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terça-feira, 28 de julho de 2015

Quem se lembra?



Patrice Lumumba, falaremos dele mais abaixo, afirmou certa vez que, a expulsão dos colonialistas, do continente africano, não foi capaz de acabar com a escravidão de seu povo, porque, o colono continuou à atuar, através de uma prisão mental, no que o ativistas chamou de engenharia da colonização, que consistia em manter a influência cultural, religiosa e política, do dominador europeu, sobre a mente dos africanos.

Então, a verdadeira luta pela independência africana, segundo ele, deveria ser travada no campo psicológico, ao se "resistir à destruição sistemática da cultura africana, da sua história, da sua identidade, e da presença do espectro colonial europeu, nas esferas acadêmica, política e religiosa", das nações africanas.

De fato, "as caravelas podem ter voltado às suas terras de origem, porém, as que atracaram de forma permanente, na memória coletiva da África, ao pregar a amnésia social, a amnésia Africana, e a sonolência espiritual, representam o maior perigo nos tempos modernos" (Patrice Lumumba).

De fato, o tema escravidão ainda é bastante atual, mas, está revestido de novas roupagens, aquelas que atuam na mente do povo negro, seja sobre os que vivem na África, ou sobre os que habitam o restante do mundo. E esta ocorre no desapego às raízes africanas, no desamor aos aspectos negros (cabelo crespo...). Na idealização das características brancas, consideradas mais bonitas (cabelos loiros e lisos, olhos azuis...),etc...

Dito isso, responda: quantas vezes você presenteou sua criança negra com uma Barbie branca? Você ao menos sabe o que é Pan-Africanismo? Você conhece os grandes heróis negros da história humana? Você conhece algo significativo da África, e que não seja o velho estereótipo da fome e escravidão? Você luta contra o racismo? Você gasta horrores, queimando o próprio couro cabeludo, buscando alisar seus cachos? Você é contra as cotas raciais? Sugiro que, medite nas palavras de Malcom X:

“Quem te ensinou à odiar a textura do seu cabelo?
Quem te ensinou à odiar a cor da sua pele, a tal ponto de você alvejar ficar branco?
Quem te ensinou à odiar a forma do seu nariz e lábios?
Quem te ensinou à odiar você mesmo da cabeça aos pés?
Quem te ensinou à odiar os seus iguais? 
Quem te ensinou à odiar a sua raça, tanto que vocês não querem estar perto uns dos outros?
É bom você começar a se perguntar:
Quem te ensinou à odiar o que Deus te deu.”
(MALCOLM X)

 
Para quem não sabe: 

Patrice Émery Lumumba, nascido Élias Okit'Asombo (1925-1961), foi um líder congolês, que lutou contra colonialismo Belga, um pan-africanista influente, que defendeu a solidariedade entre os povos da África, para além dos limites de nação, etnia, cultura, classe e gênero; encorajando uma luta não-violenta, contra o imperailismo branco; e que mantinha-se aberto ao diálogo, com os países desenvolvidos e em desenvolvimento.

“A despeito das fronteiras que nos separam, a despeito de nossas diferenças étnicas, para fazer do continente africano livre e feliz, resgatado da insegurança, do medo e do jugo colonial” (Patrice Lumumba).

Este líder africano, defensor dos direitos dos negros, desde o começo, centrou sua ação política, na unidade da nação congolêsa, acima das vaidades dos chefes tribais, postura que lhe valeu o ódio dos colonialistas, que queriam derrubá-lo, instigando a rivalidade entre as etnias, mediante suborno, promessas e intimidações (repare: por ventura, isso não é parecido, com que o mundo americano e europeu tem tentado fazer aos povos árabes, palestinos, muçulmano?).

Sem ter cursado o ensino superior, Lumumba foi um intelectual autodidata e dedicado a extensas leituras de história mundial e pensamento político. Ele mantinha também, uma aguçada observação das práticas estratégias e opressivas dos colonos belgas, no Congo.

Ao final da década de 50, Lumumba estava sendo inspirado pelos ideais do pan-africanismo, tanto que sua visão e vocabulário assumiram um teor de nacionalismo militante, que defendia a unidade nacional entre as diferentes etnias que compunham o Congo, pela libertação do domínio belga. Ele teve importante papel na conquista da independência de seu país, sendo convidado à formar o primeiro governo do Congo livre, o que fez em 23 de junho de 1960.

