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sexta-feira, 25 de março de 2016

Mais provas de que a África foi o berço das ciências




É possível que um acidente geológico resultou em reatores nucleares ‘naturais’ melhores equipados do que os reatores existentes hoje? Na África, em uma montanha há rejeitos de urânio. Depósitos que sugerem a existência de uma civilização avançada há 2 bilhões de anos atrás.

Chamado de ‘monstro atômico’, em todo o mundo não houve maior produtor de energia nuclear e mais eficiente. Paredes com ângulos inclinados, isolamento para o lixo nuclear e a melhor refrigeração que a engenharia poderia desenvolver. Ele tinha uma estrutura bem concebida que poderia tê-lo mantido para sempre. Assim, após o período da ‘grande destruição’, muitas civilizações posteriores tentaram explorar o que restava do ‘monstro’ para voltar aos dias de glória.
Mas o prédio foi muito dilapidado e o sistema de reciclagem de urânio já não funcionava. Finalmente, ao longo dos milênios, as paredes e os canais de refrigeração foram oxidados, corroídos e acabaram sendo confundidos com a montanha que antigamente os havia abrigado. Milhões de anos mais tarde, o único remanescente de uma tecnologia de construção que existia naquele lugar era o material empobrecido, o resto do reator estava irreconhecível.
Este cenário de ficção não poderia ter sido muito diferente do real, quando você considerar que para muitos cientistas a existência de um ‘reator nuclear no Gabão’, um depósito de urânio gigante encontrado na África na década de setenta, é um fenômeno que nunca poderia ter acontecido naturalmente.
A partir de uma idade aproximada de 2 bilhões de anos, Oklo mina na República do Gabão, saltou à luz internacional quando uma empresa francesa descobriu que seu urânio tinha sido extraído e utilizado.
Depois de analisar amostras da mina, os técnicos Tricastin Usina Nuclear descobriram que o mineral não seria bom para fins industriais. Suspeitando uma possível fraude por parte da empresa que exportava urânio , Tricastin Central decidiu investigar a razão das mostras de urânio normais serem aproximadamente 0,7% de material utilizável, enquanto que o Oklo apenas aproximados de 0,3% . Quando foi confirmado que o material parecia eliminação de reação nuclear, pesquisadores de todo o mundo viajaram para estudar o local.
Depois de uma exaustiva análise química e geológica, os cientistas por unanimidade chegaram a uma conclusão assustadora: as minas de urânio no Gabão não poderiam ter sido outra coisa além de um reator de 35 mil km², o qual iniciou o seu trabalho 2 bilhões de anos atrás e manteve-se em operação durante outros 500 mil anos.
Estes números assombrosos levaram muitos especialistas a quebrar suas cabeças pensando em uma possível explicação. Mas 40 anos depois, o caso das minas de Gabão ainda desperta-lhes as mesmas perguntas que tinham no início. O que ou quem estava usando a energia nuclear antes de qualquer civilização pisara na Terra? Como eles projetaram um complexo de reatores tão grande? Como foram mantidos em operação por tanto tempo?
A explicação implausível
Em um esforço para explicar a origem do reator, os cientistas se voltaram para uma velha teoria do químico japonês Kazuo Kuroda, que anos antes tinha sido ridicularizada depois de postular sua teoria.
Kuroda disse que uma reação nuclear poderia ocorrer sem que a mão do homem intervenha e que a natureza dê uma série de condições essenciais: um depósito de urânio no tamanho certo, um mineral com uma alta proporção de urânio físsil, um elemento que age como moderador na ausência de partículas dissolvidas que impedem a reação.
Mas, três das condições de Kuroda eram altamente improváveis. Ainda mais difícil de explicar era como uma reação nuclear natural poderia ter permanecido equilibrada, sem que o núcleo de urânio fosse extinto ou derretesse durante o período de cerca de 500 mil anos. Por esta razão, os cientistas adicionaram à hipótese de Kuroda um fator final: um ocasional sistema geológico que permitia a entrada de água para os depósitos e da saída do vapor de reação.
Estima-se que hà muitos milhões de anos, a proporção de urânio físsil na natureza foi muito mais elevada (cerca de 3% do minério), um evento chave para que a reação suposta possa ter ocorrido. Com base nesse fator, os cientistas propuseram que a cada três horas os depósitos de urânio poderiam ter sido espontaneamente ativados quando inundados com água filtrada as rachaduras, gerando calor e se apagando quando a água, que atuava como moderadora, se evaporava completamente.
No entanto, a teoria de Kuroda, a água necessária deveria ter uma boa relação de deutério (água pesada) e deveria estar ausente de qualquer partícula que poderia parar os nêutrons na reação. Poderia água que escoa através das rochas ter essas condições tão excepcionais? Poderia estar na natureza um líquido, que hoje requer um processo de produção elaborado?
Engenharia avançada
Após uma série de análise geológica, os pesquisadores descobriram que o reator Oklo ainda manteve uma última surpresa: Os ‘depósitos’ de resíduos adotaram uma disposição tal que apesar de ter passado milhões de anos, a radioatividade não havia escapado fora da mina. Na verdade, foi calculado que o impacto térmico de reatores operacionais não devem ter passado de uma gama de mais de 40 metros. Cientistas reconhecem a inabilidade de um sistema de resíduo emular tão eficiente. O reator ainda é estudado de modo a conceber novas tecnologias baseadas na sua estrutura.
Resumindo, o gigante reator no Gabão foi o melhor já concebido em relação a qualquer reator moderno.
Assim, mesmo que a teoria dos ‘reatores naturais’ seja agora a mais difundida no meio acadêmico, no local de Oklo hà muitas perguntas que ainda aguardam sem serem respondidas.
Por que o urânio foi encontrado em depósitos bem delimitados e não por acaso dispersos em toda a Terra? Por que esse fenômeno ocorreu apenas na África e não em outras partes do mundo? Pode coincidentemente as paredes de uma mina formar um desenho de tal modo que nenhuma radioatividade possa migrar para fora da mesma? Mas, acima de tudo, o que exatamente aconteceu no Gabão 2 bilhões de anos atrás?
https://www.epochtimes.com.br/o-reator-nuclear-pre-historico-no-gabao-na-africa/#.VvU1ivkrK00

