moderno).

Tem-se então, no pan-africanismo (para alguns extinto, para outros em fase de renascimento) a única forma revolucionária de denunciar e rejeitar os líderes burgueses, acorrentados aos centros do imperialismo moderno...Mas, para cumprir seu objetivo, esse movimento (o pan-africanismo) precisaria de uma ideologia bem definida, devendo recusar todas as tentativas destinadas à perpetuar a dominação da economia africana, pelos monopólios, e os seus agentes fantoches da África.

Entretanto, o que se vê?... as independências políticas africanas revelarem uma quebra no velho ardor revolucionário, deixando as massas na ignorância e no conformismo (Carlos Esteves Vinhal).

Diante do exposto até aqui, devemos lembrar que somos devedores do pan-africanismo, por ele ter sido uma resposta às teorias raciais desenvolvidas ao longo do século XIX, a exemplo da poligenia e do darwinismo social, que resultou na eugenia, no racismo, imperialismo, fascismo, nazismo, e na luta entre grupos e etnias nacionais na África. Apesar disso, reconhecemos que há um erro no pan-africanismo, que é a tentativa de inventar uma África una, homogênea e indistinta, que ainda hoje está presente nos textos de vários autores africanistas, que tratam o continente no singular, esquecendo de suas diversidades e realidades distintas. Ainda assim, o pan-africanismo pode ser apresentado como questão capaz de traduzir parte dos movimentos negros, da atualidade (HARRIS; ZEGHIDOUR, 2010; SOUZA, 2008; M´BOKOLO, 2007).

Finalizamos com a seguinte conclusão: movimentos como o pan-africanismo devem ser rememorados, para servir de base para uma nova ideologia, capaz de durar enquanto houver inimigo a ser combatido. E o inimigo apenas mudou de máscara. Note que, ainda hoje, é possível sentir na pele (dos negros) de todo mundo, as consequências da dominação europeia de outrora. Dominação essa que, em nossos dias, está manifesta na marginalização das classes menos favorecidas, que são herdeiras da colonização e da escravidão. Sem falar na reformulação, da velha dominação, via poder econômico e político (novo imperialismo).

Alguém sabe dizer, se é pan-africanismo ou panafricanismo?


Fontes:

José Raimundo dos S. Silva.O pan-africanismo em si mesmo. Disponível em: http://cnncba.blogspot.com.br/2007/08/o-pan-africanismo-em-si-mesmo.html. Acesso em 11 ago. 2015.


Wikipédia. Panafricanismo. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pan-africanismo.Acesso em 11 ago. 2015.

Ivaldo marciano de França Lima. Todos os negros são africanos? O Pan-Africanismo e suas ressonâncias no Brasil contemporâneo. Disponível em:
http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1309546368_ARQUIVO_Trabalho_completoANPUHIvaldo2011[1].pdf. Acesso em 11 ago. 2015.

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