Poucos dias após a conquista da independência, Lumumba enfrentou diversas rebeliões dentro do país, além de uma declaração de independência, da então província de Katanga, conduzida pelo rival político Moise Tshombe, com apoio de empresas de exploração de minas, e do governo belga. Assim, o governo do Congo acabou se aproximando da União Soviética, que enviou alimentos, remédios e também armamentos, para combater o levante rebelde. Apesar de um discurso de neutralidade, essa aproximação com o bloco socialista foi o estopim para potências ocidentais, entre elas os Estados Unidos, Reino Unido e a Bélgica, começarem à articular a deposição de Lumumba.

A crise política do Congo estava instalada, e abriu caminho para que o coronel Joseph Mobutu liderasse um golpe de Estado, em setembro, incapacitando Lumumba e Kasavubu juntamente.

Colocado em prisão domiciliar, e sob vigilância de tropas das Nações Unidas, Lumumba tentou fugir em direção a Stanleyville, mas, terminou capturado em dezembro de 1960.

Nenhuma medida foi adotada pelas forças de paz da ONU (pra variar né), apesar dos apelos para que as tropas locais salvassem Lumumba, e do pedido da União Soviética para libertação do ex-premier. Em 17 de janeiro de 1961, Lumumba foi transferido à força para a cidade de Lubumbashi, em Katanga, onde foi torturado e assassinado, por um pelotão de fuzilamento, comandado pelo líder rebelde Moïse Tshombe, ao lado de oficiais belgas. Mas, outra versão diz que, em verdade, Lumumba foi assassinado em condições consideradas misteriosas, no sul do seu país. 

No início dos anos 2000, após a publicação do livro “O assassinato de Lumumba”, a Bélgica criou uma comissão parlamentar, que apontou que o governo belga teve uma parcela de culpa e responsabilidade moral, nos eventos que desencadearam a morte do líder político congolês (World Briefing - The New York Times - 6 de fevereiro de 2002).

Em 2007, documentos secretos, tornados públicos, revelam que, a CIA também tinha planos para assassinar Lumumba. Depois de 53 anos do assassinato deste líder ativista humano, o governo dos Estados Unidos reconheceu que, havia tido participação tanto na destituição política, como na morte do líder congolês.

Em 2013 também foi revelada a participação do Reino Unido na trama para derrubar Lumumba (Hasan Suroor -1 de abril de 2013 - British peer reveals MI6 role in Lumumba killing -The Hindu).

A execução fez de Lumumba um símbolo da luta anticolonialista africana. Ele discursou no dia da independência congolesa, em 30 de junho de 1960, já como primeiro-ministro, aos 35 anos, alertando os povos africanos, para os obstáculos que teriam de suplantar:

“A República do Congo foi proclamada e agora se encontra nas mãos de seus próprios filhos. Juntos vamos começar uma nova luta, uma luta sublime…Vamos mostrar ao mundo o que o homem negro é capaz de fazer quando trabalha em liberdade...E para tanto, estejam certos de que contaremos não apenas com nossa imensa força e imensas riquezas, mas com a assistência de inúmeros países cuja colaboração aceitaremos, se ofertada livremente e sem a tentativa de imposição de uma cultura alienígena, não importa qual seja sua natureza. Conclamo-os à esquecer suas disputas tribais. Elas nos exaurem. Elas trazem o risco de sermos humilhados no exterior”.

Morto sob tortura, à noite, Lumumba deixaria para sua mulher Pauline Opangu uma carta-testamento: “Minha fé se manterá inquebrantável. Eu sei e eu sinto no fundo de mim mesmo que, cedo ou tarde meu país se libertará de todos os seus inimigos internos e externos, que ele se levantará, como um só homem para dizer não ao vergonhoso e degradante colonialismo e reassumir sua dignidade sob um sol puro”.

Diante do exposto, respondam:

Quem indenizará a África? 

E alguém ainda terá a audácia de dizer: para que lembrar estas coisas? para incitar o ódio? Amigos! Se a história já mostrou que, nada no mundo é novo, e tudo se repete...Se não aprendemos com o passado...!

Eu não sou à favor do ódio, mas, que se mantenha viva na memória, as atrocidades cometidas, afim de dar fôlego à luta contra o racismo, que teima em continuar a existir...

 
Fontes: 

Max Altaman. Hoje na História: Patrice Lumumba é assassinado no Congo. 2010. Disponível em:

 http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/2590/conteudo+opera.shtml. Acesso em 28 jul. 2015.
 

Wikipédia. Patrice LumumbaDisponível em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Patrice_Lumumba. Acesso em 28 jul. 2015.

Paz!

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