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Israelitas Negros - Hebreus Negros - Hebreus Israelitas - Israelitas Africanos - Judeus da Diáspora - Judeus Negros...


Estes são alguns dos nomes, de grupos de afroamericanos, que reivindicam ascendência israelita. Eles alegam que são descendentes diretos, dos antigos hebreus, descritos na Bíblia. Se isso for verdade, o mundo cristão seria revolucionado, uma vez que essa teoria fala de um Jesus Cristo negro, muito diferente daquele Cristo retratado pelo eurocentrismo. Consoante a isso, iremos conhecer um pouquinho a respeito destes judeus, que surgiram em território americano, no final do século XIX, e início do século XX. E pensamos se, algum cristão, que por ventura seja racista (há muitos por aí), seria capaz de rever suas crenças ou mudar sua postura moral, face a aceitação da tese referida. Na verdade, se não aprenderam com a lição do evangelho, que fala do amor ao próximo, não podemos esperar que aprendam com essa teoria que ficou oculta por milênios.

Faço uma pausa para frisar que, foi graças a estes Judeus Afroamericanos, que criamos o “Hebreu Negro”. Isso porque, descobrimos com o blog Hebreu Israelita, que a imagem de um Jesus branco-europeu é uma farsa (os autores do blog citado foram, certamente, influenciados por estes grupos de judeus negros americanos). 

Dando continuidade ao assunto, de início, deve-se enfatizar que, nem todos os grupos de israelitas negros aceitam os termos utilizados para descrevê-los. Alguns, na verdade, até rejeitam o termo "judeu", precisamente porque conota, na mente da maioria das pessoas, um grupo étnico branco. Portanto, o uso desta palavrinha pode ser mal interpretada, como um desejo de ser branco, ou a negação do patrimônio Africano. Em ambos os casos, a sua aplicação pode ser considerada como uma afronta por algumas pessoas. Assim, os grupos que se sentem desta forma preferem o termo hebraico ou Israelita, porque eles acreditam que evita uma conexão com a "brancura", ou, inversamente, implica uma ligação com a "negritude"...


Mas, afinal, quem são estes israelitas? São judeus convertidos? São hebreus originais? 

Esses grupos são compostos de afroamericanos, que aderem em graus diferentes, às crenças e práticas religiosas do Judaísmo. Assim sendo, podemos encontrar entre eles, a negação do Messias cristão. Mas, neste ponto abro um parêntese: não defendemos doutrinas ou crenças exclusivas, porque nosso objetivo não é religioso. Friso: embora tenhamos começado o “Hebreu negro”, a partir de um enfoque religioso (a partir do blog que fala do Jesus hebreu-israelita negro), não defendemos fé, doutrina, ou religião alguma. 


A questão que se levanta é: estes grupos são compostos de descendente de judeus convertidos ou de judeus originais? Dado que, muitos apresentam práticas idênticas ao judaísmo, como nas comunidades tradicionais, muito antigas, existentes na África, e que são consideradas por alguns, como os verdadeiros descendentes do antigo Israel. Estamos falando dos povos africanos, Lemba e Beth Israel (Falashas). Neste ponto sugiro que leiam as matérias: “Teste genético prova que, o povo Lemba (africano) descende de Aarão, irmão de Moisés”, do dia 17 de agosto de 2015, e, o tema: “Beta Israel (Falashas)”, do dia 19 de agosto de 2015. Apesar destes grupos (Lemba e Falasha) terem obtido reconhecimento, a ponto de obterem permissão para entrar e residir em Israel, tenho minhas dúvidas, se os judeus brancos admitem de fato, que os judeus africanos são israelitas de sangue e de direito. 

