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terça-feira, 28 de julho de 2015

Bonecas Negras

Nigeriano lança bonecas negras, uma excelente forma de melhorar a autoestima de crianças negras...


 
Aleluia! Chegou a hora de quebrar o estereótipo da beleza branca europeia, que por tanto tempo tem minado a autoestima de crianças negras, em todo o mundo. 

Esse tipo de ideia não é nova, mas, virou notícia, tempos atrás. O nigeriano Taofik Okoya, que era diretor executivo da empresa do seu pai, na África, resolveu largar tudo, para abrir uma empresa de bonecas. 

Tudo começou quando ele precisou comprar uma boneca, para sua sobrinha, mas, constatou que só haviam bonecas brancas. 

“Meu objetivo é mudar a realidade de milhares de crianças com brinquedos próximos de sua realidade”, disse o empresário, que fica muito feliz quando ouve comentários de crianças, dizendo: “Eu gosto dessa boneca. Ela é negra, como eu”. Esse é o primeiro passo para empoderar as futuras mulheres e conscientizá-las sobre a beleza de sua cor.

A linha de bonecas criada por Taofik é a Queens of Africa (Rainhas da África), que são bonecas negras, inspiradas em grandes mulheres da história africana.



E pensar que o estereótipo de beleza branco-europeu, que por tanto tempo impera, tem minando a autoestima de crianças negras, no mundo todo...Espero que a moda das bonecas negras ("lindas") se torne moda, cada vez mais...E que essas crianças se amem mais, como elas são, afinal, elas são lindas!

Agora vejam o vídeo:

Teste de racismo - BONECAS NEGRAS


Esse vídeo é chocante, e mostra o que muitas crianças negras pensam em relação a sua cor. É  de cortar o coração!



O vídeo traz o diálogo, resumido a seguir:

Criança brincando de boneca – Psicólogo conversa com a criança:

Davis: Você pode me mostrar qual dessas bonecas é boa?
Criança 1: aponta para a boneca de cor branca.
Davis: Porque esta é a boneca boa?
Criança 1: Porque ela é branca.
Davis: Você pode me mostrar qual dessas bonecas parece ser má?
Criança 2: aponta para a boneca de cor branca.
Davis: Porque esta parece ser má?
Criança 2: Porque ela é preta.
Davis: Por que você acha que a outra boneca é a boa?
Criança 2: Porque ela é branca.
Davis: E você pode me dar à boneca que parece com você?
Criança 2 encosta na boneca branca, e logo após empurra a boneca preta em direção a pesquisadora.


O Teste de Auto-Percepção realizado neste vídeo foi desenvolvido pelo Psicólogo Educacional Kenneth Bancroft Clark (1914-2005) – o primeiro psicólogo negro à obter doutorado em Psicologia, pela Universidade de Columbia (EUA). 

Em 1939 o teste, que mostrou a percepção que crianças e adolescentes afro-americanos têm em relação a sua cor de pele, foi aplicado em grupos de crianças negras e brancas. Este consistia em exibir quatro bonecas para as crianças – duas negras e duas brancas – e, em seguida, era pedido às crianças que quais bonecas tinham determinadas características: bonita, boa e má. O que se observou foi que, tanto em 1939, como em 1950 - quando o teste foi realizado novamente - uma maioria esmagadora de crianças, tanto negras quanto brancas, atribuiu características de boa e bonita para as bonecas brancas e definiram como má às bonecas negras. 

Em 2005, isto é, 55 anos depois da pesquisa de Kenneth Clark, o jovem Kiri Davis fez o vídeo que citamos acima, intitulado ‘A Girl Like Me’ (Teste de Racismo - Bonecas Negras). O objetivo foi averiguar se, no transcorrer desses 55 anos algo havia mudado. Das 21 crianças negras que participaram do seu documentário, 15 escolheram a boneca negra, como sendo má. Dessa maneira, pode-se afirmar que, no que diz respeito à percepção que as crianças negras tem sobre si mesmas, quando a tensão racial está em jogo, muito pouco foi alterado.
Uma criança que se identifica como negra, e que atribui a uma boneca que representa sua constituição étnico-racial, características negativas, certamente, enfrenta sérios problemas de ordem subjetiva, isto é, apresenta "Auto-Imagem distorcida, baixa Auto-Estima e desenvolvimento de personalidade comprometido". Agora me respondam: quem causou isso? A sociedade branca que criou o racismo. Note: Não estou incitando o ódio, eu quero apenas que se reconheça o erro praticado, e que seja aja de forma a corrigir o mal definitivamente. Que nenhuma criança negra sofra mais com esta atrocidade chamada racismo.

Nas palavras de Kenneth B. Clark, “qualquer ser humano que está sujeito a um status de inferioridade, na sociedade em que vive, tem sido definitivamente afetado no desenvolvimento de suas personalidades; os sinais de instabilidade em sua personalidade são claros”. Embora todo ser humano esteja exposto a uma série de fatores que podem causar danos ao seu desenvolvimento emocional, intelectual e social, o que estão sujeitos a níveis maiores de sofrimento, são aqueles sujeitos à discriminações, por algo impossível de ser revertido – como a cor de sua pele.
A partir do momento em que nascemos, somos imersos numa estrutura social complexa.  A depender de certas características, naturalmente dadas ou constituídas durante nossa trajetória, vão sendo agregados (ao que somos) determinados valores que tem papel determinante em nossa forma de lidar com nós mesmos, com o grupo que consideramos nosso semelhante, e com aqueles que se diferenciam de nós. 

