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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O Gênio: Malcon X

 Al Hajj Malik Al-Shabazz



Malcon (1925-1965) foi um dos maiores defensores do Nacionalismo Negro, nos Estados Unidos. Ele fundou uma organização denominada - Unidade Afroamericana - cujo objetivo era promover a cooperação entre americanos e africanos, nos moldes dos ideais nacionalistas dos negros originais de Marcus Garvey.

Malcon conseguiu a façanha de conscientizar os brancos americanos das décadas de 50 e 60, sobre seus crimes cometidos, contra os negros. Mas, no fim, acabou sendo ele próprio, mais uma vítima de um sistema racista. Ele foi brutalmente assassinado em 1965.

A história desse grande líder já começa marcada pelo sofrimentoCom apenas seis anos de idade, Malcon viu seu pai, Earl Little, um dedicado trabalhador da UNIA (organização, criada por Marcus Garvey), e que também era pregador batista, ser assassinado pela Legião Negra, entidade que defendia a supremacia branca. Diz-se que, apesar do corpo de seu pai ter sido quase dividido em dois, após um espancado, em que foi jogado na linha férrea, não morreu de imediato, e sim, depois de muita agonia, horas mais tarde.

Louise Little, mãe de Malcolm, não aguentaria tanto sofrimento. Aos 34 anos, teve de assumir o sustento dos seus oito filhos, com risco de não receber auxílio do governo, porque as autoridade não pretendiam indenizá-la, sob justificativa de que seu marido havia cometido suicídio. Certa vez a casa da família Little foi incendiada pelo KKK. 

Vemos que, a história dessa família foi marcada por maus-tratos de todo tipo. Dizem que a mãe de Malcon foi concebida, a partir de um estupro, por um homem branco, e que conseguia emprego, passando-se por mulher branca, mas que era demitida, sempre que descobriam sua origem negra. Então, Louise, como as mulheres negras de sua época, só tinha acesso à empregos domésticos (de certa forma isso ainda não mudou totalmente, pelo menos não aqui no Brasil).

Depois da morte do marido, Louise recebia uma pensão de viúva, e outra da assistência social, mas, esse dinheiro não era suficiente, para cobrir as necessidades de sua prole. O desemprego frequente levou a família praticamente à indigência. Diz-se que, as assistentes sociais do governo tentavam convencer Louise à encaminhar seus filhos para lares adotivos, ao que ela se opunha. Posteriormente, passou-se a questionar a sanidade mental dela, uma vez que, após tantas e intensas pressões, sofreu um colapso nervoso, sendo internada em um hospital psiquiátrico. Nessa altura, Malcolm já havia sido adotado, vendo sua família ser separada.



Abaixo, um trechinho desse clássico. E repare no discurso claro, direto e absurdamente impactante. Malcon, de fato, era um grande orador. Por vezes parecia estar tomado pelo ódio, mas, não sem razão. E acreditem, ele não era um homem mal, ao contrário, era um defensor dos direitos humanos, que mais tarde tornou-se consciente da necessidade de se amar e respeitar ao próximo.


Depois de meditar no que ele disse, que corrobora o que afirmamos neste blog, veja o trailer do filme, aqui:

Para falar desse grande homem, utilizamos como fonte de dados a Wikipédia, porque não dispomos de tempo para pesquisar outras fontes, portanto, sugerimos que você veja o filme, ou compre um livro com a biografia de Malcon X, para conhecê-lo melhor.


Prosseguindo: na escola, Malcolm era considerado um bom aluno, que tirava notas altas, mas, um dia, quando Malcon confidenciou a um professor, que pretendia ser advogado na idade adulta, a reação do pseudo-mestre, mudou para sempre a trajetória de menino afroamericano. O professor disse que a ideia era absurda, ou seja, um negro ser advogado, era impossível, e que no máximo, ele poderia conseguir em emprego e carpinteiro. Esta declaração mudou o comportamento do jovem Malcon, fazendo com que se transformasse, de um "bom aluno", em um "garoto problema". Na adolescência, Malcon acabou em diversas casas de custódia, findando numa cadeia, onde sua vida mudaria radicalmente, mais uma vez. Na prisão, apesar da atitude rebelde e antirreligiosa, onde era conhecido como Satã, ele se transformaria no que acabou sendo até o final de sua vida, isto é, um ativista em prol dos direitos dos negros. Isso depois de (sob influência de seu irmão) tornar-se seguidor de Elijah Muhammad, líder do movimento/religião - Nação do Islã.