Então, os navios negreiros fizeram a migração de muitos destes africanos, do continente negro ao americano. Ocorre que, esses grupos não são aceitos em Israel, pela comunidade judaica tradicional. Estamos falando agora, sobre os hebreus negros da América. Antes de prosseguir, ressaltamos que, ser judeu afroamericano não é sinônimo de ser pertencente ao judaísmo normativo, praticado por pessoas negras, porque, neste último, não se fala em linhagem documentada, de antepassados judeus (James E. Landing).

Frisamos ainda que, o surgimento do judaísmo entre pessoas de ascendência africana, nos EUA, mais recentemente, ocorreu a partir de uma combinação de fatores como o reconhecimento de tradições religiosas, de origem desconhecida, lembradas pelos membros mais velhos da comunidade, e que apresentavam alguma semelhança com o judaísmo. Casos em que os pais observavam leis dietéticas, como abster-se de carne de porco, a observância do sábado ou festivais como Páscoa e Sukkot. Na maioria destes casos, as práticas eram fragmentárias e observadas por pessoas que simultaneamente praticavam o cristianismo. Algo semelhante ocorreu no Brasil, onde os judeus expulsos de Portugal e Espanha, pela inquisição, tornaram-se cristãos novos, praticantes do judaísmo, e do catolicismo, em um perfeito sincretismo.

Em suma: as possíveis origens dessas tradições hebraicas podem ser rastreadas até a África Ocidental, onde certos números de tribos têm costumes tão semelhantes ao judaísmo, que uma conexão antiga é totalmente provável, e de fato, eles acreditam que estão ligados por uma linhagem direta com uma das "dez tribos perdidas". 

Sobre judeus brancos, sugiro que leiam: "(05) A 13ª tribo, falsos israelitas, Khazares, Ashkenazi, Edomitas...", do dia 26 de julho de 2015. Onde você verá que os judeus brancos não são provenientes do israel antigo.

Falando mais sobre os Israelitas da Diáspora, citamos os nomes de alguns grupos de israelitas afroamericanos, fundados no final do século XIX, e início do século XX. São eles: o “African-American Jews”, que é um grupo estimado em 200.000 judeus negros; o “Church of God and Saints of Christ”, que é um dos maiores grupos; o “The Church of the Living God, the Pillar Ground of Truth for All Nations”, que é o grupo mais antigo, o “The African Hebrew Israelites of Jerusalem” e o “Commandment Keepers”, que são amplamente conhecidos, por terem migrado dos EUA, para Israel, no final do século XX.

Vale lembrar que, "a maior parte dos hebreus negros não podem ser considerados, explicitamente, como racistas, nem antissemitas, e não advogam a violência", embora, existam alguns que sejam considerados extremistas, como no caso do “Nation of Yaweh” e do “Israelite Church of God in Jesus Christ”.

Segundo a “Anti-Defamation League” (ADL), o website "12 Tribes of Israel" (12 tribos de Israel), administrado por um grupo hebreu negro, promove a supremacia negra.

Ressaltamos que, as crenças e práticas destes grupos diferem consideravelmente entre si, de forma que, o historiador James Tinney sugeriu a classificação das organizações, em três grupos: “Black Jews” (Judeus negros), que mantêm uma perspectiva cristológica, e adotam rituais judaicos; Black Hebrews” (Hebreus Negros), que são mais tradicionais na sua prática do judaísmo; e “Black Israelites” (Israelitas Negros), que são mais nacionalistas, e mais distantes do judaísmo tradicional.

Entre os judeus negros mais bem conhecidos temos o ator Yaphet Kotto, da série de televisão "Homicide", da NBC; Walter Mosley, autor de "Devil in a Blue Dress"; a atriz Lisa Bonet; o falecido ator Sammy Davis Jr. e o cantor de rock de rock, soul, funk, reggae, hard rock, psicodélico, folk, e baladas, Lenny Kravitz.


Entre os que acreditam que “os hebreus da antiguidade eram negros, e Jesus Cristo também”, há afirmações com respeito ao atual paradeiro das tribos perdidas de Israel. Vejamos: 

É dito que:

Judá — são os afroamericanos
Benjamim — são os caribenhos
Levi — são os haitianos
Simeão — são os dominicanos
Zebulom — são os guatemaltecos, panamenhos
Efraim — são os porto-riquenhos
Manassés — são os cubanos
Gade — são os indígenas da América
Rubem — são os índios seminoles
Aser — são os colombianos e uruguaios
Naftali — são os argentinos e chilenos
Issacar — são os mexicanos

Neste ponto sugiro que leiam, em nosso blog, as seguintes publicações:

  • “(01) Os Egípcios da antiguidade eram negros, e isso pode provar que Jesus Cristo também era”, publicação do dia 23 de Julho de 2015.
  • “(02) Israel e Egito, alguma semelhança física?”, publicação do dia 23 de Julho de 2015.
  • “(06) Os Verdadeiros Israelitas são Negros e Índios”, dia 23 de Agosto de 2015.
  • “Os índios negros americanos são os habitantes originais das Américas”, de 23 de Agosto de 2015.
  • “Onde estão Judá, Benjamim e Levi, atualmente?”, de 05 de Outubro de 2015.
  • “Tribos israelitas perdidas - onde está Ruben atualmente?”, de 13 de Outubro de 2015.
  • “Tribos israelitas perdidas - onde está Naftali atualmente?”, de 14 de Outubro de 2015.
  • “Tribos israelitas perdidas - onde está Gade, Zebulom e Manassés, atualmente?”, de 12 de Janeiro de 2016.


