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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A lendária história da Dinastia salomônica dos Imperadores da Etiópia.

O Kebra Negast ou Kebra Nagast (Glória dos Reis) é um livro que conta a lendária história (pra alguns mitologia) da Dinastia Salomônica, dos Imperadores da Etiópia. Esse livro teve origem há cerca de 700 anos, e foi escrito no idioma ge'ez (idioma etiópico - língua antiga semítica). Sobre as línguas semíticas, as mais faladas atualmente são o árabe e o hebraico (isso te diz algo?). O Glória dos Reis é considerado por muitos membros da Igreja Ortodoxa Etíope, e do Movimento Rastafári, como uma obra de inspiração divina. livro estabelece a dinastia real etíope como sendo herdeira da tradição israelita, isso teve um papel muito importante na conformação da cultura do país.

O texto narra (supostamente) a chegada da dinastia de Salomão, filho de Davi, ao trono da Etiópia. 

O rei Davi de que falamos é aquele que foi o primeiro governante israelita, do chamado Período dos Reis, da história relatada na Bíblia. Então, o livro Kebra Nagast conta a história do encontro entre Makeda, rainha de Sabá, com o rei Salomão, de cuja união teria nascido Menelik I (et. Bayna Lehkem, "Filho do Sábio", i.e. "Filho de Salomão"). Menelik seria então, o primeiro imperador da dinastia etíope (considerado o primeiro Negusa Negast ou "Rei dos Reis"). Deste livro vem a tradição que garante, a Arca da Aliança está na Etiópia, e estaria localizada na Igreja de Santa Maria de Sião, em Axum.

A  Arca da Aliança é descrita na Bíblia como o objeto sagrado onde as tábuas dos Dez Mandamentos, e outros objetos sagrados (um pote de ouro contendo o maná, e a vara de Arão) teriam sido guardados. A arca também era utilizada como meio de comunicação entre Deus e seu povo, além de funcionar como instrumento de guerra. A crença na presença de Deus, na arca, fez com que os hebreus, por várias vezes, carregassem esta, à frente de seus exércitos, nas batalhas (ato que lhes conferia vitórias). Por fim, segundo relata a tradição, a arca teria sido utilizada, pelos hebreus, até seu desaparecimento, durante a conquista de Jerusalém, por Nabucodonosor.
Teorias à parte, se lendária ou não, vejamos o que dizem alguns etíopes, a respeito dessa dinastia. E não quaisquer etíopes, vamos saber dos Beth Israel (conhecidos como Falashas).
Já falamos sobre esses hebreus, na postagem com o título: "Beth Israel (Falashas)", do dia 19 de agosto de 2015. Sugiro que leia sobre eles, antes de prosseguir conosco, aqui.
A história do surgimento dos hebreus, na Etiópia, é descrita pela comunidade Beth Israel (Casa de Israel), através da tradição oral, e através da história documental, mantida por seu povo. Diz-se que alguns historiadores brancos tentaram colocar em dúvida a identidade destes hebreus etíopes, mas, os próprios rabinos do judaísmo (os askenazi e sefarditas)  teriam atestado: Beth Israel (Casa de Israel) é composta de verdadeiros hebreus. Mais adiante, voltaremos ao tema desta postagem, porque agora, precisamos saber quem são estes Falashas. 

Esse povo defende com orgulho a sua ascendência, que seria proveniente da tribo israelita de Dan, e de hebreus que fugiram de Israel, para o Egito, depois da destruição do Primeiro Templo, em 586 a.C. Eles acabaram por instalarem-se na Etiópia, que é considerada como um dos países mais antigos do mundo, onde se encontram sítios arqueológicos que são, potencialmente, o lugar onde o Homo sapiens teve sua origem.


Mais detalhadamente, a tradição oral, preservada pelos sacerdotes da comunidade Falasha, explica que, houve uma migração dos filhos de Israel, para o exílio no Egito, após a destruição do Primeiro Templo, pelos assírios, no ano de 586 a.C, e também no exílio babilônico. Estes hebreus teriam permanecido por centenas de anos no Egito, até o reinado de Cleópatra, chegando à colaborar com ela, na guerra contra Cesar Augustus, mas, como foram derrotados, tiveram de fugir para a Arábia do Sul, e posteriormente para o Yemen; sendo que outros se dirigiram para o Sudão, até chegarem à Etiópia" (isso é o que relata a tradição).
Quanto à origem tribal israelita, dos Falashas, temos o seguinte relato: diz-se que, a descendência de Dan partiu após o Êxodo, rumo ao sul, até a Etiópia (Dan era um dos 12 filhos de Jacó da bíblia). Ao todo, teriam ocorrido pelo menos três ondas de imigração, de israelitas, para esta região. Assim, diversos reinos provenientes de Israel teriam se formado na África, e não são citados porque, segundo alguns estudiosos, são provas incontestes da cor dos descendentes de Abraão (o pai de muitas nações pretas).