No caso dos sujeitos negros, os valores são, em sua grande maioria, pejorativos, e o movimento de resignificação e de reinvenção de si mesmo depende de diversos fatores culturais, econômicos, sociais e políticos. 

Como disse certa vez Caetano Veloso “cada um sabe a dor e delícia de ser o que é”, mas, infelizmente, para alguns as dores são muito maiores que as delícia, pois, sentir-se inferior, menos atrativo do que outros, e com pouca capacidade intelectual, pelo simples fato de pertencer a um segmento étnico-racial, produz efeitos alarmantes e profundos na auto-estima e na auto-percepção desses sujeitos. E, uma auto-imagem ‘deteriorada’, em muitos casos, gera desdobramentos imensuráveis na vida dos sujeitos, podendo culminar em estados constantes de insegurança, em dificuldades de sociabilização, em dificuldade no desenvolvimento de suas potencialidades, entre outros quadros que refletiriam esse estado de insatisfação interior. 

Como se auto-estimar numa sociedade onde os negros ainda são tão preconceituosamente retratados nos meios de comunicação?

O que se vê nas novelas e filmes? 

Os negros são os empregados domésticos, os  escravos, os criminosos das histórias retratadas.

Como se auto-estimar numa sociedade na qual o negro parece ocupar lugares tão restritos?

São em épocas festivas como o carnaval, em jogos de futebol, ou em cadernos policias que o negro emerge de uma aparente invisibilidade para torna-se visível aos olhos do país, mas, seriamos nós só música, futebol e crimes? 

Como se auto-estimar numa sociedade em que, só recentemente o mercado reconheceu que são necessários diferentes produtos, para diferentes segmentos populacionais? Que só a pouco se rendeu aos apelos de milhares de consumidores que precisavam e exigiam que suas especificidades fossem respeitadas?

Agora temos produtos para cabelos cacheados e crespos, à disposição em qualquer prateleira de supermercado, além de uma infinidade de outros produtos, como bonecas negras para crianças negras brincarem, e se identificarem (e temos a expectativa de que essa identificação seja cada vez mais positiva).

Estimar-se significa ter apreço por si mesmo, isto é, atribuir a si próprio valores benéficos. Em contrapartida, o que o Teste de Auto-Percepção, que vimos anteriormente (teste das bonecas), nos apresenta são crianças (em sua grande maioria) que atribuem valores benéficos a algo diferente daquilo que elas consideram ser, já que elas são tão negras como as bonecas que elas (as crianças) definem como más.

Esse resultado é assustadoramente triste, injusto e preocupante! Então, o que podemos fazer para reverter esse quadro?

Precisamos dar mais atenção à educação que nossas crianças negras recebem dentro e fora de casa, de forma a nos empenharmos em transmitir a elas o quanto é positivo ser o que são.

Elas necessitam estar em contato com a história de seus antepassados (heróis negros), e concomitantemente, deve-se mostrar-lhes os atores dessa recente história de luta, de conquistas e de transformações.

Faz-se também, de extrema relevância, que modifiquemos a nossa forma dicotomizada de lidar com as relações raciais, isto é, torna-se imprescindível que, abandonemos a postura de nos colocarmos como antitéticos a tudo que ser branco alguma vez já representou, representa ou pode vir a representar.

Essas práticas são apenas algumas das muitas que necessitamos concretizar, visto que a construção de uma Auto-Estima fortalecida tem o poder de modificar radicalmente a maneira dos sujeitos lidarem com a sua ‘negritude’, ou com a maneira de ser dos demais: negros ou não-negros. Em outras palavras, a autoestima sadia permite que vivamos bem conosco e com as demais pessoas, respeitando e sendo respeitados, alcançando, mais facilmente, a felicidade.

Uma coisa é certa, conclui o autor deste texto: todo ser humano - independente de ‘raça’, de classe social, de gênero, de nacionalidade, etc. – enfrenta insatisfações de maior ou de menor proporção, com o aquilo que acredita ser. A ironia disso tudo é que, embora a insatisfação se apresente, são os fatores como raça, classe social, gênero, etc, que intensificam a complexidade desta problemática, que é gostar de si mesmo.

Por fim, a nós adultos (aquela criança que há muito deixamos de ser, mas que ainda existe dentro de nós), cabe a urgente missão de abrir os braços para a diversidade humana, aprendendo a conviver com a diferença e, acima de tudo, à respeitá-la, para que num futuro não muito distante, quando nossas crianças forem indagadas, sobre qual das bonecas, de diversas cores, é a melhor? que a resposta seja: todas elas.


Recanto das Letras



Passou da hora de mudar essa realidade!

Façamos algo já!

Fontes:
Teste com crianças negras (Tema Racismo). Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/4097954. Acesso em 28 jul. 2015. 

Wikipédia. Kenneth and Mamie Clark. Disponível em: 
https://en.wikipedia.org/wiki/Kenneth_and_Mamie_Clark#Kenneth_Clark. Acesso em 28 jil. 2015.

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