Por fim, o que pensar dos judeus brancos?


O Rabbi W.A. Matthew, pertencente ao grupo de hebreus negros, dos EUA, deixa-nos, uma importante opinião, ele disse o seguinte: embora os "judeus originais" fossem negros, os judeus brancos tinham mantido e preservado o judaísmo ao longo dos séculos. Veja que, não se trata de repudiar os judeus brancos, mas, reconhecer o ponto positivo, em sua relação com o judaísmo, desde tempos imemoriais. Até porque, muitos judeus negros, a exceção dos povos tradicionais, como os falachas, só despertam para o judaísmo, em tempos recentes, quando recebem então, o legado, ainda que europeizado, dos israelitas brancos; cabendo-lhes fazer ajustes, que acharem oportunos. 

Assim foi com o Rabbi W.A, que sentiu-se livre para discordar dos judeus brancos, no que concerne a alguns assuntos, como muitos costumes, canções e alimentos, que eram de origem europeia. Sendo assim, ele tinha o direito de introduzir alguns costumes Africanos, do Caribe e das tradições americanas, em sua comunidade israelita afroamericana. Portanto, lendo sobre o Kwanzaa, pergunto-me se ele não é proveniente desta fusão, introduzida por rabbis como Matthew.

Para finalizar, sugiro que leiam a postagem do dia 26 de julho, de 2015, onde falamos a respeito da origem dos judeus brancos. O título é: "(05) A 13ª tribo, falsos israelitas, Khazares, Ashkenazi, Edomitas...". E, leia também, sobre o Kwanzaa, com o título: "O Kwanzaa acabou! Mas, o que é Kwanzaa mesmo?", do dia 07 de janeiro de 2016.

Sem mais acréscimos. Desejo-lhes paz, amados!


Fontes:

Wikipedia, the free encyclopedia. Black Hebrew Israelites. Publicação eletrônica. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Black_Hebrew_Israelites. Acesso em 25 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Israelitas negros. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Israelitas_negros. Acesso em 23 fev. 2016.

Rabbi Sholomo Ben Levy. Black-Jewish Relations:The Black Jewish or Hebrew Israelite Community. Disponível em: http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/Judaism/blackjews.html. Acesso em 25 fev. 2016. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

As Teses Antropológicas Racistas de Nina Rodrigues



Raimundo Nina Rodrigues (1862 —1906) de vargem Grande (Maranhão), foi um médico legista, higienista, psiquiatra, professor, epidemiologista, etnólogo, escritor, sexologista e antropólogo; em suma: um polímata brasileiro, cujas teses antropológicas são, atualmente, consideradas racistas.

Breve biografia:

Esse filho de coronel, que teve como madrinha/babá uma mulata, ficou conhecido em Salvador, em sua época, como o médico dos pobres, mas, na modernidade, é visto como um estudioso que defendeu ideias racistas. Note porém, o que Estácio de Lima, no livro “Velho e Novo Nina”, fala sobre ele: “frequentava candomblés, deitava-se com as inhaôs (sic), e comia a comida dos orixás", e isso, apesar do olhar crítico de seus colegas de profissão.

A verdade é que, Nina Rodrigues buscou analisar com profundidade, os problemas do negro no Brasil, fazendo escola no assunto, mas, ele sofria da mazela chamada influência da ideologia predominante de seu tempo. Entre seus livros destacaram-se: “As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil” (1894), “O animismo fetichista dos negros da Bahia” (1900), e “Os africanos no Brasil” (1932).

Frisa-se que, no período da abolição da escravatura, a cidade de Salvador (BA), para citar apenas um exemplo, contava com mais de 2 mil africanos catalogados; e a Lei Áurea não se preocupou em oferecer condições para que os ex-escravos pudessem ser integrados no mercado de trabalho formal e assalariado, de forma que, muitos se aglomeravam nas grandes cidades, alguns envolvendo-se em crimes, por conta da falta de uma política que afirmativa para ajudá-los; e foi nesse período que Nina Rodrigues escreveu: "a igualdade é falsa, a igualdade só existe nas mãos dos juristas". Ele defendia que deveriam existir códigos penais diferentes, para raças diferentes. na verdade ele achava que o negro era inferior e naturalmente dado ao crime.

Nina Rodrigues foi um indivíduo influenciado pelo darwinismo social, surgido no Reino Unido, América do Norte e Europa Ocidental, na década de 1870. Ele foi um dos introdutores da antropologia criminal e da Frenologia no Brasil. Frenologia foi uma teoria que reivindicava a capacidade da ciência em determinar o caráter, as características da personalidade, bem como o grau de criminalidade de um indivíduo, a partir da forma da cabeça deste ("protuberâncias"). Tal pseudociência foi desenvolvida pelo médico alemão Franz Joseph Gall, nos idos de 1800, tornando-se popular no século XIX. Esses estudos eram, no entanto, controversos na antropologia/etnologia, porque, muitas vezes, foram utilizados para justificar o racismo, de forma científica. De fato, a Frenologia serviu de base para a Eugenia - "purificação da raça".