Malcolm lia muito, e foi um exímio seguidor e pregador do islã, tanto que recebeu, da Nação do Islã, o seu “X”, que significava seu verdadeiro nome de família africana, que Deus lhe revelaria (afinal, os descendestes dos escravos tinham um nome inventado, lembrem-se que todo escravo recebia o sobrenome de seu senhor). Para Malcon, então, o “X” substituía o Little (que significa: "o pequeno"), herança escravocrata.


O líder religioso Elijah Muhammad tinha interesse em tornar Malcolm "X" conhecido, pois, assim, ele próprio também seria. Ele devia ter conhecido o lado eloquente do jovem orador negro do Omaha, Nebraska. E de fato foi assim, Malcom tornou-se uma personalidade americana de peso, ofuscando líderes como Martin Luther King e o presidente John F. Kennedy (isso em certo período, graças aos seus discursos inflamados).

Malcon X
By Celestine Chua. From: Flickr



O sucesso de Malcon gerou ciúmes no próprio Elijah (líder da nação do islã, nos EUA), que afinal não possuía a coragem e perspicácia do jovem orado, para discutir, por exemplo, com professores universitários. A intensa exposição e repercussão da figura de Malcon contribuiu para alimentar, entre fanáticos muçulmanos negros, o boato que ele tentaria tomar o controle da Nação do Islã. Por fim, Malcon fez uma denúncia pública, da imoralidade praticada por Elijah, e deixou  a nação, mas, não o Islã. Figuras como o maior boxeador de todos os tempos, Muhammad Ali, que também era do islã, não o apoiaram 

Essa iniciativa de Malcon irá trazer-lhe graves consequências. Neste ponto recomendo um documentário sobre Muhammad Ali, que cita essa ocorrência, bem como o arrependimento do boxeador, tempos depois, por não ter apoiado Malcon. Esse documentário retrata um lado de Ali, que eu nem imaginava, pois ele era mais que um mero lutador de boxe, ele era também, um bom arguidor, um religioso. Mas, infelizmente não recordo o título do documentário, então, fico devendo.
Malcolm ficou sabendo do seu banimento, da nação do Islã, que ele tanto havia feito crescer nos EUA, de umas centenas, para milhares de milhares de seguidores, através da imprensa. O jovem (sincero, inteligente, negro e muçulmano) sofreu, a partir da imprensa, humilhações públicas, com manchetes como: “Malcon silenciado”. 

Note: a mídia, nunca é fiel, ela nunca é imparcial, ela movimenta muito dinheiro e poder (domínio de imagem, de influencia pública), por isso, ela retrata o que os interesses escusos delas, querem que seja retratado.


E os muçulmanos negros, também conspiraram para que Malcon X fosse considerado traidor, onde a punição correspondente seria o ostracismo e a morte.

Por sorte, patrocinado pela sua irmã, Malcon viaja para Meca, com o objetivo de conhecer melhor o Islã. Ele agora admitia que Elijah Muhammad havia deturpado a religião, nos Estados Unidos. Ao voltar de sua viagem, o jovem agora marcado para morrer, estava para iniciar uma nova fase, em sua vida, sem ódio e rancor de seu passado de sofrimento. Em uma entrevista coletiva, perguntaram-lhe: “Você ainda acredita que os brancos são demônios?” E ele respondeu: “Os brancos são seres humanos, na medida em que isto for confirmado em suas atitudes em relação aos negros”.

Movido por suas novas ideias, Malcolm fundou a Organização da Unidade Afro-Americana: grupo não religioso e não sectário – criado para unir os afro-americanos. Contudo, em 21 de fevereiro, de 1965, na sede de sua organização, Malcolm recebeu 16 tiros, de balas de calibre 38 e 45, com a maioria deles atingindo seu coração. Malcolm foi assassinado – com apenas 39 anos – em frente de sua esposa, Betty, que estava grávida, e de suas quatro filhas, por três membros da Nação do Islão, que ele havia ajudado a construir. MS Handler escreveu: “Balas fatais acabaram com a carreira de Malcolm X, antes que ele tivesse tempo para desenvolver suas novas ideias”.


Silenciaram um grande homem, mas, o seu nome (sua biografia, sua trajetória) permanece, na mente de quem busca conhecer as grandes personalidades negras, da história da humanidade. E desta forma, com uma breve postagem fizemos uma singela homenagem. 

Encerro neste ponto, deixando uma célebre frase, desse ícone negro,
e herói de seu tempo.

 

Veja um dos discursos eloquentes de Malcon X, em:

  

 

 
Fonte:



Finalmente em paz! Malcon X! 

Um comentário:

  1. não passei nem um pouco do que ele passou, e mesmo assim sinto muito ódio.

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