Um dos nomes antigos, que designam o território Etíope é Abissínia; e há pouca dúvida - dizem os especialistas - de que os habitantes aborígenes da Abissínia eram negros ou negroides, que vieram do Vale do Nilo. Isso, em um período muito precoce, chamado pré-histórico, quando tribos e povos que viviam no lado ocidental da península  arábica fizeram o seu caminho através do mar da Ásia, rumo à África, partindo de algum lugar da península do Sinai. Então, a parte norte da Abissínia, uma cadeia montanhosa da mesma, tornou-se o principal assentamento destes semitas, que são conhecidos como "Agaw". A partir deles, provavelmente, descendem muitos dos Falashas ou "judeus da Abissínia". Uma das principais tribos dos invasores ficou conhecida como "Habesha", provenientes do YAMAN. A partir de Habesh é que surge o nome Abissínia.

A veracidade do relato da comunidade falasha é tal que, as autoridades israelenses decidiram, em 14 marco de 1977, que a "Lei do Retorno" deveria ser aplicada aos Beth Israel. Diante disso, muitos falashas foram transportados para sua terra ancestral (Israel), através de uma mega operação comandada por israelenses e americanos. É bastante conhecido o fato de esta comunidade (falasha) manter vivo os costumes ancestres do mosaismo, sem a influência do judaísmo askenazi. 
Askenazi é o nome dado aos judeus de origem europeia, que se estabeleceram na Europa Central e Oriental, após a destruição de Jerusalém por Roma, em 70 d.C.

Sobre o termo "falasha", diz-se que seu significado é estrangeiro/sem-terra/exilado, e hoje ele é considerado pejorativo porque foi erroneamente associado ao paganismo. Sabemos então, que este povo era tratado como pessoas de segunda categoria, chegando à sofrer muita discriminação. 
Observação: muito do que você leu nesta página, sobre os falachas, tem como fonte de dados o blog cristão - "os remidos do senhor" - além da Wikipédia, e outras fontes. Dito isso, frisa-se que, não conseguimos descobrir as referências bibliográficas, das informações contidas no blog citado, e como a wiki não costuma ser considerada uma fonte segura de informação, aconselhamos ao estimado leitor, que faça uma pesquisa particular, pois, não somos especialistas, e não podemos apurar os dados que coletamos.
Retomando a questão do livro citado nesta postagem, que fala das origens da linhagem salomônica, dos Imperadores da Etiópia, é sabido que, essa teoria é questionada pela casa de Beth Israel. Segundo os falashas, "o objetivo do livro é proclamar a glória dos reis cristãos, não a glória dos reis hebreus, sendo portanto, um texto escrito, provavelmente, no século XIV, para deslegitimar a dinastia Zagwe, e proclamar a dinastia 'salomônica', que é uma dinastia cristã", considerada ilegítima. Em todo caso, frisa-se que, esse livro é reverenciado como verdade, tanto na Etiópia, pelos cristãos ortodoxos, como nas Américas, pelos grupos rastafáris. 

Para finalizar, descobrimos que, em anos recentes, muitos estudos de DNA foram realizados (estes são considerados controversos), onde, em certos casos, ficou comprovada a origem hebreia dos Beth Israel. Veja mais sobre isso, na postagem que fizemos anteriormente, cujo título é Beta Israel (Falashas). 

Finalizamos esta temática, que buscou abordar o livro Kebra Negast, que fala de uma dinastia etíope, cuja origem remontaria ao rei Salomão (da bíblia) e à rainha de Sabá. Lembrando que, os imperadores desta dinastia receberam os títulos de: "Rei dos Reis (Negus Nagast) e Senhor dos Senhores", agregando outros tantos atributos que reforçavam a autoridade religiosa de seu imperador; chamado de "Leão de Judah, o Eleito de Deus, o Messias Negro". Sobre este imperador, você pode ler a postagem do dia 21 de agosto, de 2015, cujo título é: "Imperador Haile Selassie (rei dos rastafári)". 
Fontes:
Wikipédia. Kebra Negast. Disponível em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Kebra_Negast. Acesso em: 31 ago. 2015.


O Kebra Nagast, por EA Wallis Budge, [1932], disponível em sacred-texts.com.

Wikipédia. Etiópia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Eti%C3%B3pia. Acesso em 31 ago.


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