E a Eugenia é um termo que foi criado em 1883, por Francis Galton (1822-1911), significando: "o estudo dos agentes, sob o controle social, que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais, das futuras gerações, seja física ou mentalmente. Em poucas palavras, faz alusão à - 'bem nascido'. Trata-se do marco inicial da visão nazista, que veio a ser parte fundamental, da ideologia de "pureza racial", a qual culminou no Holocausto. Veja a publicação: “Educação imaginativa e histórica – Eurocêntrica”, do dia 18 de agosto de 2015.

Falamos de um período na história humana, onde a ciência estava contaminada pelo Darwinismo Social, já citado, e que é um nome moderno dado às várias teorias da sociedade, que motivaram as ideias de eugenia, racismo, imperialismo, fascismo, nazismo, e na luta entre grupos e etnias nacionais.

Voltando ao pensamento de Nina Rodrigues, que via o negro como marginal, citamos algumas publicações de sua autoria, com esse teor: 1) “Mestiçagem, Degenerescência e Crime”. Aqui ele procurou provar suas teses sobre a degenerescência e as tendências ao crime, dos negros e mestiços; 2) "Antropologia patológica: os mestiços", e 3) "Degenerescência física e mental, entre os mestiços nas terras quentes". Para Nina Rodrigues, os negros e os mestiços se constituíam na causa da inferioridade do Brasil.

Em obra intitulada: “Os Africanos no Brasil”, o autor explica o subdesenvolvimento do Brasil como uma consequência da predominância de mão de obra negra. Ele escreveu:

"Para dar-lhe [a escravidão] esta feição impressionante foi necessário ou conveniente emprestar ao negro a organização psíquica dos povos brancos mais cultos (…) O sentimento nobilíssimo de simpatia e piedade, ampliado nas proporções duma avalanche enorme na sugestão coletiva de todo um povo, ao negro havia conferido (…) qualidades, sentimentos, dotes morais ou ideias que ele não tinha e que não podia ter; e naquela emergência não havia que apelar de tal sentença, pois a exaltação sentimental não dava tempo nem calma para reflexões e raciocínios".


Pasmem amigos! Teorias como estas, aceitas como verdade por muito tempo, serviram de base para que o governo brasileiro estimulasse ainda mais a imigração de europeus brancos.

Em dada ocasião, o escritor Jorge Amado citou Nina Rodrigues em uma de suas obras - “Tenda dos Milagres” - trocando o nome de Nina por: Nilo Argolo. É  oportuna a citação deste livro, que nos insere no contexto daquele período. 

"Tenda dos Milagres" é um romance do escritor brasileiro, Jorge Amado, publicado em 1969, cuja trama se passa na Tenda dos Milagres, no Pelourinho- Salvador/Bahia, terra originalmente povoada por muitos afrodescendentes, que constituíram a maioria da população daquele lugar.

Na Tenda citada no romance ocorriam encontros de pessoas ligadas ao candomblé e à capoeira. O livro de Jorge Amado buscou retratar Pedro Archanjo, o herói mestiço da história, que era mulato com algum estudo, e que era protegido pelo professor da Faculdade de Medicina, Silva Virajá. Muitas das personagens de Jorge Amado foram baseadas em pessoas reais, entre eles, o principal adversário intelectual de Pedro Arcanjo, desta história, que no caso era Nilo Argolo, que foi, provavelmente inspirado em Nina Rodrigues, como já dissemos. Diante desta realidade, deu até vontade de ler o livro, e conhecer mais deste escritor baiano, o Amado Jorge.


Por fim, fizemos uma postagem que falou a respeito de Manuel Querino, o intelectual afrodescendente, e baiano, que travou no meio intelectual, debates fervorosos, contra as ideias preconceituosas da ciência defendida por Nina Rodrigues. Sugiro que leia.

E assim vou buscando conhecer os personagens negros, como Manuel Querino, ou os controversos, como Nina Rodrigues, na tentativa de mostrar à quem tenha interesse, a nossa história afro, e os heróis negros de nossa nação, em todos os tempos. Lembrando que somos o que somos, uma nação culturalmente rica, graças em grande parte, aos africanos que vieram sofrer, mudar, e enriquecer nossa realidade como Brasil.

Neste ponto sugiro que leia a publicação a respeito de Manuel Querino, um de nossos heróis abolicionistas.   

Fontes:

Wikipédia, a enciclopédia livre. Nina Rodrigues. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nina_Rodrigues. Acesso em 23 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Frenologia. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Frenologia. Acesso em 23 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Darwinismo Social. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Darwinismo_social. Acesso em 23 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Tenda dos Milagres. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tenda_dos_Milagres_(livro). Acesso em 23 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre.  Os Africanos no Brasil. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Africanos_no_Brasil. Acesso em 23 fev. 2016.

O primeiro Brasileiro - Afro ou Branco - a detalhar, analisar e fazer justiça às contribuições Africanas ao Brasil.



Manuel Raimundo Querino (1851 — 1923), que será objeto desta publicação, foi um intelectual afrodescendente, que estudou no Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, e na Escola de Belas Artes, e que fez história como escritor, líder abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos, da cultura africana, em solo brasileiro. Ele foi de fato, um proeminente ativista, que combateu com fervor e competência, as ideias racistas do darwinismo social daquele período.

Breve biografia:

Manuel Querino, negro brasileiro, perdeu os pais para a cólera, em 1855. Por sorte, teve como padrinho/tutor o professor da Escola Normal de Salvador, Manoel Correia Garcia, que o introduziu nas primeiras letras. É  dito que, depois de servir na Guerra do Paraguai, como escriba (carece de fontes), Querino teria voltado sua atenção ao desenho e à pintura, obtendo em seguida, o diploma de desenhista, em 1882.

Mas, este homem das artes, terá papel ainda mais profundo à desempenhar, de forma a deixar marcas profundas na história de nossa cultura. Depois de produzir dois livros didáticos, sobre desenho geométrico, Manuel atuou na política, como abolicionista. Ele era republicano e liberal, um verdadeiro líder da classe trabalhista e operária. Desta maneira ele inicia uma trajetória dedicada não somente à proteção do negro brasileiro, como, também, de registro da brilhante contribuição destes para a construção de nossa nação.  

Querino inicialmente, defendeu com ardor pessoas humildes e sem voz, que sofriam com reformas injustas. Mas, essa luta custou-lhe um preço, que foi a não reeleição, para a Câmara Municipal, bem como, ser consecutivamente preterido em todas as ocasiões em que lhe era justa a promoção, no serviço público, na Secretaria da Agricultura.

Secretários e chefes de serviço mostraram desinteresse pela sorte deste homem, porque era negro, mas, no fim, seria este negro que acabaria lembrado nos anais de história, de seu país, por ter registrado a história dos afrodescendentes, e seu papel no enriquecimento de nossa cultura.

Manuel Querino dedicou boa parte de seu tempo e energia, aos estudos históricos, pesquisando e registrando as contribuições dos Africanos, ao desenvolvimento do Brasil como ele é hoje. Afinal, “nenhum afro-brasileiro havia, até então, dado sua perspectiva da História, do Brasil”. Dito isso, Querino surgiu como “o primeiro Brasileiro - afro ou não afro- a detalhar, analisar e fazer justiça às contribuições Africanas ao Brasil”.

Por fim, frisemos que, ele travou, no meio intelectual, debates recorrentes, contra as ideias preconceituosas, de Nina Rodrigues, um personagem que citaremos numa próxima publicação. Manuel Querino também chamou, diversas vezes, a atenção dos oficiais municipais, quanto às perseguições infringidas aos praticantes das religiões Afro-baianas.

Lamentavelmente, a polícia da época rotulava essas religiões como bárbaras e pagãs. Eles apareciam nos terreiros para destruir propriedades, e para ferir os participantes. E foi assim que baianas como Tia Ciata foram parar no Rio de Janeiro, no final do século XIX, e início do século XX. Essa baiana guerreira, a Tia que abriu os terreiros para os pagodes, recebia a nata de sambistas, daquele período, ajudando a desenvolver e impulsionar o estilo musical mais brasileiros de todos. Veja a publicação: "Origem Feminina do Samba - As Divas Negras", do dia 20 de fevereiro de 2016. Não esqueçamos também, os episódios recentes de vandalismo praticado contra centros espíritas, como o incêndio ocorrido no Distrito Federal, que destruiu um CE, e parece ter sido criminoso. Isso mostra o quão duradouro é o racismo contra as religiões de matriz africana. 

Voltando ao personagem desta história, Manuel Querino. Ele foi fundamental para a historiografia brasileira, ao preservar a história dos africanos, no Brasil, ao registrar seu legado à cultura baiana...

É dele a citação que exalta a identidade nacional afrodescendente:

“A Bahia encerra superioridade, a excelência, a primazia, na arte culinária do país, pois que o elemento africano, com a sua condimentação requintada de exóticos adubos, alterou profundamente as iguarias portuguesas, resultando daí um produto todo nacional, saboroso, agradável ao paladar mais exigente, o que excede a justificada fama que precede a cozinha baiana”. (QUERINO, 1922, p. 23).


Manuel Querino faleceu na Bahia, em 1923.


Algumas de suas obras são:

  • Artistas baianos, Rio de Janeiro, 1909
  • As artes na Bahia, Salvador, 1909
  • A raça africana e os seus costumes na Bahia, in Anais do V Congresso Brasileiro de Geografia, Salvador, 1916
  • A Bahia de outrora, Salvador 1916
  • O colono preto como fator da civilização brasileira, 1918
  • A arte culinária na Bahia, Salvador, 1928.

Eu acredito que não devemos mais aceitar uma educação que seja eurocêntrica, tendente à ignorar as grandes influências da cultura africana, em nossa cultura. Não podemos nos limitar a citar um folclore depreciativo, como o Saci Pererê, ou citações da escravidão, nas aulas de história, coisas que deixam marcas de menos valia em nossas crianças negras. Devemos fazer com que nossas crianças e jovens conheçam os heróis negros desta pátria, porque, parte da beleza de nosso país deve-se principalmente aos africanos que aqui deixaram sua marca.

Fontes:

Wikipédia, a enciclopédia livre. Manuel Querino. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Querino. Acesso em 23 fev. 2016.

Association de capoeira PALMARES de Paris. Manuel Raimundo Querino. Publicação eletrônica. Disponível em: http://www.capoeira-palmares.fr/histor/querino.htm. Acesso em 23 fev. 2016.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Origem Feminina do Samba - As Divas Negras.


                                                          Tia Ciata

Hilária Batista de Almeida, mais conhecida como Tia Ciata (18541924),  foi uma entre várias divas negras e talentosas, que deram origem ao samba, o estilo musical mais brasileiro de todos.
Tia Ciata era uma cozinheira e mãe de santo baiana, considerada por muitos, como uma das figuras mais influentes para o surgimento do samba carioca; isso porque, era em sua casa que se reuniam sambistas, todos os finais de semana, para realização de pagodes (festas dançantes), com direito à quitutes feitos por ela, e música sem parar. A tia baiana cuidava para que o samba nunca parasse.
Esses encontros lendários ocorriam na "Praça Onze" (conhecida como "Pequena África"), que era um ponto de encontro tradicional de sambistas e compositores cariocas, de forma que, acabou ficando lembrada, nos primeiros anos de desfile, das escolas de samba, como ponto "obrigatório" de passagem, isto é,  era prática corrente destes grupos, passar diante da casa de Tia Ciata. Todo o ano, durante o Carnaval, a família  da Tia baiana armava uma barraca na Praça 11, reunindo tanto trabalhadores, quanto a nata da malandragem carioca. Ali nasciam as marchinhas, que ficariam famosas, no Carnaval carioca.
Tia Ciata foi com certeza, uma das mais famosas baianas, que migraram para o Rio de Janeiro, no início do século XX, fugindo da perseguição policial (perseguição religiosa). Os policiais baianos invadiam terreiros, destruíam tudo, e batiam em quem estivesse lá. A migração da tia baiana contribuiu para o desenvolvimento do samba, pois, ela abria seu terreiro de Candomblé, para as rodas de pagode acontecerem.
Além de vender doces, Tia Ciata alugava roupas de baiana, para os teatros, e para o Carnaval; isso levou muita gente da Zona Sul da cidade, da alta sociedade, à frequentar a casa da baiana, fato que, certamente, ajudou à pavimentar a estrada do samba. Tia Ciata morreu em 1924.
Clementina de Jesus da Silva
Clementina de Jesus da Silva (19011987) foi uma cantora de samba, negra e carioca, conhecida como Tina, Rainha Ginga ou Quelé, que nasceu em 1901, e que acompanhou de perto, o surgimento e desenvolvimento da escola de samba "Portela". Ela frequentou desde cedo as rodas de samba da região, e tinha um brilho especial nos olhos, que cativou tanto os mais humildes, quanto o imperador Haile Selassiê (já falamos deste imperador, aqui no blog). Leia: "Imperador Haile Selassie (Rei dos Rastafari)", do dia 21 de agosto de 2016.
Em 1940, Clementina, já casada, foi residir na Mangueira, onde trabalhou  como doméstica, por mais de 20 anos, até ser "descoberta" pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho, em 1963, quando já estava com 63 anos. Talvez por isso Clementina tratasse todos igualmente, sem distinção de classes sociais. Uma mãezona!

TV Cultura - Clementina de Jesus " Me Da Meu Boné "

Considerada rainha do partido alto (um tipo específico de samba, que mais se aproxima do batuque angolano), com seu timbre de voz inconfundível, Clementina foi ativa em recuperar a memória musical afro-brasileira.
Em 1968, com a produção de Hermínio Bello de Carvalho, Clementina registrou o histórico LP :"Gente da Antiga", ao lado de Pixinguinha e João da Baiana.
Clementina, também chamada de mãe, surgira como um elo entre a moderna cultura negra brasileira, com a Mãe África, causando admiração no meio musical (MPB). Artistas como João Bosco, Milton Nascimento e Alceu Valença fizeram questão de registrar sua voz, nos álbuns desta diva do samba. Em 1983, Clementina de Jesus foi merecidamente homenageada em um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com participação de Paulinho da ViolaJoão NogueiraElizeth Cardoso, e outras natas do samba.

Mesmo tendo iniciado tardiamente sua carreira artística, que acabou sendo curta, Clementina de jesus é, sem dúvida, uma das mais importantes cantoras brasileiras, que, lamentavelmente, partiu, deixando saudades, em função de um derrame, em 1987.
                                           

Dona Zica
Última esposa de Cartola, Dona Zica foi uma diva da velha guarda da "Estação Primeira de Mangueira". Ela tinha mais de 40 anos de idade, quando casou-se com Cartola, em 1954. Ela teve um papel importante na vida deste grande nome da cultura musical brasileira.
Diz-se que, o talento gastronômico de Zica, segundo relato da própria, foi decisivo na vida do casal, pois, conforme depoimento seu, registrado na biografia de Cartola, já na década de 1960, ao comandar um vatapá, na casa de Benjamin Eurico Cruz, ela teria conseguido fazer um contato importante, que deu origem ao Zicartola, famosa casa de samba do Rio de Janeiro, e que também funcionava como restaurante, onde ocorriam encontros de sambistas afamados da época. 

Dona Zica morreu aos 89 anos, de problemas cardiovasculares.

Ivonne Lara da Costa (1921)
Dona Ivone Lara é uma cantora e compositora brasileira, uma legítima matriarca do samba, também chamada de: “A Rainha do Samba”. Essa musicista teve forte influência da família, que deu origem ao seu amor pelo samba. Com a morte do pai, aos três anos de idade, e da mãe, aos doze anos, Ivone acabou sendo criada pelos tios, com quem aprendeu a tocar cavaquinho, bem como a ouvir o batuque sambista

Detalhe interessante: Ivone Lara teve aulas de canto, com Lucília Villa-Lobos, recebendo elogios do marido desta, o famoso maestro Villa-Lobos.
E essa veia artística também adveio dos pais de Dona Ivone, que, antes de morrerem, tinham intensa vida musical. O pai era violonista de sete cordas, e desfilava no Bloco dos Africanos; a mãe era ótima cantora, e emprestava sua voz de soprano, aos blocos carnavalescos tradicionais, do Rio de Janeiro.
Curiosidade: Dona Ivone Lara era formada em Enfermagem, e tinha especialização em Terapia Ocupacional, ela trabalhou trabalhou com a nobre doutora Nise da Silveira, e foi assistente social até se aposentar, em 1977. Depois da aposentadoria, a sambista passou a dedicar-se exclusivamente à carreira artística.
Com a fundação do Império Serrano, em 1947, Dona Ivone desfilava na ala das baianas. A consagração como cantora veio somente em 1965, quando tornou-se a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de escola de samba.
Entre os intérpretes que gravaram suas composições destacam-se nomes de peso como: Clara Nunes, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paula Toller, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Roberta Sá e Marisa Monte.

Sambabook Dona Ivone Lara

De tão respeitada, diz-se que, não bastava chamar a cantora de "Ivone Lara", o respeito e a admiração impuseram o termo: "DONA", que fundiu-se ao nome da então, consagrada sambista.
Em 2014, Dona Ivone Lara participou do primeiro dia de gravações do "Sambabook", em homenagem à sua carreira, onde participaram cantores como: Elba Ramalho, Criolo, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Arlindo Cruz, Adriana Calcanhoto e Zélia Duncan.

Jovelina Pérola Negra
Jovelina Pérola Negra (19441998), cujo nome de batismo era Jovelina Farias Delford, foi uma cantora e compositora brasileira, consagrada como um dos grandes nomes do samba. Com uma voz rouca e forte, essa negra, sambista e guerreira, foi herdeira do estilo de Clementina de Jesus, e, como ela, empregada doméstica, antes de fazer sucesso, no mundo artístico.
Jovelina ganhou fama ao participar do histórico disco: "Raça Brasileira", em 1985, ajudando a consolidar o pagode.
O nome Pérola Negra era homenagem à sua cor reluzente.

Jovelina Pérola Negra "Sangue Bom" - CD Completo 1990

Essa pérola da música brasileira conquistou muitos fãs no meio artístico, como Maria Bethânia e Alcione. Ela gravou cinco álbuns, e conquistou o Disco de Platina. Mas, lamentavelmente, o sucesso chegou tardiamente, impedindo a realização de um sonho, o de "ganhar muito dinheiro, para dar aos filhos tudo o que não teve", isso porque, em 2 de novembro de 1998, Jovelina Pérola negra morreu, aos 54 anos, de infarto.
Outros nomes que não foram citados aqui, como: Leci Brandão, Tia Surica e Tia Doca, você encontra nos anais da nata do samba brasileiro, um estilo musical nascido nas favelas, da ginga e talento de nossos afrodescendentes.
Fontes:
Wikipédia, a enciclopédia livre. Tia Ciata. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tia_Ciata. Acesso em 20 fev. 2016.
Wikipédia, a enciclopédia livre. Clementina de Jesus. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tia_Ciata. Acesso em 20 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Dona Zica. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dona_Zica.Acesso em 20 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Dona Ivone Lara. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dona_Ivone_Lara. Acesso em 20 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Jovelina Pérola Negra. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jovelina_P%C3%A9rola_Negra. Acesso em 20 fev. 2016.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Clementina de Jesus. Publicação eletrônica. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Clementina_de_Jesus. Acesso em 20 fev. 2016.